Keiko Fujimori é proclamada presidente do Peru
Conselho Nacional Eleitoral concluiu a revisão de todas as atas; Vitória da candidata de direita teve diferença de 49.641 votos
Keiko Fujimori (foto) foi proclamada oficialmente presidente do Peru nesta sexta-feira, 3.
A Secretária-Geral do Conselho Nacional Eleitoral (JNE), Jessica Clavijo, informou que todas as atas de apuração do segundo turno da eleição presidencial foram revisadas e nenhuma inconsistência foi encontrada.
A candidata de direita recebeu 9.223.396 votos, o equivalente a 50,135% dos votos válidos. Roberto Sánchez obteve 9.173.755 votos, ou 49,865%.
A diferença entre os dois candidatos foi de 49.641 votos.
Keiko Fujimori assumirá o mandato ao lado do vice-presidente eleito, Luis Galarreta. Ambos governarão o país até 2031.
Ela se tornou a nona pessoa a ocupar a Presidência do Peru em apenas dez anos, período marcado por forte instabilidade política no país.
A filha do ex-ditador Alberto Fujimori ultrapassou Sánchez na reta final da contagem de votos do segundo turno.
Novo fujimorismo
As ameaças que Keiko pode representar para a democracia são menos claras, apesar de seu histórico familiar.
Ela é filha de Alberto Fujimori, que deu um autogolpe em 1992.
Como presidente, ele ordenou a esterilização em massa de indígenas e mortes de civis. No Massacre la Cantuta, um esquadrão paramilitar de inteligência sequestrou e assassinou nove estudantes e um professor da Universidade Nacional Enrique Guzmán y Valle.
Mas Fujimori ganhou confiança da população ao ampliar os serviços públicos, promover programas assistencialistas e derrotar militarmente o Sendero Luminoso.
A ditadura só acabou em 2000, quando Fujimori fugiu para o Japão e mandou uma renúncia por fax.
Durante o governo de seu pai, Keiko chegou a desempenhar a função de primeira-dama, depois da separação de seus pais.
Com seu pai fora do poder, ela foi eleita a congressista mais bem votada do país, em 2006.
Fundadora do partido Fuerza 2011, depois renomeado Fuerza Popular, Keiko competiu nas eleições presidenciais de 2011, 2016 e 2021.
O legado autoritário de seu pai fez com que ela amargasse derrotas seguidas, sempre por poucos pontos.
Keiko gastou muita saliva em todas as suas campanhas para explicar que é uma adepta da democracia, ao contrário de seu pai.
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