Crusoé nº 420: Contaminado
Troca de mensagens com Daniel Vorcaro envenena candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente. E mais: Populismo sem-vergonha e Pacote furado
A eleição deste ano perdeu os ares de previsibilidade com a divulgação nesta semana de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o pré-candidato Flávio Bolsonaro.
Se até então era altamente provável uma polarização entre Lula e Flávio no segundo turno, agora não há mais certeza sobre quem enfrentará o presidente.
Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos nunca estiveram tão empolgados para assumir o lugar de Flávio como o líder do antipetismo.
As mensagens foram reveladas pelo site The Intercept na quarta, 13, e na quinta, 14. Nas primeiras, de quarta, Flávio pede dinheiro para a produção do filme Dark Horse, que retrata a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Uma segunda reportagem do Intercept afirmou que Flávio Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, que foi secretário de cultura de Jair Bolsonaro e produziu o filme Dark Horse, tentaram organizar uma exibição de um documentário na casa de Vorcaro.
Flávio procurou se defender, dizendo que se trata de "patrocínio privado para um filme privado".
De fato, não há nada de criminoso em um cidadão pedir dinheiro para um empresário bancar o filme, ainda mais em homenagem ao próprio pai.
Mas há muitas coisas mal explicadas nessa história, que deverão suscitar questionamentos a Flávio nos próximos meses, dizem Duda Teixeira e Wilson Lima em "Contaminado", a matéria de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na reportagem "Populismo sem-vergonha", Rodolfo Borges e Wilson Lima falam sobre a antecipação da campanha presidencial de Lula (PT) com uma série de medidas eleitoreiras para tentar melhorar popularidade do petista.
Em apenas três dias, o governo criou um dia em memória das vítimas da Covid — para desgastar Jair Bolsonaro e família, representada nesta eleição pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —, anunciou um programa cosmético de combate ao crime organizado, suspendeu a famigerada taxa das blusinhas por 120 dias e anunciou uma medida provisória para conter a alta no preço da gasolina.
Na matéria "Pacote furado", Guilherme Resck e Wal Lima explicam por que o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, anunciado nesta semana pelo governo Lula, não vai ajudar no combate ao crime organizado.
Com custo previsto de 11 bilhões de reais, o pacote deixa de fora medidas essenciais para resolver o problema do crime organizado no Brasil.
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Nesta edição, escrevem Rodrigo Prando (A política como nuvem), Clarita Maia (Misoginia de esquerda e direita), Márcio Coimbra (Trump em Pequim), Maristela Basso (A política depois da verdade), Roberto Reis (Não vai desenrolar), Dennys Xavier (O que é mortal… morre), Letícia Barros (O custo do hiperindividualismo feminino e o temor à maternidade) e Rodolfo Borges (Futebol pornográfico).
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