Deputado cobra PF por ‘vazamentos seletivos’ de conversas entre Vorcaro e Flávio
José Medeiros pede informações sobre procedimento investigatório em que os arquivos estavam inseridos e quais autoridades tiveram acesso
O deputado federal José Medeiros (PL-MT) protocolou um requerimento de informação na Câmara dos Deputados em que cobra explicações do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre um suposto vazamento de material sigiloso relacionado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Master.
O parlamentar questiona a divulgação de áudios, documentos e outros elementos investigativos que teriam chegado à imprensa antes de esclarecimentos oficiais sobre eventual autorização judicial para compartilhamento das informações. Medeiros faz referência às mensagens trocadas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, no qual o senador filho do ex-presidente da República Jair Bolsonaro cobra o pagamento de recursos para custear o filme "Dark Horse".
No pedido, Medeiros solicita detalhes sobre a classificação de sigilo do material, o procedimento investigatório em que os arquivos estavam inseridos e quais autoridades tiveram acesso ao conteúdo. O deputado também pede auditoria dos sistemas utilizados pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça, incluindo logs de acesso, download e compartilhamento dos arquivos investigativos.
O parlamentar quer ainda saber se foram abertas sindicâncias ou investigações administrativas para apurar eventual quebra de sigilo funcional, além de questionar se houve comunicação à Controladoria-Geral da União, à Advocacia-Geral da União e ao Ministério Público Federal sobre o caso.
Em outro trecho, o deputado do PL pede informações sobre eventual contato entre agentes públicos e jornalistas a respeito do conteúdo divulgado. Medeiros questiona se houve “compartilhamento formal ou informal de material sigiloso com veículos de comunicação” e cobra esclarecimentos sobre possíveis “vazamentos seletivos” de informações protegidas.
Na justificativa do requerimento, o parlamentar afirma que a preocupação central não seria o conteúdo político dos áudios divulgados, mas a eventual quebra da cadeia de custódia e o uso “político-seletivo” de informações sigilosas. Medeiros argumenta que a divulgação de material protegido por sigilo judicial poderia comprometer a credibilidade das investigações e a imparcialidade institucional.
O texto também faz críticas ao governo federal e sugere que materiais sigilosos teriam sido divulgados inicialmente em veículos “alinhados ideologicamente” ao Palácio do Planalto, em referência ao The Intercept Brasil. O deputado afirma que a ausência de esclarecimentos transparentes sobre a origem dos vazamentos levantaria suspeitas de “instrumentalização político-midiática” de estruturas de investigação do Estado.
No requerimento, Medeiros solicita ainda dados sobre investigações internas relacionadas a vazamentos ocorridas entre 2023 e 2026, além de estatísticas de responsabilização disciplinar por quebra de sigilo funcional. O parlamentar também pede informações sobre medidas de reforço da segurança cibernética e dos mecanismos de controle de acesso a informações protegidas.
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