Óculos inteligentes equipados com inteligência artificial começam a ocupar um espaço que vai além de fotos, vídeos e entretenimento. Pessoas cegas ou com baixa visão já utilizam os dispositivos para receber descrições do ambiente, identificar produtos, ler informações e pedir ajuda sem precisar manter um celular nas mãos.
Um dos exemplos é Colette Dentelle, francesa de 83 anos com deficiência visual ouvida pela AFP. Ela utiliza um modelo Ray-Ban Meta para auxiliar nos deslocamentos e durante as compras, quando precisa identificar informações impressas em embalagens e etiquetas.
Ajuda sem as mãos
A integração dos óculos da Meta com o Be My Eyes ampliou esse tipo de uso? a plataforma conecta pessoas cegas ou com baixa visão a voluntários que conseguem enxergar, pela câmera do dispositivo, o que está diante do usuário e fornecer orientações em tempo real.
Desde março, a ferramenta também permite acionar contatos de confiança e equipes de atendimento de empresas por comandos de voz. Sony, Hilton, Amtrak e Tesco estão entre as companhias que aderiram ao serviço, que pode ajudar desde a localização de produtos até a configuração de equipamentos ou orientação dentro de um hotel.
Os recursos também podem beneficiar pessoas com limitações motoras. Os modelos atuais permitem realizar chamadas, enviar mensagens, fotografar e gravar vídeos por comandos de voz, o que reduz a necessidade de manipular um smartphone.
Quanto custa
Os preços no Brasil variam conforme o modelo da armação e o tipo de lente, mas versões da segunda geração ficam na faixa de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil. Um Wayfarer Gen 2 com lentes Transitions, por exemplo, é anunciado pela Ray-Ban por R$ 3.989.
Por trás da aparência de um óculos convencional, o dispositivo reúne câmera de 12 megapixels, microfones, alto-falantes e comandos de voz. A segunda geração oferece até oito horas de bateria, além de um estojo que amplia a autonomia.
Mercado cresce rápido
Segundo dados da consultoria Omdia, 8,7 milhões de óculos com inteligência artificial foram vendidos no mundo em 2025 e Meta e EssilorLuxottica lideram esse movimento. A fabricante informou que seus modelos com inteligência artificial superaram 7 milhões de unidades vendidas em 2025.
A popularização também aumentou o debate sobre privacidade, principalmente porque os dispositivos possuem câmeras capazes de registrar quem está ao redor. Ao mesmo tempo, relatos como o de Colette mostram como as mesmas ferramentas podem ampliar a autonomia de pessoas com diferentes tipos de deficiência em tarefas do cotidiano.








