KremlinO ditador Vladimir Putin festeja na Praça Vermelha: apoio do governo brasileiro segue firme

Bajulação envergonhada

Ao enviar uma carta para Vladimir Putin, governo Lula mostra que quer seguir apoiando o ditador, mas sem ter de arcar com as repercussões negativas no Brasil e no exterior
22.03.24

Ao parabenizar o ditador Vladimir Putin pela fraude eleitoral que acabou no dia 17 de março, o governo brasileiro adotou um método diferente, envergonhado. Em vez de publicar uma nota oficial, como se faz tradicionalmente, o presidente Lula enviou uma carta para o Kremlin, cumprimentando o ditador pela sua vitória. O teor da mensagem não foi divulgado.

Notas anódinas são uma prática corriqueira no Itamaraty. Desde que Lula assumiu o Palácio do Planalto, no início de 2023, o Brasil enviou cumprimentos para os vencedores das eleições no Congo, na Guatemala, em Bangladesh, no Egito, no Equador e na Guiné-Bissau. O fato de que Lula e o seu assessor especial Celso Amorim tenham escolhido outro método após a fraude eleitoral russa, contudo, revela um cálculo político, ao mesmo tempo que confirma as posições antigas em política externa do PT.

A carta de teor desconhecido para Putin indica que o governo quer evitar repercussões negativas no Brasil. Três pesquisas de opinião pública divulgadas nas últimas semanas apontaram queda na aprovação do governo (leia matéria de capa nesta Crusoé). Entre as áreas mais criticadas está a diplomacia e (especialmente os ataques verbais de Lula a Israel). Nesse cenário, soltar uma simples nota burocrática poderia cavar ainda mais fundo o poço da desaprovação ao atual governo.

Em outros momentos sensíveis, os petistas também foram espertos ao esconder suas simpatias. Foi assim no final de 2021, quando Lula começava a se apresentar como rival de Jair Bolsonaro para disputar as eleições presidenciais do ano seguinte. Em novembro daquele ano, o PT apagou uma nota em que saudava a eleição de Daniel Ortega, na Nicarágua. Sete candidatos de oposição foram presos antes do pleito. Em fevereiro do ano seguinte, o site do PT no Senado apagou uma publicação nas redes sociais em que criticava os Estados Unidos pela invasão russa da Ucrânia, que ocorrera dias antes. 

Ao escamotear o conteúdo da carta, Lula tenta evitar uma deterioração maior de sua imagem. O impacto teria tudo para ser grande, pois a nota oficial coincidiria com o exato momento em que Putin consolida a sua ditadura (a partir deste momento, Crusoé e O Antagonista passarão a chamar Putin sempre de ditador).

Putin já está há 25 anos no poder, e logo baterá o recorde de Josef Stalin no Kremlin. Assim como o líder soviético, o modelo de Putin passa pela submissão dos outros Poderes, pela eliminação de adversários, pela limitação das liberdades, pela centralização, pela paranoia, por guerras e ameaças“, diz o cientista político Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia.

Com a cartinha secreta, Lula também busca prevenir um desgaste externo. Após a fraude na Rússia, em que todos os candidatos verdadeiramente de oposição foram proibidos de participar, exilados ou assassinados, os governantes europeus criticaram abertamente Putin. A União Europeia disse que os eleitores não tiveram um pleito imparcial e independente. “Um apoio expresso ao Putin seria mal visto pela opinião pública e por aliados, e enfraqueceria ainda mais a imagem de Lula, no Brasil e no exterior“, diz Dorival Guimarães Pereira Jr., professor de Relações Internacionais da Skema Business School, em Belo Horizonte.

As poucas mensagens pró-Putin que escaparam do controle do Planalto foram amplamente rejeitadas, porque baseadas em mentiras evidentes. Da Cisjordânia, o ministro de Relações Exteriores Mauro Vieira disse que a votação ocorreu “em clima de tranquilidade doméstica” e com “observadores internacionais“. Mas monitores independentes de outros países não puderam acompanhar a eleição. O secretário de Relações Internacionais do PT, Romênio Pereira, divulgou uma nota falando que o povo votou voluntariamente. Mas funcionários públicos não tiveram opção.

Que ninguém se engane: embora o Brasil não tenha publicado uma nota oficial sobre a eleição de Putin, o apoio ao ditador continua firme e forte. Desde 2022, o petista tentou culpar a Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pela invasão russa da Ucrânia. Também insistiu que Putin não seria preso no Brasil, apesar de o Tribunal Penal Internacional ter expedido um mandado de prisão contra o russo por crimes contra a humanidade. E Lula ainda fez malabarismos para não culpar Putin pela morte do opositor Alexei Navalny em uma colônia penal na Sibéria.

Nenhuma dessas posições passou por qualquer correção moral ou de princípios. O que mudou é que Lula e Celso Amorim querem continuar apoiando ditadores, mas preferem evitar os ônus de suas amizades.

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  1. Estamos mesmo num poço sem fundo, sai Bolsonaro culpado por milhares de mortes de brasileiros pela sua péssima conduta no combate à Covid, tentativa de golpe e outras coisitas mais, entra o descondenado Lula, amigão de ditadores da pior espécie, corruptos de todos os tipos, a ralé do mundo e ainda por cima, não perde oportunidade de nos envergonhar com suas declarações ridículas e mentirosas. Quem poderá nos ajudar?

  2. Quanta desilusão ... Bolsonaro "aquele terror", volta de Lula "intragável e indigesta"...um beco sem saída... Obviamente nenhuma palavra de repúdio contra o assassinato de Alexei Navalny ( oque temos feito de forma individual sempre que possível). Que falta de esperança...

  3. É assim onLula segue firme com sua politica externa imprestavel. Sempre toma o lado errado, apoiando ditadores e afastandovdemocracias. Vergonha

  4. Esse presidente envergonha o Brasil pelo seu apoio ditadorres, pelas mentiras e pssado de corrupção. O Brasil sofreu muito com o governo irresponsável de Bolsonaro; agora volta esse sujeito sem ética.

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