Lula repudia termo “gasto” para educação
Declaração foi feita em meio a discussões sobre as despesas federais e o impacto fiscal nas áreas de saúde e educação
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira, 3, que é proibido usar a palavra “gasto” ao se referir a investimentos em áreas como educação, saúde e infraestrutura no seu governo.
A declaração foi feita durante um evento de inauguração do Instituto Federal de Mauá, em São Paulo.
"Nesse governo é proibido a palavra gasto quando se fala de educação. É proibido a palavra gasto", disse o petista.
"Essas coisas, se a gente for fazer só quando alguém disser tem dinheiro, a gente nunca vai fazer. Se eu esperar o meu pessoal da Fazenda e do Planejamento dizer para mim: 'Olha tá sobrando dinheiro, vamos colocar na educação?', a gente nunca vai investir, porque nunca vai sobrar. Dinheiro público nunca sobra", acrescentou.
Segundo Lula, a palavra certa a ser usada seria "investimento".
Nesta semana, o Banco Central (BC) divulgou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões nas contas do setor público consolidado no mês de maio.
A dívida pública do governo já está em torno de 75% a 78% do PIB.
O que mais investiu?
No ano passado, Lula voltou a dizer que é o "único presidente" da história do Brasil a não ter acesso a universidades, mas afirmou ter sido o que mais investiu no setor.
"Não pensem que eu falo isso com orgulho, eu falo com certa tristeza. Eu sou o único presidente da República deste país que não tive acesso à universidade. O único. E tenho muito orgulho de ser o presidente da República que mais fez universidades, que mais fez institutos federais, que mais fez investimentos em educação nesse país. Quando foi criado o Ministério da Educação, você sabe qual era o nome? Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Depois, evoluímos um pouco e passou a ser Ministério da Cultura, do Esporte e da Educação. Depois, evoluiu e ficou só Ministério do Esporte e da Educação. Depois, separamos as coisas."
Ao contrário do que afirma Lula, o seu governo não foi o que mais investiu em universidades federais.
Em 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff destinou 7,51 bilhões às instituições. No governo Michel Temer o valor caiu para 6,7 bilhões.
Já em 2024, o governo Lula registrou despesa liquidada de apenas R$ 5,4 bilhões.
Esse valor é inferior ao investido, em 2002, quando o Brasil tinha 52 universidades federais.
Hoje, o número subiu para de 69 instituições.
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