Isac Nóbrega/PR

O que está por trás dos discursos de Aras e Mendonça em defesa da liberação de cultos e missas

08.04.21 12:16

Auxiliares do Planalto, integrantes do alto escalão do governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal encararam os apaixonados discursos de André Mendonça (foto) e Augusto Aras em favor da liberação de celebrações religiosas em meio à pandemia como mais um capítulo da disputa entre os dois pela próxima vaga na corte, que será aberta em julho com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. 

A indicação cabe a Jair Bolsonaro. Horas antes do julgamento no STF, o presidente, crítico contumaz do isolamento social, saiu mais uma vez em defesa da autorização às igrejas. “Um pouco mais de 90% da população acredita em Deus. E, acreditando em Deus, eu espero que daqui a pouco, está previsto no Supremo Tribunal Federal, julgar a liminar do ministro Kassio Nunes, ou que a liminar seja mantida ou que alguém peça vista, para que nós possamos discutir um pouco mais a abertura de templos religiosos”, disse.

Na sessão do Supremo, Mendonça e Aras tentaram demonstrar fidelidade ao Planalto. Os dois, avaliam interlocutores, buscaram deixar claro que podem ser o nome “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro deseja para assumir a vaga na mais alta corte do país a partir de julho. O advogado-geral da União atende o requisito naturalmente — é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. O procurador-geral da República, embora não seja evangélico, tem tentado se aproximar de lideranças do segmento e trabalhar por suas demandas.

Por ora, Mendonça é favorito à sucessão de Marco Aurélio. Como Bolsonaro, o ministro-chefe da AGU argumentou durante sessão do Supremo desta quarta-feira, 7, que a proibição das atividades em igrejas e templos era desproporcional e inconstitucional. No momento mais acentuado do discurso, chegou a dizer que os cristãos estão “dispostos a morrer para garantir a liberdade de religião e de culto”.

Mendonça avaliou que, se persiste a superlotação nos transportes públicos e aéreo, não há problemas em permitir a realização de cultos e missas. “Hoje vamos pegar um avião, tomamos cautela ao entrar no aeroporto, na fila do saguão do aeroporto, mantemos distanciamento e sentamos como uma lata de sardinha, um colado no outro, dentro dos aviões. Foram impedidas reuniões presenciais de trabalho? Os governadores fecharam os sindicatos para suas reuniões? Fecharam as associações? Fecharam-se partidos políticos? Por que somente as igrejas? Por que essa discriminação?”, questionou.

Em razão das declarações, o advogado-geral da União sofreu reprimendas de Gilmar Mendes, primeiro a votar no julgamento. O ministro declarou que o possível colega de toga parecia ter pousado no Supremo vindo de Marte e sustentou que, ainda que “qualquer vocação íntima” possa levar à escolha de entregar a vida pela religião, a Constituição Federal de 1988 não prevê “o direito fundamental à morte”.

Aras não ficou para trás. Antes do julgamento, o PGR pediu para que a relatoria do caso passasse de Gilmar Mendes para Kassio Marques, na tentativa de abrir a sessão com um voto favorável à liberação. Durante a sessão, argumentou que normas estaduais e municipais que vedam as celebrações para evitar aglomerações não podem se sobrepor à liberdade religiosa, prevista na Constituição.

É necessário relembrar o lugar da religião em um estado democrático de direito e ter presente que o Estado é laico, mas as pessoas não são. Pelo contrário, as pessoas têm o direito de professar sua fé. Direitos e garantias são postos em defesa do cidadão contra o Estado, e não em favor do Estado contra os cidadãos. A ciência salva vidas, a fé também”, emendou.

O PGR, no entanto, foi outro a ouvir as críticas de Gilmar, que classificou a manobra para a mudança da relatoria do processo como uma “estratégia processual que beira a litigância de má-fé”.

Após o voto de Gilmar, a sessão foi suspensa. A deliberação continua na tarde desta quinta-feira, 8.

Já é assinante?

Continue sua leitura!

E aproveite o melhor do jornalismo investigativo.

Só R$ 1,90* no primeiro mês

O maior e mais influente site de política do Brasil. Venha para o Jornalismo independente!

Assine a Crusoé

*depois, 11 x R$ 14,90

CONFIRA O QUE VOCÊ GANHA

  • 1 ano de acesso à CRUSOÉ com a Edição da Semana: reportagens investigativas aprofundadas, publicadas às sextas-feiras, e Diário, com atualizações de segunda a domingo
  • 1 ano de acesso a O ANTAGONISTA+: a eletrizante cobertura política 24 horas por dia do site MAIS conteúdos exclusivos e SEM PUBLICIDADE
  • A Coluna Exclusiva de Sergio Moro
  • Podcasts e Artigos Exclusivos de Diogo Mainardi, Mario Sabino, Claudio Dantas, Ruy Goiaba, Felipe Moura Brasil, Carlos Fernando Lima e equipe
  • Newsletters Exclusivas

Os comentários não representam a opinião do site. A responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos.

500
  1. O que há é uma cortina de fumaça para as 340.000 mortes que o gehnocida é o causador.Tenho a impressão que os politicos todos usaram crack e acham que ninguém está reparando.

  2. É isso aí Gilmar! Não gosto de você não porque é garantista e solta todos os bandidos que chega em seu gabinete. Mas nesse ponto você tem razão! Espero que manobrando de Bolsonaro fique sozinho nessa para ele aprender a se respeitar e vota como manda a constituição!!

  3. O q está por trás? Qualquer um pode ver. Basta querer. O STF decidiu que Prefeitos e Governadores, e o Presidente tinha competência CONCORRENTE em relação à pandemia. Ora, em alguns estados governadores tem optado por "lockdown" enquanto prefeitos optam por "liberar" com algumas restrições. E o Presidente? Sem direito de opinar. Mas a competência é "concorrente". Agora, um ministro do STF decide interferir na decisão de um Prefeito, competente segundo o STF. Xeque-mate. Volta tudo.

    1. Raciocínio errado, o que não é novidade vindo do Jaime Bozista! O STF não está interferindo em nada. Está apenas tomando uma decisão sobre uma ação legal provocada por um bando de bandidos que quer promover eventos de contaminação em massa porque perderam seus rendimentos mensais provenientes dos dízimos. Simples assim!

  4. Por trás dessa encenação toda estão os pastores sedentos para arrecadar o dízimo dos fiéis que sofrem com ônibus lotado, descaso dos governantes, desemprego e fome. Só lhes resta apelar para Deus.

  5. Que VERGONHA , Mendonça e Aras ! A que ponto de servilismo se chega por ambição a um cargo ! Quem muito se abaixa.....o fi ó fó APARECE ! Que falta de dignidade ! Que vergonha, Aras e Mendonça ! A que ponto se chega por ambição a ocupar um cargo ! Quanto servilismo ! Quem muito se abaixa....

  6. Enquanto esates dois seres bozistas, bestiais, delinquentes e decrépitos defendem eventos de contaminação em massa para gerar mais dinheiro para os pastores, os pastores pegam os dinheiro dos fiéis e embarcam em jatinhos de luxo para os Estados Unidos para se vacinarem gratuitamente e ficarem livres do vírus que eles ajudaram a espalhar. Como sempre falo: Bozistas são seres covardes e decadentes, que firmaram um pacto com o diabo!

  7. A PRINCÍPIO O BOZO É UM FANFARRÃO TERRIVELMENTE RIDÍCULO, SEM CONTAR QUE NÃO SE DEVE ACREDITAR EM MEIA PALAVRA DESTE IDIOTA POIS É MAIS FALSO QUE UMA NOTA DE 3 REAIS, ENTÃO NEM O CAPACHO AGU TAMPOUCO O BANDIDO HARAS DEVERÃO CONTAR COM ESTA VAGA NO STF PQ DO GENOCIDA TEM QUE SE ESPERAR TUDO APESAR QUE NENHUM DELES MERECIAM SER INDICADOS À VAGA. TEMOS JUÍZES E PROCURADORES INFINITAMENTE MAIS HONESTOS E COMPETENTES MAS COMO É UM BANDIDO DEVERÁ OPTAR POR UM DESSES 2 RATOS DE ESGOTO. 🚔⚔🗡☠

  8. A história das religiões é cheia de mortes,guerras,assassinatos,intrigas palacianas e exploração dos pobres.Então, nada de novo! Enquanto vamos morrendo aos milhares,os cofres abarrotado de dinheiro das igrejas seguem elegendo bandidos, que só querem poder.Além de terem suas dívidas bilionárias perdoadas.O mesmo lixo..a mesma roubalheira..nada de novo..SÓ NOJO. O Brasil é LAICO

Mais notícias
Assine 7 dias grátis
TOPO