Janja só é carismática sem microfone
Fala repetida da primeira-dama após reclamar do som em estádio soou falsa, protocolar e ensaiada
A equipe de campanha do presidente Lula aposta na primeira-dama Janja para conquistar mulheres e evangélicos.
A ela foram dadas pautas como o combate ao feminicídio, a defesa dos animais e a censura das redes sociais.
Os petistas só não calcularam que, quando Janja pega o microfone para falar, o resultado é sempre o inverso do pretendido.
Sua participação no lançamento da candidatura de Lula no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no domingo, 16, foi um fiasco.
Ao falar para o público, Janja deu uma aula de como não ser carismática.
Tim Maia
Enquanto falava para milhares de pessoas no estádio, Janja reclamou do som e começou a ler novamente o mesmo trecho.
"Gente, o som está um pouquinho ruim. Não está? Está bem ruim. Vamos começar de novo? Mesa... House... Please. Senão ninguém vai entender o que a gente está falando aqui. Vamos melhorar um pouquinho, retorno, baixar. Vou brincar de Tim Maia aqui. Retorno! Vamos lá. Vamos começar de novo? Eu também nasci Silva, da Silva, Rosângela da Silva", afirmou.
A fala repetida soou falsa, protocolar, ensaiada.
É o avesso do que se espera de alguém autêntico, que fala com o coração.
Sem contar que o puxão de orelha público foi grosseiro com os funcionários do som.
Dona Marisa
Em outro momento, Janja citou Marisa Letícia, ex-mulher de Lula.
"Eu gostaria de lembrar especialmente de uma Silva, presidente: dona Marisa. Ela, que, junto a outras tantas mulheres que não estavam no chão da fábrica em 79, que não eram líderes sindicais naquele momento, tiveram um papel essencial nos bastidores. Eram o alicerce para que seus maridos, sob a liderança desse homem que virou presidente, pudessem lutar por melhores salários e mais dignidade para suas famílias", afirmou a primeira-dama.
"Essas mulheres, lideradas por dona Marisa, foram uma força importante e são pouco lembradas. Sem a presença delas, presidente, talvez essa história toda tivesse sido diferente. A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz à nossa memória o cuidado e o carinho de dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT e é a ela que eu dedico toda a minha admiração."
Mas dona Marisa Letícia não liderou mulheres. O que ela fez a maior parte do tempo foi cuidar da casa e dos filhos de Lula.
A menção ainda soou falsa. É sabido de todos que Janja não tem simpatias pela lembrança de Marisa Letícia e evita ir a São Bernardo do Campo.
Em uma entrevista neste ano, Janja menosprezou o trabalho de primeiras-damas anteriores. "A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse. Eu trabalho todo dia", afirmou.
A declaração prepotente soou ofensiva para todas as primeiras-damas anteriores.
Ao verem a performance desastrosa no estádio, petistas saíram espalhando que a menção a Marisa Letícia foi um gesto espontâneo de Janja, que surpreendeu o presidente Lula.
Não foi.
Tudo o que Janja faz e diz é friamente calculado, porque não há nada mais importante para o casal Silva que a reeleição do presidente.
Janja até apareceu cantando música ao lado do cantor gospel Kleber Lucas. Não tem espontaneidade nenhuma aí. É a política e a lealdade a Lula que determinam os seus comportamentos.
Tentativas anteriores de colocar Janja em segundo plano tiveram vida curta.
Janja usa de sua influência com Lula para se manter à vista, o que significa que ela não vai largar o microfone tão cedo.
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