Brasileiro mente sobre debate nas pesquisas
Com receio de parecer ignorante, o entrevistado afirma aquilo que não faz
Ninguém quer parecer ignorante.
É por isso que, quando um entrevistador pergunta a um brasileiro na rua ou pelo telefone se ele vai assistir aos debates presidenciais, a resposta é quase sempre sim.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda, 17, aponta que 86% dos entrevistados afirmaram que irão acompanhar os debates na televisão.
Dentro desse grupo, 50% dizem que assistirão ao vivo (pela televisão ou internet), 8% afirmam que vão acompanhar após os debates (por cortes, vídeos curtos nas redes sociais) e 28% declararam que vão ver de ambos os modos (ao vivo e por cortes nas redes).
Somente 13% responderam que não pretendem acompanhar os debates.
Se esses números fossem verdadeiros, as audiências dos debates seriam astronômicas.
Nunca foram.
O debate da Band entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o petista Fernando Haddad, teve apenas 1,5 ponto de audiência.
O pico foi de dois pontos.
O embate entre os principais candidatos ao governo de São Paulo ficou abaixo até do programa Para Aqui com João Kleber, da RedeTV!, em alguns momentos.
Em 2022, o primeiro debate presidencial na Band ficou com 13,7 pontos.
Os maiores índices de audiência normalmente são dos debates na Globo, que oscilam entre 20 e 35 pontos na Grande São Paulo.
Essa falta de interesse explica por que muitos candidatos preferem não participar desses encontros.
"Mas há uma exceção importante: a Globo, especialmente no último debate. Fugir dos primeiros encontros pode parecer estratégia na cabeça do eleitor. Fugir do último debate da Globo pode parecer medo, covardia ou desprezo. A diferença não está apenas na audiência. O Brasil transformou o debate da Globo em uma espécie de grande final, a última prova antes da urna. E o brasileiro deixa tudo para a última hora", escreve o estrategista eleitoral Roberto Reis, colunista de Crusoé (Leia O mito do debate).
"[O brasileiro] entrega o Imposto de Renda no último dia. Compra o presente da mãe na véspera. E começa a pensar seriamente no voto quando a eleição já chegou. É justamente aí que aparece o eleitor do meio. Ele não tem time, não acompanha política e não vive a campanha. Só na última semana resolve prestar atenção."
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