Gilberto Soares/MMA

MP pede investigação sobre demora no envio de dados bancários de Salles

11.06.21 07:35

Responsável pela investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (foto), o promotor Ricardo Manuel Castro pediu ao Tribunal de Justiça de São Paulo a abertura de um inquérito policial para apurar quem dentro da corte está travando a quebra do sigilo bancário do escritório de advocacia de Salles.

No pedido, o promotor afirma que está há um ano aguardando o envio dos extratos bancários detalhados das contas da banca de advocacia de Salles e da mãe dele, cujas quebras de sigilo foram decretadas pelo juiz Marcos de Lima Porta, da 5ª Vara da Fazenda Pública, em junho de 2020. Castro suspeita que algum servidor esteja prevaricando para que os dados não sejam repassados.

Segundo o promotor, a demora se deve porque o pedido de quebra de sigilo feito por ele foi encaminhado de forma incompleta pelo cartório às instituições financeiras. Em duas ocasiões, por exemplo, o banco Itaú, onde o escritório de Salles possui uma conta, informou que não podia informar os dados solicitados porque não recebeu a informações sobre o período desejado.

“O que o Ministério Público pretende com a medida em tela é a quebra de sigilo dos demandados para que as investigações possam prosseguir, ou seja, apenas o exercício das atribuições que lhe foram conferidas pela Constituição Federal e vem, lamentavelmente, sendo impedido de prosseguir na sua atuação funcional em face da evidente desídia desta serventia”, escreveu o promotor.

Como revelou Crusoé no ano passado, a conta pessoal de Salles recebeu 7 milhões de reais em créditos entre 2013 e 2017, sendo 330 mil reais em depósitos em dinheiro — alguns, de forma fracionada. Da conta corrente do escritório de advocacia para a conta pessoal do ministro saíram 2,75 milhões de reais em 54 transferências feitas entre 2014 e 2017.

Foram essas transações que levaram o MP paulista a pedir que a quebra de sigilo fosse estendida para a banca de Salles. O mesmo pedido foi feito pela Polícia Federal e deferida pelo ministro Alexandre de Moraes na investigação sobre a suposta exportação ilegal de madeira da Amazônia.

Ricardo Salles é investigado por suspeita de enriquecimento ilícito no período em que intercalou a atividade de advogado com dois cargos públicos no governo de Geraldo Alckmin, do PSDB, em São Paulo. Entre 2012 e 2018, o patrimônio declarado por Salles saltou de 1,4 milhão para 8,8 milhões de reais. O ministro nega qualquer irregularidade e afirma que sua evolução patrimonial decorre de uma reforma que valorizou o imóvel onde mora.

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  1. Eu gostaria de saber se há ou não repasse de verbas do Dória para editores da Crusoe .... tô só mostrando uma dúvida ...

  2. 1.324.223 motociclistas seguidores de Bolsonaro, em uma passeata em São Paulo. Não vi nada sobre esse assunto. Os jornalistas da Crusoe moram no Brasil 🇧🇷 é ?

  3. Estão protegendo o desmatador aliado do capetao e dos filhos ..família acima de tudo e corruptos lucrativos acima do país

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