Funcionários da Meta distribuíram panfletos em escritórios da empresa nos Estados Unidos em protesto contra a instalação de um software de rastreamento de mouse nos computadores corporativos. Os materiais apareceram em salas de reunião, máquinas de venda automáticas e até sobre dispensadores de papel higiênico.
Os panfletos incentivavam os colegas a assinarem uma petição online contra a medida. Uma das mensagens perguntava: “Não quer trabalhar na Fábrica de Extração de Dados de Funcionários?”
A ação ocorre cerca de uma semana antes da Meta realizar demissões que devem atingir 10% do quadro de funcionários. Para muitos trabalhadores, a vigilância foi uma “gota d’água” em meio à situação já tensa dos cortes.
O que o software faz?
O programa, chamado internamente de “Model Capability Initiative“, captura movimentos de mouse, cliques, teclas digitadas e capturas de tela periódicas em uma lista de aplicativos de trabalho. O sistema também opera em centenas de aplicações, incluindo ferramentas como Google, LinkedIn e Wikipedia.
A empresa afirma que os dados servem para treinar agentes de inteligência artificial voltados à execução de tarefas em computadores. Segundo a Meta, para que os modelos aprendam a usar softwares, precisam de exemplos de como as pessoas interagem com eles: movimentos de mouse, cliques em botões e navegação por menus.
Um porta-voz da empresa também garantiu que os dados coletados não influenciam avaliações de desempenho dos funcionários e que a empresa tem medidas para proteger informações sensíveis.
Por que os funcionários se sentem ameaçados?
Dentro da Meta, muitos funcionários interpretam o rastreamento como uma forma de treinar os próprios robôs que vão substituí-los. Essa percepção ganhou força com as declarações do CEO Mark Zuckerberg, que disse no início do ano que 2026 seria “o ano em que a IA começa a mudar drasticamente a forma como trabalhamos.”
Os panfletos e a petição citavam a Lei Nacional de Relações Trabalhistas dos Estados Unidos, lembrando que trabalhadores têm proteção legal para se organizar em busca de melhores condições de trabalho. Funcionários da Meta no Reino Unido também lançaram um esforço de sindicalização com o United Tech and Allied Workers, parte da Communication Workers Union.




