Marçal quer ser antagonista de Renan
Empresário repete estratégia usada contra Boulos em 2024 e mira candidato da Missão
As primeiras entrevistas do empresário Pablo Marçal (PRTB) como candidato à Presidência indicam que Renan Santos, candidato pela Missão, será alvo de seus ataques até, pelo menos, 4 de outubro.
"O Renan está copiando o que fiz em 2024. Sou casado, tenho quatro filhos, não devo imposto ao Estado. Tem umas coisinhas a mais que, na hora que ele vier pra cima de mim, vou soltar no peito dele. Vou explicar por que ele criou o MBL (Movimento Brasil Livre) e o que significa. No próximo debate da Band [domingo, 23], vamos descobrir", afirmou Marçal ao podcast RedCast.
Já em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Marçal também classificou Renan como “disfuncional” e afirmou que o candidato precisa “arrumar um homem ou uma mulher”.
Antagonista
Para o analista político Wilson Pedroso, colunista de Crusoé, Marçal escolheu Renan como seu “antagonista” nesta campanha.
A estratégia repete o que foi adotado pelo empresário na eleição municipal de São Paulo, em 2024, quando Guilherme Boulos (Psol) foi um de seus principais adversários.
Segundo Pedroso, Marçal e Renan disputam a atenção de um mesmo eleitorado e utilizam as redes sociais como uma das principais ferramentas de comunicação.
"Os dois caras que sabem mexer com a internet, com as redes sociais, estão digladiando pela atenção dos eleitores."
Feitiço contra o feiticeiro
Para o analista, Renan também pode se beneficiar da disputa pela atenção nas redes sociais e usar a exposição proporcionada por Marçal para ampliar seu nível de conhecimento entre os eleitores.
Além disso, na avaliação de Pedroso, o candidato da Missão poderia se aproveitar de uma eventual cassação do registro de Marçal para se consolidar como uma terceira via.
"Ele pode usar, como estratégia, essa economia da atenção e diminuir uma lacuna dele que é a falta de conhecimento. Pode se tornar mais conhecido e crescer em cima do Marçal."
Campeonato de cortes
É justamente a disputa por atenção que levou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a manter a condenação imposta ao empresário e sua consequente inelegibilidade.
Durante a campanha municipal de 2024, Marçal promoveu o chamado “campeonato de cortes”.
A estratégia estimulava colaboradores a produzir e divulgar vídeos do então candidato nas redes sociais.
Com isso, Marçal tinha mais engajamento e mais visibilidade.
A condenação foi baseada em abuso de poder econômico, captação e gastos ilícitos de recursos e uso indevido dos meios de comunicação.
Com o pedido de registro de candidatura protocolado, Marçal poderá avançar na campanha, mas sua candidatura ainda depende da análise do registro pela Justiça Eleitoral e dos efeitos de sua situação de inelegibilidade.
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