Adriano Machado/Crusoé

Por que a CPI da Covid resiste a avançar sobre a família Bolsonaro

19.09.21 14:18

Embora a CPI da Covid tenha aprovado na última semana a convocação da advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan, o filho 04 do presidente, ainda não há garantia de que o depoimento será efetivamente marcado. O martelo será batido em reunião na segunda-feira, 20. Por ora, na cúpula da CPI, não existe consenso. Uma das principais vozes contrárias ao depoimento da ex de Bolsonaro é a do presidente da comissão de inquérito, Omar Aziz. Não é a primeira vez que o senador resiste a importunar a família presidencial.

No início dos trabalhos da CPI, senadores da chamada ala independente cobraram a convocação de Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente. À época, a suspeita era a de que, além de comandar o “Gabinete do Ódio”, o vereador do Rio participava do “Gabinete Paralelo, uma estrutura extraoficial que assessorava Bolsonaro às margens das orientações do Ministério da Saúde. Só que a convocação e a quebra dos sigilos do 02, propostas pelo senador Alessandro Vieira, não foram nem sequer votadas. Na ocasião, Aziz também trabalhou contra o depoimento.

Durante os encontros reservados para definir a pauta da CPI, o pretexto usado por Omar Aziz para deixar integrantes do clã Bolsonaro de fora do rol de testemunhas e investigados é o de que o avanço sobre os familiares do presidente poderia reforçar sua retórica de vitimização, o que afetaria a credibilidade do trabalho da comissão.

“Colocar família é complicadoAté agora, a gente atuou tecnicamente o tempo todo, sem politizar”, diz Aziz a Crusoé.

A cautela em relação às investigações sobre a família de Bolsonaro, porém, incomoda os senadores “linha-dura” da CPI. Para eles, o receio da reação a uma apuração sobre a família do presidente não pode justificar “vista grossa para a prática de crimes”.

Há outra explicação para o comportamento adotado pelo presidente da CPI. A mulher de Aziz, deputada Nejmi Aziz, e três irmãos do senador chegaram a ser presos temporariamente, em 2019, pela Polícia Federal, por acusação de desvios de verbas públicas da saúde. Durante sessão da CPI em maio, Aziz disse que foi “muito injustiçado” e que sua “família sofre” até hoje. “A única coisa que eu não gostaria é de ser injusto com uma pessoa. Porque aquilo que eu não quero pra mim, não quero para os outros. Você não sabe o que é uma filha de 12 anos ir pra uma escola e as pessoas falarem do pai e da mãe sem ter prova nenhuma”, disse.

O entorno de Bolsonaro também vem sendo blindado. A CPI não convocou, por exemplo, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, que poderia sobre a negociação de vacinas e a busca por um spray nasal milagroso em Israel, por exemplo. Também deixou de fora da agenda Jonathas Diniz Vieira Coelho, ajudante de ordens da Presidência da República, que intermediou as conversas entre Bolsonaro e os irmãos Luis Miranda e Luis Ricardo, responsáveis pela denúncia do escândalo Covaxin. 

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  1. Quando políticos decidem manter verdadeiras DINASTIAS em cargos públicos, devem, sim, prestar contas a cada suspeita que surja. Afinal, lidam com dinheiro público.

  2. Interessante e respeitável o Omar aziz. A política brasileira é feita de inimigos, que deve ser destruído, e não de adversários. A briga política deve ter um limite e não escambar para o lado pessoal. Me parece que está agindo certo. Embora tenha indícios de crimes que estão sendo praticados, ainda não devem ter coisas grosseira e a polícia é o ministério público irão investigar depois...

  3. O problema é que tanto.o presidente dessa CPI como o relator têm rabo preso na Justiça. Se fizerem muita marola , podem acabar virando os póprios barcos. Essa CPI tem um erro de origem. À exceção do seu vice presidente, essa mesa já foi escolhida pra segurar as pontas dos tantos rabos presos. Tem muito também de conotação política mais que de moralização da coisa pública. Raposas tomando conta de galinheiro é complicado, né?

    1. De pleno acordo. Por enquanto, vamos dansar com essa música! Até que o povo eleja gente do naipe de Sérgio Moro, Simone Tebet e Alessandro Vieira. Aí a orquestra vai tocar em diferentes partituras!!!

  4. Cada vez mais ficamos entusiasmado quando entra um político novo de sola no plenário, na comissão, como o Alessandro Vieira , por que?? Não tem rabo e não tem filho enrolado, ou vagabundo igual ao pai nunca quis trabalhar,nem estudar, do lula são Vagabundos incultos totais , os filhos do Bozobosta são estudados e vagabundos, tipo vendedores criptomoedas!!!Chega de escolhas vagabundas , chequem a vida do cara , que usam só palavras vazias para Acordar a Escória deste País(Brasil).

  5. No mundo perfeito, tanto Bolsonaro, quanto os filhos e agregados teriam q responder por todos os malfeitos q cometeram. Mas isso ñ aconteceu com o ex-presidiário Lula. Seus filhos ñ foram incomodados de fato pela justiça. O Lulinha 01 continua milionário, mesmo todos sabendo de onde vem a sua fortuna. O Lulinha 02 ganhou milhões copiando e colando na internet, p/ desprezo dos brasileiros sensatos. FOCO. Primeiro a questão principal: os crimes do sociopata. Depois questões satélites. Moro 🇧🇷

    1. Nessa toda em que nos encontramos, "a sinuca é de bico" ! Ou seja : ou dá ou desce!

  6. Arregou também, Aziz? Como dizia Jânio Quadros, "quem está na chuva é para se queimar"...rsrs. Esse país tem jeito não...lembram da máxima..., toda mãe é igual só muda o endereço? O duro, aqui no Bananão é que vez por outra temos que engolir com casca e tudo.

    1. Não foi Jânio que disse isso. Foi o Vicente Matheus, acho.

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