"Vai ter que escolher o que a gente cobre", diz Galípolo
Gabriel Galípolo participou de audiência no Senado para falar da fiscalização no caso do banco Master
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo (na foto, à esquerda), afirmou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça, 19, que a instituição tem dificuldade de monitorar o sistema financeiro por falta de estrutura e de pessoal.
“Vou ser talvez mais franco do que eu devia: o que vai começar a acontecer é que o Banco Central, ciente que o cobertor é curto, vai ter que escolher o que a gente cobre. A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco. Não há pessoal para tudo”, disse Galípolo.
A senadora Tereza Cristina, do Republicanos, perguntou quantos bancos o BC liquida por ano no país.
"A gente está em um recorde, não que eu me orgulho dele. A gente liquidou 13 instituições desde 2025. Nós estamos com dificuldades para encontrar novos liquidantes", disse Galípolo.
Um "liquidante" é a pessoa física nomeada oficialmente pela autoridade monetária para conduzir o processo de liquidação extrajudicial de uma instituição financeira.
Galípolo disse que, no BC, um servidor fiscaliza duas ou três instituições, enquanto o Banco Central da Europa tem de 20 a 30 servidores para fiscalizar uma única instituição.
O presidente do BC então aproveitou para defender um projeto de lei para dar mais autonomia orçamentária ao BC, o que melhoraria a capacidade de fiscalização.
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Renan Calheiros (na foto, à direita), presidente da CAE, perguntou a Galípolo se os diretores contam ao presidente da instituição o que conversaram nas reuniões com os representantes dos bancos, uma vez que dois diretores do BC estão sendo investigados pela Polícia Federal por suspeita de terem colaborado com Daniel Vorcaro.
"Tudo isso que você está colocando, presidente [Renan Calheiros], fica mais grave à luz da existência de dois servidores que foram afastados, mesmo tendo o Banco Central feito uma auditoria, feito uma sindicância, entregue à Polícia Federal, entregue à CGU [Corregedoria-Geral da União], para fazer toda a análise desse processo, mesmo assim o Banco Central tendo feito isso, que me parece que é o correto a se fazer nesses momentos", afirmou Galípolo.
Terceira divisão
Galípolo também afirmou que, dado o tamanho relativamente pequeno do Master, não houve risco maior ao sistema financeiro.
"Ele é um banco S3, da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro. Ele é um banco que não oferece risco sistêmico. Ele é menos de 0,5%", disse o presidente do BC.
"Me parece que o que tem chamado a atenção das pessoas é o que se fazia com o dinheiro que estava no banco Master."
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