A escala 4×3 voltou ao centro do debate trabalhista no Brasil como alternativa à rotina de seis dias de trabalho e um de descanso.
A proposta mais citada no Congresso prevê quatro dias de trabalho por semana, três dias de folga e jornada máxima de 36 horas semanais, sem redução salarial. Ainda assim, a mudança não está em vigor e depende de aprovação legislativa.
O que está em discussão
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, apresentada na Câmara dos Deputados, altera o artigo 7º da Constituição Federal para estabelecer a redução da jornada para quatro dias por semana.
Segundo a Câmara, o texto busca acabar com a escala 6×1, associada à jornada semanal de até 44 horas.
Atualmente, a Constituição limita a duração normal do trabalho a oito horas diárias e 44 horas semanais, com possibilidade de compensação e redução por acordo ou convenção coletiva.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) também garante descanso semanal de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos domingos.
Ainda não virou regra
O Senado Verifica alertou que o fim da escala 6×1 ainda não foi aprovado. As propostas seguem em discussão no Congresso, e publicações que tratam a mudança como regra definitiva espalham informação incorreta.
Além disso, há mais de uma proposta em debate. O governo federal também já defendeu a redução da jornada para 40 horas semanais com dois dias de folga, segundo declaração do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em audiência na Câmara.
Experiências com quatro dias
A semana de quatro dias já foi testada no Brasil por empresas privadas. De acordo com estudo divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o piloto brasileiro adotou o modelo 100-80-100, com 100% do salário, 80% da jornada e manutenção de 100% da produtividade.
A pesquisa apontou que o formato exige confiança, flexibilidade e reorganização de processos para gerar resultados.
Assim, a escala 4×3 aparece como possibilidade de mudança na organização do trabalho. No entanto, por enquanto, ela não substitui a regra atual de forma automática.
Seu avanço depende de votação no Congresso, adaptação das empresas e definição clara sobre setores, salários e formas de compensação.




