Adriano Machado/Crusoé

Chegada de Queiroga e leilões contribuíram para o clima amistoso entre empresários e Bolsonaro

08.04.21 09:35

Entre as razões para o clima amistoso e condescendente do empresariado no jantar com o presidente Jair Bolsonaro, na noite de quarta-feira, 7, estava a presença do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A recente troca no comando da pasta e as sinalizações mais claras do cardiologista em defesa do uso de máscaras e da vacinação em massa ajudaram a abrir as portas de Bolsonaro entre representantes do PIB brasileiro.

Apreensivos com o ritmo lento da imunização, os empresários, reunidos em São Paulo na casa de Washington Cinel, do setor de segurança privada, ouviram pacientemente o presidente e parte da grande comitiva de ministros. Para alívio de Bolsonaro, o ambiente estava bem mais brando do que a carta divulgada por banqueiros, economistas e empresários 15 dias atrás, quase com um tom de “basta”. O manifesto, por sinal, não virou tema da conversa.

A figura de Marcelo Queiroga serviu como cartão de visitas para acalmar o empresariado e sinalizar mudanças de rumos, mas Bolsonaro insistiu em seus costumeiros discursos de repúdio ao lockdown e de defesa do “tratamento precoce” – a nova versão da narrativa, entretanto, não traz citações explícitas a medicamentos como a cloroquina.

Na saída do jantar, Queiroga atuou como porta-voz e defendeu uma “união nacional para conseguirmos vacina”. Com desenvoltura, recorreu até a metáforas futebolísticas para sustentar a posição do governo e louvar o chefe. “O time está jogando e a bola será passada para que o nosso presidente possa fazer o gol”. Na noite em que o Brasil atingiu a marca de 340 mil mortos pela Covid, o médico só não deixou claro o que seria esse “gol”.

Graças ao Instituto Butantan, do Governo de São Paulo, e à Fundação Oswaldo Cruz, o Brasil é um dos sete países capazes de produzir vacinas, fato que foi explorado por representantes do governo durante as duas horas do jantar com os empresários. Coube ao ministro da Economia, Paulo Guedes, fazer um apanhado das reformas em andamento e justificar aos presentes o tombo de 4,8% do PIB no ano passado – o ministro argumentou que se esperava uma queda ainda mais forte, o que não se concretizou.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tinha motivos para exibir confiança durante o jantar: horas antes, o governo havia arrecadado 3,3 bilhões de reais com o leilão de 22 aeroportos. O bom resultado da Infra Week, como foi batizada a semana de concessões na área de infraestrutura, colaborou para o clima de otimismo do encontro. “Foi uma reunião de aliança, de compromisso com o futuro”, resumiu Tarcísio, após o jantar.

A continuidade desse clima de tolerância do PIB brasileiro, no entanto, vai depender dos avanços na vacinação, considerada indispensável para a retomada da economia. Os empresários resolveram esquecer as sucessivas declarações de Bolsonaro contrárias às vacinas e aceitaram a nova versão do chefe do Planalto. Mas eles deixaram claro: essa indulgência será proporcional aos avanços concretos na vacinação contra a Covid.

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500
  1. Com os preços base dos ativos nos leilões, criaram o auxílio emergencial para empresários. O prifundo silêncio e a fala combinada dos presentes já nos informam, não precisam dizer nada, os preços praticados nos leilões da Infra Week , são imorais, a Infra Week deveria se chamar Super Cheap Asset Week

  2. Não foi esta impressão que o grande empresariado assumiu em várias publicações hoje . Pelo contrário , refutam o ambiente amistoso e comentam que a maior parte dos presentes constituía-se do núcleo duro de empresários ligados ao governo e outros , que não tanto... não se deixaram levar pelo palavreado e discurso pra lá de conhecido do Guedes e JB . A recusa e a ausência foi justificada pela necessidade do afastamento social !🙄

  3. MAS UMA VEZ O CINEMA NACIONAL TEM UM FILME CONCORRENDO AO OSCAR 'CHORAR DE RIŔ 2'. A CÚPULA DA ORCRIM E O EMPRESARIADO QUE VIVE DA DESGRAÇA DO PAÍS ESTÃO A BUSCA DE OPORTUNIDADES E RESULTADOS: MAIS CORRUPÇÃO E INFELIZMENTE O CAOS COMO REGRA. NÃO PODEMOS ESPERAR NADA DE BOM DESSES BANDIDOS ENTÃO É SOMENTE CHORANDO DE TANTO RIR MESMO. A DISSIMULAÇÃO É TAMANHA QUE ELES NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM O PAÍS E SIM COM AS INEVITÁVEIS PERDAS DE CAPITAL POR ISSO JÁ ENQUADRARAM O PALHAÇO BOZO. JOGO DE CENA🚔

  4. Com um passe de primeira, na porta do gol, espero que o Presidente faça esse gol a favor seguindo as instruções do lider do time da saude.

  5. Uns querem subsídios, outros querem contrato com governo. Entre os dois, há um governo falido, mal gerenciado e responsável por mais de 350 mil mortes no país. Qual o resultado deste banquete?

    1. parece que foi camarão nas fezes e dom Péringon na urina.

  6. Claro que o clima foi de tolerância. Estava lá a nata do cleptocapitalismo brasileiro, ou seja, o pessoal que vive de subsídios. Se houvesse caoyalusya de verdade no país, eles já teriam derrubado o Bozo. Por fim, todo mundo sabe aqui o gol do Bozo: matar 500 mil pessoas! Alguém tem alguma dúvida?

    1. Vá sonhando Takagado. Sou imortal. Estarei aqui derrubando as tuas farsas bozistas!

    2. Valeu José com assento é do bem e o Jose sem assento é do mal (esquerdopata) que será eliminado, basta esperar e veremos. Com a glória de Deus ! 🔥🔥🔥🔥🔥

    3. Takagado e José, dois medíocres sem substância alguma, zurrando como de praxe. Afinal de contas, não se pode esperar mais de dois bozistas delinquentes. Infelizmente para vocês, eu não estarei entre os 500 mil. Desta foram, vocês terão que continuar sofrendo com a verdade que trago a este fórum. Zurrem bozistas. Zurrem. Esta é a sina de vocês! Zurrem!

    4. Aqui e José, o outro, Takaiuki você foi cirúrgico. Parabens! Quanto ao Xará vive a ruminar ódio prá cagar raiva.

    5. Não temos dúvida, só torço que vc não esteja no meio dos 500 mil, a Crusoe sentiria muita falta dos seus comentários amorfos.

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