Drible em Mendonça vira gol contra de vazamento
Quando um investigador começa a se preocupar que o seu trabalho vai dar em nada, a chance de entregar material valioso para um jornalista cresce
As alas lulistas da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) manobraram para enfraquecer o ministro do STF André Mendonça na condução dos inquéritos sobre Lulinha, o filho do presidente Lula.
Por prevenção, qualquer nova investigação sobre Lulinha envolvendo tráfico de influência deveria cair com Mendonça, que está conduzindo o inquérito sobre os desvios do INSS, em que o filho do presidente foi citado.
Mas integrantes da PF preferiram fatiar as investigações e enviá-las para a PGR e para o STF, na esperança de que outros ministros assumissem a responsabilidade.
Um dos novos inquéritos caiu, por sorteio, com Mendonça.
Outro, o terceiro, caiu com Flávio Dino, que foi indicado por Lula para o STF.
O resultado é uma confusão jurídica, em que a decisão de um juiz sobre Lulinha, como uma ordem de busca e apreensão ou quebra de sigilo, pode ser questionada pelo outro.
Mas há informações poderosas demais para serem contidas, e o vazamento das conversas entre Lulinha, Marcola e Roberta Luchsinger parece ser uma delas.
Quando um investigador começa a se preocupar que o seu trabalho vai dar em nada, a chance de entregar material valioso para um jornalista cresce.
Nosso futuro é Suíça
O jornalista Tácio Lorran, do site Metrópoles, divulgou nesta segunda, 17, mensagens trocadas entre Lulinha e Roberta.
Na conversa, Lulinha afirma que participava de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
A lobista Roberta parece se orgulhar das conversas de alto nível no governo: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic)".
Roberta fez mais de 40 visitas fora da agenda a órgãos do governo Lula, segundo um levantamento do Estadão.
Flávio Dino e seu colega Alexandre de Moraes poderão tentar descobrir como se deu o vazamento das informações.
Dificilmente confiscarão o celular de Tácio Lorran ou quebrarão o sigilo da fonte. Esse tipo de procedimento eles só reservam para jornalistas menos conhecidos, como o maranhense Luís Pablo.
Vão tentar intimidar a todos.
A ala lulista do STF tem poder suficiente para atrasar as investigações sobre Lulinha.
Impedir que informações circulem é outra coisa.
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