Adriano Machado/Crusoé

Documento entregue por intermediária da Covaxin requer que governo aceite faturas de offshore

24.06.21 14:10

Em um documento entregue em março pela Precisa Medicamentos ao Ministério da Saúde, a empresa Bharat Biotech, produtora da Covaxin, requer que sejam aceitas as faturas emitidas pela offshore Madison Biotech, sediada em Cingapura. Em março, a empresa solicitou ao governo, por duas vezes, pagamento antecipado de 45 milhões de dólares por um lote de três milhões de doses do imunizante, cuja compra é investigada CPI da Covid e pelo Ministério Público Federal.

Obtido por Crusoé, o documento foi exibido pelo ministro Onyx Lorenzoni (foto), da Secretaria-Geral da Presidência como “prova” de que a offshore é uma subsidiária da Bharat Biotech. Só que o ofício apenas atesta que a Madison possui um “acordo de suprimento” que autoriza a empresa em Cingapura a “fornecer e distribuir produtos fabricados pela Bharat Biotech Internacional para vários parceiros e entidades em diferentes regiões e territórios”.

“A título da declaração acima, todos os parceiros de canal e entidades são requeridos a aceitar a fatura levantada pela Madison Biotech PTE LTD, para cada produto fornecido ou distribuído”, requer a Bharat Biotech.

Reprodução
A empresa de Cingapura, no entanto, não aparece no contrato firmado pelo Ministério da Saúde com a Precisa Medicamentos nem na nota de empenho de 1,6 bilhão de reais emitida pelo governo para bancar a compra da 20 milhões de doses da Covaxin. Senadores da CPI da Covid veem indícios de improbidade administrativa. Parlamentares da comissão querem aprofundar as investigações para apurar também a suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro na negociação.

O pagamento antecipado de 45 milhões de dólares foi rejeitado por Luis Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde e irmão do deputado federal Luis Miranda. Em depoimento ao Ministério Público Federal, Luis Ricardo relatou ter sido pressionado a assinar a fatura. Em 20 de março, um dia depois da emissão das notas que solicitavam o crédito antecipado, o servidor e o deputado afirmam que se encontraram com Jair Bolsonaro para relatar as irregularidades – informação revelada com exclusividade por O Antagonista. Na sexta-feira, 25, eles serão ouvidos pela CPI da Covid.

Indicada pela Precisa Medicamentos como a destinatária do pagamento, a Madison Biotech tem capital social de mil dólares de Cingapura. O valor, equivalente a pouco mais de 3.600 reais na cotação atual, consta em documentos de incorporação da empresa obtidos por Crusoé.  A totalidade das ações da empresa pertence à Biovet, uma empresa indiana que produz vacinas para gado e é ligada à Bharat Biotech, a fabricante da Covaxin.

Executivos da Madison Biotech, por sua vez, são ligados à Bharat. Um dos fundadores da offshore em Cingapura, Krishna Ella, é o presidente e fundador da fabricante da Covaxin. A principal suspeita de senadores da CPI da Covid é que a companhia, na verdade, é uma empresa de fachada. Raches Ella, indicado como diretor da Madison desde outubro do ano passado, é sócio da Biovet e de uma subsidiária da Bharat Biotech que produz vacinas contra a raiva. Em seu currículo, o empresário indica ser o responsável pelo projeto de desenvolvimento da Covaxin na Bharat Biotech.

Nos documentos de incorporação da Madison, também figura como diretor da empresa desde 9 de novembro de 2020 o empresário Krishnamurthy Sekar, de Cingapura. Ele é apontado no quadro societário de outras 95 empresas, de acordo com registros do governo local. Das 96 empresas de Sekar relacionadas nos documentos obtidos por Crusoé, 68 se localizam no mesmo endereço da Madison Biotech, um imóvel de dois andares em Cingapura, segundo registro do Google Street View. Senadores da CPI se surpreenderam com a foto da “casinha”.

Outro empresário de Singapura que figura no quadro de membros da Madison é Sasi Kala Renganathan, apontado como secretário da empresa. Ele aparece como integrante de outras 37 companhias no país, incluindo 15 no mesmo endereço da Madison Biotech.

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500
  1. Só rindo!! É muito embrólhio para tentar, sem sucesso, justificar os 1.6 bilhões da vacina indiana covaxin q foi aceita pela ANVISA com muitas restrições! Bora lá CPI destrinchar todo esse embrólhio.

  2. O broncossauro é um ignóbil só comparável aos gurus da petralhada!!!...É impressionante o teor de ignorância acachapante que ele detém!!!!... Não distingue a palavra 'luxo' de "luxúria", não sabe que as árvores contêm resinas inflamáveis além da madeira, que o solo da Amazônia tem turfa altamente inflamável, etc...etc... não sabe nada e não aprende nada com ninguém sobre coisa alguma!!!!

    1. CORRUPTO SIM!!!! Com 4 crias crápulas corruptas rachids dos quais esconde os crimes, aparelha o Estado pra encobrir os crimes da familícia, abriga corruptos em múltiplos cargos, prostitui as instituições para uso particular, lesa o erário com despesas idiotas sem aprovação da Ciência, dissemina a praga da covid19...etc...etc... etc... mata mais de 510 mil pessoas e isso não é corrupção, seus cínicos??????

    2. As doses do dia: "deixei a ""luxúria"" do Planalto (héééiiinnn???!!!) pra vir aqui falar com o povo"!!!!...."A floresta não pega fogo ""porque é úmida"""!....(Essa é "dílmica" e só comparável à ""tiuría"" do luladrão sobre as ""peripécias"" do planeta Terra!!!!)!!!!..... AH!!!! VÃO SER TODOS ESSES TRASTES IGUALMENTE BURROS ASSIM EM OUTRA GALÁXIA!!!!!

  3. Bolsonaro sempre bateu no peito, q acabou com à Lava Jato, porque no seu governo não tinha corrupção. O potencial de corrupção do Bolsonaro, é talvez maior q o do Lula. Se não fosse este servidor, o Brasil seria lesado. Mas quantos servidores fariam o q esse servidor fez, sabendo q temos um governo genocida, com práticas milicianas? A atitude do Onyx foi p/ intimidar o servidor nesse caso, mas também p/ mostrar o q será feito, com quem denunciar corrupção nesse governo, q é genocida e corrupto.

  4. Amadores.Há que se fazer como os especialistas em propina.Gerar dinheiro sujo é uma arte.ironias a parte, todos os que cometeram desvios e negociatas tem que ser afastados de seus cargos não importa quem sejam. Inocentes não há, com ou sem CPI. Prisão e açoite da mãe em praça pública.

    1. Simples, eles não precisarão inventar nada. Dirão apenas: nenhum centavo foi pago.

  5. ONIX AGORA.. O MAIS NOVO ALOPRADO DA REPÚBLICA.. O CARA EM PLENA PRÁTICA DO DELITO DE DENUNCIAČÃO CALUNIOSA AO ATRIBUIR UMA FALSA CONDUTA A OUTREM..QUANDO VETERINÁRIO FALA DE DIREITO DÁ NO QUE DEU... O INVOICE, QUE TINHA EM MÀOS, ERA MUITO MAIS VERDADEIRO QUE ELE MESMO..

  6. Típica ação para lavagem de dinheiro. Depois de pagos os 45 milhões de dólares seriam enviados, via dólar cabo, para outras offshores de fachada que fariam a distribuição da grana a políticos e funcionários corrupção no Brasil.

    1. Então, pela data que ocorreu a pressão sobre o funcionário irmão do Miranda, fica claro que o governo não estava preocupado com a questão de corrupção relacionada a compra desses imunizantes. Com certeza o MINTO achou que a oposição não conseguiria emplacar a CPI no senado e agora está desesperado tentando varrer a sujeira para baixo do tapete.

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