O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou neste fim de semana a marca de 2.299 mortes e se tornou, oficialmente, a epidemia mais mortal já registrada no país, superando o recorde anterior estabelecido entre 2018 e 2020.
Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Pública da RDC divulgados no domingo (16), o número de óbitos confirmados chegou a 2.325, com um total de 4.945 casos confirmados.
A epidemia, causada pela rara cepa Bundibugyo, foi declarada em meados de maio e, em apenas três meses, alcançou uma velocidade de propagação recorde. A taxa de letalidade atual é de aproximadamente 46%, um aumento significativo em relação aos 20% registrados no início de junho.
Especialistas alertam que esse aumento não reflete um vírus mais agressivo, mas sim a falha no acesso aos cuidados de saúde, com a maioria dos pacientes sendo identificada apenas após o falecimento em suas comunidades.
Crise humanitária
Diferentemente dos surtos anteriores causados pela cepa Zaire, para a qual existem vacinas aprovadas, não há atualmente nenhuma vacina ou tratamento específico licenciado para a cepa Bundibugyo.
Ensaios clínicos com candidatos a vacinas e tratamentos foram iniciados, mas a resposta enfrenta barreiras como conflitos armados na província de Ituri, epicentro da crise, que dificultam o rastreamento de contatos e o isolamento de pacientes, além de perigo para os agentes de saúde que estão atuando nas comunidades afetadas.
O vírus já se espalhou para seis províncias congolesas: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Tshopo e Bas-Uélé, e registrou casos importados em Uganda e França. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a situação como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC).
Um comitê de emergência da OMS está reunido nesta terça-feira (18) para revisar as recomendações temporárias, enquanto autoridades humanitárias alertam que, sem uma intervenção massiva e imediata, o surto poderá superar em breve também o número total de casos da epidemia da África Ocidental de 2014-2016, a maior da história global.







