Agência Brasília

Etanol americano, açúcar brasileiro e a falta de reciprocidade de Trump

03.12.19 13:30

Nas negociações com os Estados Unidos, o Brasil aumentou a cota de etanol americano que pode ser importado sem o pagamento de impostos, mas não conseguiu elevar a cota para exportar açúcar aos Estados Unidos.

Apesar dessas duas coisas parecerem similares, a cota de etanol e a de açúcar não podem ser pesadas na mesma balança. É preciso avaliar quem ganha e quem perde com cada uma dessas decisões.

“Se o Brasil reduzir a cota de etanol que importamos dos Estados Unidos sem taxas, o consumidor brasileiro terá de pagar mais e o governo em Brasília levará os dividendos”, diz o economista Julio Maria Borges, sócio-diretor da Job Economia, em São Paulo.

A produção de etanol brasileiro não é suficiente para abastecer os postos de combustíveis (foto). Por causa disso, o Brasil é um importador de etanol americano. A cota colocada pelo governo permite que uma parte do volume entre no país livremente. A partir desse limiar, os importadores brasileiros precisam pagar impostos ao governo. Isso não afeta o valor recebido pelos exportadores americanos de etanol.

Quanto ao açúcar, a situação é distinta. Os americanos não produzem todo o açúcar que consomem. Ao comprar do mundo todo, eles decidiram dividir a importação em cotas para ajudar países e regiões mais pobres. No Brasil, por exemplo, apenas o Nordeste pode exportar açúcar para os Estados Unidos. O preço que os americanos pagam é cerca de 80% maior que o preço mundial. Nações pobres da América Latina e da Ásia também desfrutam desse privilégio.

“Para os Estados Unidos, mexer na cota de importação de açúcar é como mexer em um vespeiro. Para um país aumentar a cota, outro teria de perder, o que criaria um conflito geopolítico”, diz Borges.

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  1. A política de alinhamento automático do Brasil aos EUA é um desastre e nos submete a uma sequência de vexames internacionais em pouquíssimo tempo. O correto seria um alinhamento pragmático, condicionado pela reciprocidade.

  2. Não é que a produção de etanol não é suficiente para abastecer os postos. É que o etanol é misturado na gasolina, daí não é suficiente para quem quer somente álcool. Entendeu.?

    1. Continua faltando álcool para as necessidades do Brasil, Dr Acácio...Se não entendeu leia Eça de Queiroz

  3. O Brasil não tem um política externa estratégica, quer voltada para as relações políticas entre países, quer na área comercial. Por outro lado, temos amadores olavistas no Itamaraty, além das incompetências de Jair e Eduardo Bolsonaro (este, metido a sabichão no assunto). Isto é, somos um barco à deriva em um oceano agitado. As preocupações de JB são ideológicas e com seu novo partido (o décimo), o Aliança. As reformas entraram em "férias". O Brasil acima de tudo é um detalhe apenas.

    1. Armando — Rachid não tolera o Bozo e o Bozo não tolera gente inteligente. Simples assim!

    2. Rachid, com todo esse conhecimento sobre economia externa e política mundial você deveria se aplicar à vaga de ministro da economia ou para ser o responsável pelas relações exteriores no Brasil. Com certeza faria toda a diferença e conseguiria mudar radicalmente os rumos da economia nacional!

    3. Lamento, mas colocar olavistas no Itamaraty, tal como o Ernesto, o Filipe, o Eduardo, todos eles "traçando" a "política externa" do país, só pode ser uma bizarrice sem tamanho. Aquele órgão é para profissionais de altíssimo nível, a nata nacional, não esses jecas extremistas de uma direita tosca e ignorante, sem diretrizes, sem programas, apenas a ideologia de cortiço que o Jair criou. Um manicômio diplomático.

    4. Concordo com o João, fácil jogar a culpa de décadas de atraso no Bolsonaro. Sei que ele não é nenhum gênio, mas pelo menos, mesmo com ideologia barata está no caminho certo. Embora fique muito escandaloso o alinhamento ao presidente americano. Mas o caminho é este mesmo, fazer acordos com países importantes.

    5. João; já tivemos um Itamaraty excelente até o governo FHC; a partir daí começou o aparelhamento petista. Infelizmente, apesar daquela excelência, nosso empresariado é retrógrado, isolacionista e não competitivo internacionalmente. São os capitalistas chapas-brancas. Eis porque o país vem perdendo as chances de comércio exterior. Não fossem as commodities agrícolas e minerais (altas tecnologias), estaríamos fritos. As Capitanias Hereditárias continuam por aqui.

    6. Quem atrapalha é o congresso, sabe-se bem. Agora, enquanto tínhamos sangue sugar fazendo a politica externa ninguém reclamava. Hoje qualquer bunda mole é "especialista"...

    7. carissimo, em algum tempo houve isso? nos ultimos tres quartos de seculo nao li,vi nem li nada afirmatico. por que chutar o bolsanaro? E os 20 anos da dupla-mamante fhc/llulla?

  4. Nao acredito, nos nao nos ajudamos, nao damos e nao temos credibilidadde nenhuma, somos o que somos, porque sera, um stf desacreditado, um legislativo e executivo que so se beneficiam. Nos somos o problema.

    1. Os combustiveis no país também são caros em razão do "Custo Brasil", necessário para sustentar milhões de políticos safados.

    2. O Brasil vem de um “Deus dará” antigo. Não se muda isso de uma hora para outra. Mas estamos mudando apesar dos TRAIDORES DA PÁTRIA.

    3. Nosso etanol, poderia ser vendido aqui mais barato, devido as empresas que controlam o etanol sai da usina e tem que ir na distribuidora, quando poderia ir direto para o posto. Isso e controle externo que o proprio governo nao consegue destravar.

  5. Para fazer negócio com os EUA tem que ser profissional. E não vejo profissionalismo do nosso time. Aliás, nunca fomos bons em comércio exterior, sempre preferimos nos fechar ao mundo e não é de hoje.

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