AtlasIntel errou ao reproduzir áudio de Flávio a Vorcaro?
Analistas endossam formato da pesquisa que indicou queda nas intenções de voto para o filho 01 de Jair Bolsonaro após revelação de mensagens
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 19, apontou queda de seis pontos percentuais do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na perspectiva de um segundo turno contra Lula, mas está sendo questionada por bolsonaristas por ter exibido o áudio de uma das mensagens trocadas entre o filho 01 de Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
CEO da AtlasIntel, Andrei Roman defendeu, em postagem em seu perfil no X, a inclusão da mensagem.
"O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global", disse Roman em resposta aos questionamentos.
Crusoé colheu algumas opiniões sobre a inclusão do áudio, no qual Flávio cobra de Vorcaro o dinheiro prometido para patrocinar o filme Dark Horse, sobre a corrida presidencial de 2018, vencida por Bolsonaro.
Para o cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy e colunista de Crusoé, "esse é um método super legítimo de fazer pesquisa, não invalida a pesquisa".
"Essa questão de você fazer um experimento apresentando um áudio e pedindo para o pessoal se posicionar é metodologia clássica de pesquisa, não tem nenhum tipo de problema. E ele faz isso no final da pesquisa, então as perguntas iniciais não são contaminadas. Isso é esperneio, querer matar o mensageiro", acrescentou.
"Legítimo"
Sócio estrategista do instituto de pesquisa Realtime Big Data, parceiro de O Antagonista no Lulômetro, Wilson Pedroso disse que "se o áudio foi reproduzido depois do questionário, não houve interferência no cenário eleitoral medido".
"Houve, sim, uma tentativa legítima de captar como diferentes grupos sociais reagem a um conteúdo que já circula publicamente e influencia o debate político nacional", comentou o analista político, acrescentando:
"Faz tempo que pesquisa não serve mais só para medir intenção de voto. Eles aproveitaram uma demanda e fizeram duas pesquisas em uma só. Poderiam ter feito isso separado, em dias diferentes, mas não ia mudar nada. Eles acertaram em fazer porque é um tema quente que a gente está há uma semana discutindo."
Bruno Soller, sócio da Realtime Big Data, concorda e disse que, do ponto de vista metodológico, "isso não tem nenhuma interferência, até porque eles colocaram no final" da pesquisa.
"É uma boa medida da Atlas no final das contas, porque as pessoas são impactadas por notícias, é legal de ver a reação a partir disso. Agora, a pesquisa aponta para algo que está todo mundo vendo de alguma maneira. Teve impacto. Era impossível passar incólume de una declaração daquele tipo, pedir dinheiro para um cara que está condenado", disse Soller, para quem o efeito da revelação das mensagens para a candidatura de Flávio, até agora, "é um efeito pequeno, reversível".
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