Crusoé
21.05.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Colunistas

Dor de escola

Entre as minhas lembranças de infância e juventude, guardo as de raros bons professores. A maioria parecia ser simplesmente desinteressada. Havia também alguns perversos. Professor batia em aluno quando eu era criança. Na segunda série, quase apanhei da minha professora porque ousei sugerir o título de um tema de redação. A da quarta série dava...

Crusoe
Redação Crusoé
7 minutos de leitura 23.10.2020 04:39 comentários 10
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR
Atenção!

Este conteúdo é exclusivo para assinantes

Faça parte da comunidade de O Antagonista e Crusoé:
ACESSO ILIMITADO AOS CONTEÚDOS do site O Antagonista e das matérias semanais da Revista Crusoé
Acesso à área de COMENTÁRIOS nos sites
Navegação livre de anúncios publicitários invasivos
Descontos de até 70%
Notícias mais importantes do Brasil e do mundo
Reportagens exclusivas, bastidores do poder e análise crítica de quem fiscaliza o poder
FAZER LOGIN
QUERO ASSINAR
VOLTAR

Entre as minhas lembranças de infância e juventude, guardo as de raros bons professores. A maioria parecia ser simplesmente desinteressada. Havia também alguns perversos. Professor batia em aluno quando eu era criança. Na segunda série, quase apanhei da minha professora porque ousei sugerir o título de um tema de redação. A da quarta série dava com a régua de madeira na cabeça de quem conversava com colegas durante a aula. Ela ainda puxava a orelha de alunos desobedientes e gritava muito. Quase todos gritavam, na verdade. Na sexta série, fui humilhado pela professora de Português porque havia respondido com impaciência a uma pergunta de um colega durante a apresentação de um trabalho. A humilhação foi tanta que uma colega pegou a minha mão enquanto eu chorava. A professora poderia ter chamado a atenção do menino de 11 anos no momento da sua impaciência, mas preferiu esperar até os longos minutos finais da aula para rebaixá-lo. Na sétima série, a aula da professora de Inglês se resumia a tocar uma fita cassete num pequeno gravador que ficava na mesa dela — e exigir que 45 alunos ouvissem os diálogos que mal chegavam aos ouvidos da terceira fila. No final do primeiro bimestre, ela perguntou quem era o melhor aluno de matemática da classe. Apontaram para mim. “Parabéns, você ganhou um prêmio: vá para a lousa”, mandou. A partir de então, era sempre eu a calcular no giz as médias bimestrais de cada aluno, porque ela não se dava ao trabalho de fazer isso. Em vez de dar aula, a dona do gravador ditava cada nota e eu fazia as contas na frente de todo mundo. Era praticamente a única vez que se ouvia a voz dela em classe, além de quando fazia a chamada. A professora de Francês não usava gravador, mas me expulsou da aula porque, no meio do seu relato deslumbrado de uma viagem a Paris, coisa especial naquele 1973, perguntei se ela falava a língua com sotaque (eu acabara de aprender o significado de sotaque).

Diários

"A gente não vai fazer aliança com o mal", diz Michelle ao apoiar Girão

Redação Crusoé Visualizar

Pessoas jurídicas de Deolane são "típicas de veículos de lavagem"

Redação Crusoé Visualizar

Na Casa Branca, o que Lula mais temia

Duda Teixeira Visualizar

Más notícias para o candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado em SP

Redação Crusoé Visualizar

Rejeição a Haddad sobe após início de pré-campanha, aponta Paraná Pesquisas

Redação Crusoé Visualizar

Reduzir maioridade penal diminui criminalidade?

Duda Teixeira Visualizar

Mais Lidas

A alternativa Barbosa e a falência da política brasileira

A alternativa Barbosa e a falência da política brasileira

Visualizar notícia
Contaminado

Contaminado

Visualizar notícia
"Disparei na Atlas", comemora Renan Santos

"Disparei na Atlas", comemora Renan Santos

Visualizar notícia
Europa se prepara para presença menor dos EUA na Otan

Europa se prepara para presença menor dos EUA na Otan

Visualizar notícia
Família acima de tudo e Brasil no buraco

Família acima de tudo e Brasil no buraco

Visualizar notícia
Fique longe, Trump

Fique longe, Trump

Visualizar notícia
Governo volta a apagar pedido de voto de Lula

Governo volta a apagar pedido de voto de Lula

Visualizar notícia
Marco Rubio fala direto aos cubanos

Marco Rubio fala direto aos cubanos

Visualizar notícia
Más notícias para o candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado em SP

Más notícias para o candidato de Eduardo Bolsonaro ao Senado em SP

Visualizar notícia
Na Casa Branca, o que Lula mais temia

Na Casa Branca, o que Lula mais temia

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Artigo

atentado

carta de Albert Camus

Charlie Hebdo

Coluna

Crusoé

escola

França

liberdade de expressão

Louis Germain

Mario Sabino

Nobel de Literatura

One

professor decapitado

professores

Samuel Paty

Sorbonne

terrorismo islâmico

U2

< Notícia Anterior

De costas para o Brasil

23.10.2020 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Sonhando alto

23.10.2020 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar

Redação Crusoé

Suas redes

Twitter Instagram Facebook

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (10)

Vera

2021-01-01 20:44:32

Mario, amei esse texto que me fez rir muito e me emocionar muito também.


JORGE

2020-11-02 07:13:25

Eu tive alguns professores memoráveis como Zé do Vale (Crato-CE -1979), por exemplo, professor de Português. Mesmo passados 41 anos, nunca o esqueci. Já faleceu há anos. Faço aqui e assim a homenagem. Também tive professores deploráveis, mas nem vou citá-los.


arnildo

2020-10-29 19:55:28

Pois eu tive dois professores que mereceriam esse reconhecimento: de Português e de Educação Moral e Cívica.


VARLICE

2020-10-28 17:27:24

Sabino você me fez chorar com esse texto tocante por algumas razões: lembrança dos professores que tive, na maioria engajados com sua profissão (tive mais sorte do que você), solidariedade ao professor francês imolado pela ignorância e tocada pela carta de agradecimento de um aluno que não esqueceu seu benfeitor. Essa é a minha cartinha a você, agradecida que sou pelos belos textos que você com sensibilidade nos presenteia toda semana.


Juan

2020-10-28 10:26:08

Lendo as memórias de escola do Sabino me deu uma saudade enorme da escola pública que frequentei no Uruguay onde nasci. Bater em aluno esse os finas do século XIX era o pior dos pecados de um professor(a) passível de expulsão imediata assim como fazer proselitismo político ou religioso. Nunca apanhei e lembro de muitos professores bons. Alguns sumidades nas suas áreas mas que davam aula no ensino público. Ildefonso Pereda Valdez escitor cultura africana, Carlos Verazza historiador Baffico atriz


Carla

2020-10-28 09:53:06

Mário Sabino Um dos motivos - talvez o maior - de eu assinar esta revista é tê-lo como escritor dela. Vc não fica nada aquém dos grandes escritores, e sua modéstia o torna ainda maior. Obrigada, mais uma vez, por esse lindo escrito, e por nos fazer conhecer um pouco mais de Camus.


Ana

2020-10-27 13:08:12

Sabino , continuo assinando a revista , principalmente , para ler a sua coluna. Emocionante , a homenagem ao professor francês , não lembro de ter lido nada parecido em outro órgão da imprensa . Parabéns !!!


Marcio

2020-10-26 20:38:17

Ótima homenagem aos professores. Àqueles que merecem e aos que ainda insistem na abnegação do exercício de ensinar e compartilhar.


Francisco

2020-10-26 20:20:22

Mario, sempre o grande Mario. Estraçalhando com belos textos. Aqui vai minha homenagem a minha professora de inglês Dna. Cecilia. Com dificuldades para aprender, um dia ela veio a minha carteira escolar, sentou-se ao lado, pegou em minha mão com o lápis e me ensinou a escrever uma palavra que não conseguia. Isso ficou na memória. Depois de uns 35 anos, num encontro, contei esta história e ela ficou emocionada. Uma vez, no dia dos professores, enviei um ramalhete de flores. Ela não reconheceu.


Maria

2020-10-26 17:10:29

Muito lindo.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (10)

Vera

2021-01-01 20:44:32

Mario, amei esse texto que me fez rir muito e me emocionar muito também.


JORGE

2020-11-02 07:13:25

Eu tive alguns professores memoráveis como Zé do Vale (Crato-CE -1979), por exemplo, professor de Português. Mesmo passados 41 anos, nunca o esqueci. Já faleceu há anos. Faço aqui e assim a homenagem. Também tive professores deploráveis, mas nem vou citá-los.


arnildo

2020-10-29 19:55:28

Pois eu tive dois professores que mereceriam esse reconhecimento: de Português e de Educação Moral e Cívica.


VARLICE

2020-10-28 17:27:24

Sabino você me fez chorar com esse texto tocante por algumas razões: lembrança dos professores que tive, na maioria engajados com sua profissão (tive mais sorte do que você), solidariedade ao professor francês imolado pela ignorância e tocada pela carta de agradecimento de um aluno que não esqueceu seu benfeitor. Essa é a minha cartinha a você, agradecida que sou pelos belos textos que você com sensibilidade nos presenteia toda semana.


Juan

2020-10-28 10:26:08

Lendo as memórias de escola do Sabino me deu uma saudade enorme da escola pública que frequentei no Uruguay onde nasci. Bater em aluno esse os finas do século XIX era o pior dos pecados de um professor(a) passível de expulsão imediata assim como fazer proselitismo político ou religioso. Nunca apanhei e lembro de muitos professores bons. Alguns sumidades nas suas áreas mas que davam aula no ensino público. Ildefonso Pereda Valdez escitor cultura africana, Carlos Verazza historiador Baffico atriz


Carla

2020-10-28 09:53:06

Mário Sabino Um dos motivos - talvez o maior - de eu assinar esta revista é tê-lo como escritor dela. Vc não fica nada aquém dos grandes escritores, e sua modéstia o torna ainda maior. Obrigada, mais uma vez, por esse lindo escrito, e por nos fazer conhecer um pouco mais de Camus.


Ana

2020-10-27 13:08:12

Sabino , continuo assinando a revista , principalmente , para ler a sua coluna. Emocionante , a homenagem ao professor francês , não lembro de ter lido nada parecido em outro órgão da imprensa . Parabéns !!!


Marcio

2020-10-26 20:38:17

Ótima homenagem aos professores. Àqueles que merecem e aos que ainda insistem na abnegação do exercício de ensinar e compartilhar.


Francisco

2020-10-26 20:20:22

Mario, sempre o grande Mario. Estraçalhando com belos textos. Aqui vai minha homenagem a minha professora de inglês Dna. Cecilia. Com dificuldades para aprender, um dia ela veio a minha carteira escolar, sentou-se ao lado, pegou em minha mão com o lápis e me ensinou a escrever uma palavra que não conseguia. Isso ficou na memória. Depois de uns 35 anos, num encontro, contei esta história e ela ficou emocionada. Uma vez, no dia dos professores, enviei um ramalhete de flores. Ela não reconheceu.


Maria

2020-10-26 17:10:29

Muito lindo.



Notícias relacionadas

Os caminhos que levam a Gilmar

Os caminhos que levam a Gilmar

Redação Crusoé
23.10.2020 04:39 13 minutos de leitura
Visualizar notícia
Falsa quarentena

Falsa quarentena

Redação Crusoé
23.10.2020 04:39 10 minutos de leitura
Visualizar notícia
O advogado fantasma

O advogado fantasma

Redação Crusoé
23.10.2020 04:39 7 minutos de leitura
Visualizar notícia
Kakay delatado

Kakay delatado

Redação Crusoé
23.10.2020 04:39 1 minuto de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Quase 20 anos depois, justiça condena culpados do acidente aéreo que vitimou 228 pessoas

Quase 20 anos depois, justiça condena culpados do acidente aéreo que vitimou 228 pessoas

Visualizar notícia
Saiba as novas regras estipuladas pelo Governo Federal para as big techs atuarem no Brasil

Saiba as novas regras estipuladas pelo Governo Federal para as big techs atuarem no Brasil

Visualizar notícia
Evolução das bets alerta governo e se torna desafio para a saúde pública

Evolução das bets alerta governo e se torna desafio para a saúde pública

Visualizar notícia
Motoristas negativados terão acesso à linha de crédito para compra de veículo? Saiba os critérios

Motoristas negativados terão acesso à linha de crédito para compra de veículo? Saiba os critérios

Visualizar notícia
Ypê emite novo alerta a usuários que possuem produtos de lotes suspensos

Ypê emite novo alerta a usuários que possuem produtos de lotes suspensos

Visualizar notícia
Para além dos motoristas: quem vai se beneficiar e quem não vai com o Move Brasil

Para além dos motoristas: quem vai se beneficiar e quem não vai com o Move Brasil

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso