MarioSabino

Dor de escola

23.10.20

Entre as minhas lembranças de infância e juventude, guardo as de raros bons professores. A maioria parecia ser simplesmente desinteressada. Havia também alguns perversos. Professor batia em aluno quando eu era criança. Na segunda série, quase apanhei da minha professora porque ousei sugerir o título de um tema de redação. A da quarta série dava com a régua de madeira na cabeça de quem conversava com colegas durante a aula. Ela ainda puxava a orelha de alunos desobedientes e gritava muito. Quase todos gritavam, na verdade. Na sexta série, fui humilhado pela professora de Português porque havia respondido com impaciência a uma pergunta de um colega durante a apresentação de um trabalho. A humilhação foi tanta que uma colega pegou a minha mão enquanto eu chorava. A professora poderia ter chamado a atenção do menino de 11 anos no momento da sua impaciência, mas preferiu esperar até os longos minutos finais da aula para rebaixá-lo. Na sétima série, a aula da professora de Inglês se resumia a tocar uma fita cassete num pequeno gravador que ficava na mesa dela — e exigir que 45 alunos ouvissem os diálogos que mal chegavam aos ouvidos da terceira fila. No final do primeiro bimestre, ela perguntou quem era o melhor aluno de matemática da classe. Apontaram para mim. “Parabéns, você ganhou um prêmio: vá para a lousa”, mandou. A partir de então, era sempre eu a calcular no giz as médias bimestrais de cada aluno, porque ela não se dava ao trabalho de fazer isso. Em vez de dar aula, a dona do gravador ditava cada nota e eu fazia as contas na frente de todo mundo. Era praticamente a única vez que se ouvia a voz dela em classe, além de quando fazia a chamada. A professora de Francês não usava gravador, mas me expulsou da aula porque, no meio do seu relato deslumbrado de uma viagem a Paris, coisa especial naquele 1973, perguntei se ela falava a língua com sotaque (eu acabara de aprender o significado de sotaque).

Na minha lousa mental, calculo que, apesar de tudo, a média da qualidade do ensino era relativamente boa, mas os serviços de hospitalidade nunca foram grande coisa. Hoje, o ensino é geralmente muito ruim, mas se tenta melhorar  a hospitalidade com o politicamente fofinho. Entendo: agora uma das prioridades é evitar que aluno bata em professor.

As minhas reminiscências têm nexo causal com a homenagem nacional ao professor francês Samuel Paty, decapitado por um terrorista islâmico na frente da escola na qual ensinava. Para falar de liberdade de expressão numa aula — as suas disciplinas eram História e Geografia —, ele usou uma caricatura de Maomé do jornal satírico Charlie Hebdo, cuja redação foi exterminada em 2015, igualmente por agentes do Islã. O pai fundamentalista de uma aluna muçulmana que ofendeu o professor e foi suspensa pela direção da escola (ofendeu ao simples anúncio de que a caricatura seria mostrada na aula seguinte e quem quisesse poderia faltar) começou a fazer campanha violenta contra Samuel Paty nas redes sociais. O horror desenhado adquiriu feição concreta: um extremista islâmico de origem tchetchena nascido na Rússia, e acolhido pela França como refugiado, atacou Samuel Paty e o decapitou com uma faca de açougueiro. Um dos detalhes sórdidos recém-noticiados é que, para chegar a Paty, o terrorista pagou 300 euros a dois alunos da escola, menores de idade, para que identificassem o professor.

A homenagem a Samuel Paty, de corpo presente, foi no pátio da Universidade Sorbonne, no que foi um manifesto em defesa da laicidade contra a intolerância religiosa, do conhecimento contra a ignorância, da liberdade de expressão contra a censura. O caixão chegou ao pátio carregado solenemente por soldados vestidos em uniforme de gala, ao som da canção One, do U2. Até um coração endurecido como o meu sangrou (ninguém bate os franceses em matéria de cerimônias fúnebres). Mas a parte mais bonita da homenagem foi a leitura de uma carta enviada por Albert Camus ao seu professor dos primeiros anos escolares, Louis Germain, poucos dias depois de o escritor receber a notícia de que havia ganhado o Prêmio Nobel de Literatura, em 1957. Graças ao professor, Camus conseguiu uma bolsa de estudos para fazer o ensino médio num bom liceu. “Eu tinha vergonha da minha pobreza e da minha família. Antes, todo mundo era como eu e a pobreza parecia ser o ar deste mundo. No liceu, conheci a comparação”, registrou o escritor certa vez. De qualquer forma, ele ganhou uma escola de primeira, graças a Louis Germain.

Eis a transcrição da carta:

19 de novembro de 1957

Caro Senhor Germain, 

Eu deixei que diminuísse um pouco o barulho que me cercou durante todos esses dias antes de vir lhe falar de coração aberto. Acabaram de me conceder uma honra grande demais, que nem procurei nem pedi. Mas, quando tive a notícia, o meu primeiro pensamento, depois da minha mãe, foi para o senhor. Sem o senhor, sem essa mão afetuosa que o senhor estendeu ao pequeno menino pobre que eu era, sem os seus ensinamentos e o seu exemplo, nada disso aconteceria. Eu não dou muita importância a esse tipo de honra, mas esta é pelo menos uma oportunidade de lhe dizer o que senhor foi e sempre será para mim, e para lhe assegurar que os seus esforços, o seu trabalho e o coração generoso que o senhor nele colocou permanecem vivos em um dos seus pequenos estudantes que, apesar da idade, nunca deixou de ser um aluno que lhe é grato.”

Eu o abraço fortemente.

Albert Camus

Na sua resposta caudalosa, o professor Louis Germain diz que um professor que exerce com consciência a sua profissão “não negligencia nenhuma ocasião para conhecer os seus alunos, as suas crianças (…) Uma resposta, um gesto, uma atitude, são amplamente reveladores”. E, como um menino já contém a semente do adulto que ele se tornará, o escritor jamais se deixara levar pela fama: “Você permaneceu Camus: bravo”. O menino que “sempre mostrou um pudor instintivo para descobrir a natureza e os sentimentos” foi pai do homem. Num trecho que me tocou profundamente, o professor escreve que, apesar da pobreza de Camus na infância, “como o seu irmão, você estava sempre bem vestido. Acredito que eu não poderia fazer mais belo elogio à sua mãe”. Germain relembra, por fim, como evitara a doutrinação religiosa na Argel dos pieds-noirs, como Camus, onde o catolicismo era identidade político-cultural em oposição ao islamismo da população nativa. Ele ensinava aos seus alunos que todos tinham a escolha de crer ou não crer, em respeito ao que “há de mais sagrado numa criança: o direito de procurar a sua própria verdade”.

A minha inveja literária de Camus foi acrescida de inveja pessoal. Além de ser um escritor insignificante, eu jamais tive um professor a quem pudesse escrever uma carta de agradecimento como a dele. Talvez você tenha. Se assim for, escreva algumas linhas a quem lhe foi tão importante, mesmo que já tenha morrido. Será também uma bela homenagem ao professor decapitado. Quanto a mim, continuarei a me apropriar das boas lembranças alheias para prestar tributo a quem mereça.

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  1. Eu tive alguns professores memoráveis como Zé do Vale (Crato-CE -1979), por exemplo, professor de Português. Mesmo passados 41 anos, nunca o esqueci. Já faleceu há anos. Faço aqui e assim a homenagem. Também tive professores deploráveis, mas nem vou citá-los.

  2. Sabino você me fez chorar com esse texto tocante por algumas razões: lembrança dos professores que tive, na maioria engajados com sua profissão (tive mais sorte do que você), solidariedade ao professor francês imolado pela ignorância e tocada pela carta de agradecimento de um aluno que não esqueceu seu benfeitor. Essa é a minha cartinha a você, agradecida que sou pelos belos textos que você com sensibilidade nos presenteia toda semana.

  3. Lendo as memórias de escola do Sabino me deu uma saudade enorme da escola pública que frequentei no Uruguay onde nasci. Bater em aluno esse os finas do século XIX era o pior dos pecados de um professor(a) passível de expulsão imediata assim como fazer proselitismo político ou religioso. Nunca apanhei e lembro de muitos professores bons. Alguns sumidades nas suas áreas mas que davam aula no ensino público. Ildefonso Pereda Valdez escitor cultura africana, Carlos Verazza historiador Baffico atriz

  4. Mário Sabino Um dos motivos - talvez o maior - de eu assinar esta revista é tê-lo como escritor dela. Vc não fica nada aquém dos grandes escritores, e sua modéstia o torna ainda maior. Obrigada, mais uma vez, por esse lindo escrito, e por nos fazer conhecer um pouco mais de Camus.

  5. Sabino , continuo assinando a revista , principalmente , para ler a sua coluna. Emocionante , a homenagem ao professor francês , não lembro de ter lido nada parecido em outro órgão da imprensa . Parabéns !!!

  6. Ótima homenagem aos professores. Àqueles que merecem e aos que ainda insistem na abnegação do exercício de ensinar e compartilhar.

  7. Mario, sempre o grande Mario. Estraçalhando com belos textos. Aqui vai minha homenagem a minha professora de inglês Dna. Cecilia. Com dificuldades para aprender, um dia ela veio a minha carteira escolar, sentou-se ao lado, pegou em minha mão com o lápis e me ensinou a escrever uma palavra que não conseguia. Isso ficou na memória. Depois de uns 35 anos, num encontro, contei esta história e ela ficou emocionada. Uma vez, no dia dos professores, enviei um ramalhete de flores. Ela não reconheceu.

  8. É deprimente que em pleno século XXI continuemos tão primitivos! O seu artigo me fez recordar alguns professores, as aulas de língua estrangeiras, o gravador de rolo, era metodologia obrigatório, ouvíamos e repetíamos as palavras e frases da estória, como papagaios, me pergunto se entendíamos alguma coisa. Outros tempos aqueles, os Colégios Estaduais eram eficientes, assim, quero agradecer a meu professor de matemática, Nelson Lima, por sua paciência em nos ensinar Matemática, obrigado meu tio!

  9. Nao sou de compartilhar links, mas este texto eu tive de ...seja pela comovente homenagem aos mestres, seja pela sutil homenagem as maes, ou pelo alerta do fanatismo religioso e as condiçoes de trabalhos dos professores no Brasil...sem falar do tom de memorias...parabens Sabino ! e ja que voce lembrou, e eu concordei...obrigado a minhas professoras Aparecida e Sensei Tamaki !

  10. Minha memória referenda quatro mestres em três tempos: D. Lourdes no fundamental que me tirou o terror da matemática , D. Rosa de inglês e professor Newton de português no ensino médio, que ao contrário da do Mário, nos ensinava tudo e mais um pouco nas duas linguas. Dr. Delmo, na cadeira de Prótese Móvel, que me desafiou dizendo ser eu uma "aluna medíocre", para em seguida se desculpar afirmando que eu nunca passava da nota média, que na Universidade de Itaúna era 75%...Aí tirei 100!!!

  11. À minha professora, Dona Edy, cuja história de altivez, honra e coragem reforçaram para mim a importância de tais características. Nossas vidas se tocarem foi uma benção que agradeço todos os dias.

  12. Quanto a mim, continuarei a relembrar/apropriar-me das más/boas lembranças minhas/alheias para esconjurar/homenagear a quem mereça. Foi o que entendi no texto. Pobre Mariozinho! Ocê estudô no inferno fio.

  13. Como de padrão, seus textos potencializam o contato com as ilustres idéias e pensamentos, Sabino. Com efeito, de maneira idêntica, sou órfão do prometido ensino competitivo de qualidade, não apenas em decorrência do desinteresse do quadro de educadores replicadores de conteúdo, mas, adicionalmente, da inexistência de cultura de busca diária pelo aprimoramento educacional dos jovens estudantes. Nesse cenário, aperfeiçoei a aptidão para me apropriar da inteligência alheia veiculada em textos.

  14. Mario, sinto muito por você. Nos meus 12 anos de escola ( havia admissão ) até o científico, lá elas décadas de 40 e 50, nunca vi ou passei por experiências como a tua. Creio que à partir daquela época os professores começaram desaprender como ensinar.

  15. Très très formidable Sabino! Je suis professeure et je voudrais bien en avoir un maître comme vous et Cammus. J' ai des élèves qui m'ont faisait des sincères hommages.

  16. Belo texto, justa homenagem, o ato de ensinar eh sagrado e libertador !!! Estamos numa era de transiçao, depois da pandemia, assim como noutras areas, a educaçao nao sera mais a mesma. Mas uma coisa eh certa, continuaremos precisando de professores dedicados e libertadores

  17. Mário amei ler seu texto. Lembrei que minha ignorância e dificuldade com o português, veio dos não tão bons professores que tive. Infelizmente.

  18. O artigo é emocionante, e de muita sensibilidade. Recentemente vi uma reportagem mostrando uma professora no fundão desse país, visitando, de bicicleta, alunos pobres para dar-lhes reforço ( isso agora na pandemia). É raro, mas tem. A boa educação TRANSFORMA.

  19. Tenho 73 anos, estudei em EP desde a alfabetização e o término do primário com professoras oriundas do Instituto de Educação e todas foram excelentes e atenciosas, nunca vi violência e humilhação de alunos. Em quê lugar você estudou?

    1. Sou contemporâneo do MS e lembro das professoras do antigo primário, em escola pública, que ensinavam que nossa bandeira era das mais belas pq não tinha cor vermelha e que haviam países, chamados comunistas, que pegavam crianças nas ruas. Claro, era época da ditadura Médici e eu chegava em casa pensando que, qdo crescesse, iria juntar uma turma para pegar esses comunistas fdp. Qdo saí da escola pública, evoluí.

    2. Paulo, no nosso tempo ainda era diferente. Como você também não cenas que o Mario viveu. Creio que os profs. da época após a nossa já começaram a desaprender como ensinar.

  20. Fui professora por 40 anos. Tive todo tipo de aluno - ricos, pobres, pretos, brancos, católicos, evangélicos, umbandistas - pois trabalhei tanto na rede pública quanto na rede particular. Lendo sobre o professor francês, me surpreendeu o fato de ele usar uma caricatura de um muçulmano para falar sobre preconceito e desigualdade sabendo que havia uma aluna muçulmana na sala de aula. Faltou percepção, tato, até mesmo inteligência, para avaliar o grupo eclético para o qual se dirigia.

    1. Na verdade, ele avisou com dias de antecedência que iria mostrar a caricatura e disse que os alunos muçulmanos poderiam não ir a sua aula. A aluna ficou histérica ao ser simplesmente avisada e começou a agredir o professor. Ela não estava na aula fatídica, e o pai mesmo assim fez campanha contra Paty, como se ele a houvesse discriminado. De qualquer forma, a liberdade de expressão ou é absoluta ou não é liberdade.

  21. Sangrar o coração nos purga de todos os vícios de todos covids e nos aproxima de quem tem essa audácia: sangrar o coração. Isso evita que se corte cabeças. Essa semana meu coração sangrou duas vezes: perdi minha querida mãe e te lendo lembrei da professora Lilian. Guri de interior foi minha professora particular no primário. No terceiro ano vim para a cidade grande. Não me senti menos entre todos. Ela me amava muito. Eu sentia. Eu era um tosco inibido. É tarde para escrever mas a alma sangrou.

  22. Tenho péssimas lembranças do primário, professoras desatenciosas, preguiçosas, algumas até bem irresponsáveis, não tenho nenhum professor de estimação, muito pelo contrário.

  23. Muito lindo seu artigo, parabéns! Também tive professores do tipo puxão de orelha. Entretanto, estes mesmos tinham um lado bom inesquecível. Uma professora inspiradora do ensino médio me levou a optar pela minha profissão. Na minha formação universitária e de especialização tive um professor, falecido recentemente, totalmente demais! Enfim, professores são os alicerces! Merecem nosso respeito e admiração.

  24. Lindo texto Mário, meu MELHOR INVESTIMENTO foi ter ASSINADO a CRUSOÉ, sou MUITO AGRADECIDA a vocês, todos os dias. Parabéns.

  25. Sábado, quando vou ao bar, minha companheira no seu delicioso humor pergunta: já vai pra escola? É uma gargalhada geral. Aqui no boteco, tinhamos duas assinaturas da Crusoé, hoje são nove. As aulas de sábado melhoram muito, estão excelentes.

  26. Gratidão! Reflexo do caráter do indivíduo. Nossos professores são roubados, ultrajados e desrespeitados todos os dias, espero que o fundamentalismo religioso não se crie por aqui.

  27. Gosto demais de seus artigos, mas hoje não concordei com suas louvas à atitude do decapitado... Não creio ser correto considerar “liberdade de expressão “ denegrir crenças religiosas, sejam elas quais forem... O professor pisou num terreno pantanoso sem necessidade... Poderia ter usado outros exemplos.

    1. Precisamos sim, falar de liberdade de expressão. Isso não pode ser um tabu inabordável. Evitar isso é ignorância. Só conseguiremos dialogar diante das diferenças em superação de desigualdades enfrentando isso com coragem. Nada justifica alguém aniquilar o outro porque houve manifestação de opinião divergente: "Posso não concordar com o que você disser, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-lo" (Evellyn Hall).

    2. Jorge, concordo com.vc. Fundamentalistas não têm noção desse respeito, ou consideração, tal a doutrinação à qual foram submetidos.

    3. Respeito é sinônimo de consideração. O que fundamentalistas religiosos chamam de respeito quer dizer intimidação e autoritarismo. Uma caricatura jamais deveria incitar qualquer reação senão riso, se for engraçada, ou silêncio, em caso contrário. A senhorita parece ser o típico exemplo do fundamentalista religioso que acha que o fanático tem o direito de dizer "deus existe"; mas o cético é desrespeitoso se disser "provavelmente não existem seres mágico-religiosos". Isto, sim, é desrespeito.

    4. Liberdade de expressão não pode colidir com respeito ao próximo... Não estou aqui defendendo os fanáticos, será que deu para entender agora?

    5. Liberdade de expressão significa tolerância em ouvir opiniões as quais você não concorda. O contrário é autoritarismo e no caso em questão fundamentalismo fanático de um psicopata assassino.

  28. Lindo o que escreveste caro Mário. Eu, como não sou bom com palavras, fui atrás daqueles que fizeram toda a diferença em minha formação. Só não consegui localizar um, professor Milton, de Ciências, pois já havia falecido. Mas agradeci pessoalmente aos professores Gurjão (Matemática) e Antonieta (Física), todos ainda numa capital brasileira atravessada pela linha do Equador, depois de décadas e um oceano a separarmos.

  29. Brilhante e emocionante texto, assim como a homenagem incrível de Camus. Não sei se houve, mas para fechar essa homenagem tão sincera, talvez, materializar as palavras com a distribuição de parte prêmio, "sem muita importância", seria um ato de nobreza...

  30. Seu texto desta semana me emocionou deveras. Remeteu-me ao meu tempo de estudante. Quantos sobressaltos! Quanta tremedeira nas provas orais! Porém, também guardo boas lembranças. Uma delas é do professor de português no Ginásio , no tradicional Instituto de Educação Caetano de Campos, em SP, lá nos finais da década de 50. Quem foi meu contemporâneo, naquela instituição de ensino, por certo nunca esqueceu do nosso querido Professor Raul Schwinden, a quem ora presto minha homenagem.

  31. Ando muito mexida com a facilidade com que institucionalizamos nossos bebês. Creches no pós guerra? Fazer o quê, né,? Os pais morriam... .Mas, vai durar para sempre? Por que ninguém luta por licenças maternidade e paternidade mais longas? Alguém acredita que essas crianças estão melhores nas creches,? Bebês de 3-4-5-6 meses querem estar nesses lugares? Para socializar? Parece a história das cadeirinhas e cintos de segurança, que salvam vidas, mas só nos carros particulares. Nos coletivos...

    1. Um ônibus tem massa incomensuravelme te maior que um carro de passeio, de modo que a necessidade de equipamentos de segurança é menor. Licenças para maternidade e paternidade maiores (e iguais) seriam bem vindas.

  32. Preciso contar.. meus professores gostavam de mim e eu deles. Um dia brincando com um colega a professora de Ciências me bateu com a maldita régua. Fiquei brava não podia revidar. tinha um botija de água numa mesa no canto da sala. Peguei e joguei na vidraça e estourou tudo. aí né...fui p casa com a diretora para conversar com meus pais. Apanhei de vara rsrsr nunca vou esquecer

  33. Belo texto e seria mesmo uma bela homenagem a esse horror fundamentalista. Mas acho que tive professores como os do Paul Simon, que em uma de suas belas músicas diz "when I think back on all the crap I learned in High School, it´s a wonder I can think at all".

  34. Retratou muito bem os anos que fazia o Grupo Escolar. Era um tempo que deixou marcas boas e ruins. Não concordava com alguns professores (excelentes e preparados) com régua nas mãos para bater em algum aluno que fizesse qualquer peraltice.. Fiquei algumas vezes de castigo, ia para o pátio estudar caminhando em volta da capelinha. Fazíamos filas com distanciamento dos braços. Cantávamos o Hino Nacional e rezava o Pai Nosso. Disciplina dez. Eu era muito estudiosa e sempre competia com uma colega.

  35. Belo texto. Não tenho boas lembranças de uma fase de meus estudos. Imagine os anos de 62/68 no sertão da bahia. Professor só sabia bater. A palmatória era a preferida para punir qq transgressão.

  36. Mário, vc sempre ajudando a elevar nosso espírito! Que linda homenagem ao professor francês, barbaramente assasinado, como aos professores que nos marcaram positivamente. Do seu texto extraio uma razão do êxito de Albert Camus: o professor notava a boa apresentação do menino, apesar de família sem recursos. Mérito de sua mãe! Acredito que seus pais foram bem melhores que seus professores, para vc se tornar o profissional digno que vc é. Gratíssima

  37. Minha sobrinha recentemente mudou-se com a familia para Portugal. Sua filha, muito inteligente, conversava com a colega em classe e foi chamada a atencao. Ela voltou a conversar. A profesdora mandou-a para a diretoria: "Eu so falo uma vez. Pode ir". Aprendeu a licao.

  38. Não tenho lembranças boas de meus ditos professores de escola pública. Eram todos do mesmo tipo de seu relato. Meros decoradores das matérias(que repetiam da mesma forma todos os anos). Ignorantes da época do golpe. Só sabiam dar castigos. O de geografia fazia a gente decorar os rios das margens do rio Amazonas. O de química, decorar a Tabela Periódica. A de Francês trazia um gravador e letra de música mimiografada. Tinhamos que fazer biquinho para cantar, senão ela puxava as orelhas...

    1. Inacreditável, parece que esse era o padrão em todo o país!

  39. Emocionante o seu relato! Tive a sorte na vida de ter tido bons professores na escola e depois na Faculdade. Mas uma carta como Camus escreveu é muito linda , assim como a resposta do professor. Obrigada por escrever esse artigo que me emocionou.

  40. Depois de vários anos fora da sala de aula, voltei a trabalhar como professora em uma escola pública nos Estados Unidos. Quando fui fazer a minha entrevista, achei que não estava tendo aula, tremendo era o silêncio nos corredores. Que diferença! Estou tão feliz em poder fazer a única coisa que sei bem, ensinar! No Brasil, o país mais deseducado que conheço, não lecionarei, por dinheiro nenhum, nunca mais!

  41. Sabinosua homenagem ao professor assassinado e a todos os professores é muito rica. Sua inteligência é uma velha conhecida para mim.

  42. Esta coluna vale, literalmente, cada centavo investido, se fosse possível mensurar a elevação que um texto como esse proporciona na alma das gentes. Muito obrigado, Mario Sabino. Obrigado pelo texto e pela coragem diária em dizer a verdade, mesmo que não agrade ao governo de ocasião (e alguns excelentes).

  43. Comovente! A sua sensibilidade para abordar um tema tão controverso merece reverências. Como aprendo muito com o que você escreve, a minha carta de agradecimento será endereçada a ti. Muito obrigado por tudo, Mestre!

  44. É Sabino ... Muito triste pensar que a situação da maioria das escolas só piora. Professores cada vez mais despreparados e sem amor pelo que faz , alunos cada vez mais desinteressados, e governos cada vez mais interessados que a situação continue a piorar. Enfim ...

  45. A sua auto-atribuição como escritor insignificante me coloca num patamar ainda mais inferior do que me julgava. Adorei seu texto, apesar de muito, muito triste.

  46. Belo texto. Mas o que mais me tocou foi a picaretagem da professora de inglês, precursora da terceirização e do mau exemplo.

  47. Caro Mário, aguardo a chegada das sextas-feiras para poder ler sua coluna, a do Dr. Fernando e a do Ruy Goiaba. Sua crônica de hoje é comovente, por nos fazer lembrar de nossos mestres.

  48. Estudei na mesma época, 1. grau de 1968 a 1973. Colégio de freiras, algumas delas foram minhas professoras. A disciplina era rígida, rigorosa. Mas a atenção e o cuidado eram grandes. A professora de vez em quando dava uns safanões nós irriquietos como eu, mas isso só me fez bem. Pobres, remediados e os ricos da época estudando juntos, sem discriminação. Fila para entrar na sala, hora cívica uma vez por mês, desfile nos 7 de Setembro... Jogos de futebol e vôlei em piso de terra batida...

  49. o seu excelente texto traz um ponto interessante para reflexão: fala de pessoas querendo ser ouvidas e de pessoas sendo silenciadas e punidas. Exercício interessante é identificar no texto quem são esses personagens.

  50. Quem se convence que Mario Sabino não é um grande escritor? Só ele próprio está convencido disso. Diz isso num texto belíssimo e emocionante...

  51. Caro Sabino, como Franco-Brasileiro, vivendo há 25 anos na pequena Chantilly, quero te agradecer por esse belíssimo artigo, homenagem sentida e, sei, sincera a um professor. Apesar de tudo e de todos, a figura do professor precisa continuar como o grande arquiteto de personalidades. Meu coracao, assim como o seu, também sangra pelo monstruoso ataque feito a Samuel Paty. A cada ataque covarde só faz crescer o espírito republicano em cada um de nós, legado eterno de nossos antigos professores.

  52. Encantadora e pungente sua memorabilia, como sempre; fui mais feliz com as minhas professoras, mas presenciei também violências físicas contra alunos mais bagunceiros; lembro com carinho dos nomes da minhas professoras do primário: donas Cléia, Alba (e Suzana), Judite e Sidnéia, mas não me esqueço de dona Deodata, uma "vaca gorda", da classe ao lado, no terceiro ano, e, quando a nossa turma bagunçava, ela saía da sala dela e entrava na nossa batendo geral; eu tinha pavor dela.

    1. Parece que isso será uma realidade. Estava na Alemanha ( NRW) e fiquei bem impressionada com a quantidade de mulçumanos por lá.

  53. Uma grande homenagem. Eu tive o prazer de externar meu agradecimento em público a uma excelente professora, por escrito, e vejo a importância dessa lembrança. Sem professor, viveríamos o mundo do Congresso nacional brasileiro. O mundo das vivandeiras! Faça um favor ao país. Fique em casa. Não vote!

  54. Mário, vc faz reacender os lindos exemplos de vida, colhidos dos meus professores de matemática e arte. Cultivo vos até hoje.

  55. Interessante, apesar dos traumas deixados pelos professores, seus alunos nunca os esquecem. Contraditoriamente, estes alunos se fortalecem na "lousa das lembranças traumáticas", a cada passo que compõem o que acumulam sabiamente... porção "insignificante e dolorosa" da poesia dos violentados! Todo professor ensina, mesmo os piores, ensinam como não ser, um belíssimo aprendizado! Você, Mário, seria o que não deveria, o contrário de sua poesia, se não fossem seus professores, todos eles! Beijos.

  56. Mario, nos somos a soma de tudo de bom e ruim q acontece em nossas vidas. Parabéns pelo texto e pelo exemplo de um jornalismo que nos faz a todos crescer.

  57. Mario. Você é um grande professor e gostaria que muitos o homenageassem como faço agora. Obrigado por nos ensinar o que aprendeu e o que descobriu.

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