Crusoé
26.06.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram

Como a Doutrina da Razão de Estado explica a repressão após o 8 de janeiro

A ideia de que, para defender a democracia, é preciso decretar um estado de exceção de fato e prender golpistas inimigos da pátria — passando por cima dos direitos mais básicos, do justo processo e das liberdades mais fundamentais — não é nova. Ela nasce com a Doutrina da Razão de Estado. Se trata de...

avatar
Adriano Gianturco
4 minutos de leitura 16.01.2024 17:01 comentários 6
Como a Doutrina da Razão de Estado explica a repressão após o 8 de janeiro
Planalto manifestantes, Ataque aos Tres Poderes
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

A ideia de que, para defender a democracia, é preciso decretar um estado de exceção de fato e prender golpistas inimigos da pátria — passando por cima dos direitos mais básicos, do justo processo e das liberdades mais fundamentais — não é nova. Ela nasce com a Doutrina da Razão de Estado.

Se trata de uma doutrina criada na segunda metade de 1500 por autores italianos e franceses como Maquiavel, Guicciardini, Della Casa e Bodin. Com a decadência da Doutrina do Direito Divino dos Reis, emergiu a necessidade de uma nova teoria que legitimasse o poder politico da época perante o povo.

No século 16, tornou-se importante demonstrar que os interesses do príncipe coincidiam com os dos súditos, os da sociedade. Nasceu, assim, a Doutrina da Razão de Estado.

Esse conceito afirma que, às vezes, por questão de segurança de Estado (da segurança do governante e seus ajudantes) e por questões militares, o Estado pode passar por cima de questões morais, econômicas e jurídicas. É como se houvesse uma razão superior aos interesses dos indivíduos, dos súditos.

A segurança do Estado (não da sociedade) seria uma exigência tão importante e primária que o príncipe, para garanti-la, poderia desrespeitar normas morais, econômicas e jurídicas. Isso, sobretudo, quando a segurança estivesse sob ameaças internas ou externas. Logo, o governante necessitaria usar qualquer meio, até ilegal, ilegítimo, imoral, como violência e dissimulação, para garantir a própria segurança.

A teoria, além de legitimar as ações do príncipe, justificava suas medidas em nome do “interesse comum”. Ou seja, tira-se a responsabilidade de uma pessoa específica (o príncipe) e se coloca em um novo ente: o Estado.

Antes, os súditos viam as famílias reinantes com distância, desapego e desconfiança. A partir desse momento, a Doutrina da Razão de Estado passou a tentar mostrar que o príncipe age na defesa dos interesses dos integrantes da sociedade, pois também é um deles e persegue o bem deles.

O objetivo era que, paulatinamente, a população se identificaria com o príncipe e com as famílias nobres (e contra as outras), e perceberia os interesses em comum com elas.

É daqui também que nasce o conceito de “interesse nacional”. Nos Estados Unidos, após o atentado terrorista contra as Torres Gêmeas, em 2001, foi preciso fortalecer a ideia de um interesse comum, que acabou desaguando na “guerra ao terror”. Como efeito colateral, isso também passou a justificar a quebra do sigilo telefônico, bancário e de e-mail da população americana.

Esse mesmo princípio também foi usado no Brasil para aprovar o Ato Institucional número 5, o AI-5.

Atualmente, a Doutrina de Razão de Estado costuma fundamentar os pedidos para criar um “estado de exceção” ou “estado de sítio”. Nessas ocasiões, proíbem-se manifestações, reuniões de muitas pessoas em lugares públicos e se impõe o toque recolher, como está ocorrendo agora no Equador.

É essa doutrina também que permite a aplicação do “segredo de Estado” em alguns documentos relevantes.

No Brasil, essa doutrina tem sido invocada no combate aos que participaram dos Atos de 8 de janeiro (foto), em Brasília.

No discurso daqueles que defendem a sua aplicação, afirma-se que a invasão das sedes dos Três Poderes teria sido um golpe, um ataque à democracia. Portanto, para combater seus protagonistas, valeria tudo: suspender de fato os direitos mais básicos dos cidadãos, ignorar o justo processo e atropelar as liberdades mais fundamentais.

Obviamente, alguns governos utilizam a Doutrina da Razão de Estado para limitar a oposição.

Usando justificativas de segurança, eles barram o acesso a documentos, fecham de partidos, empreendem uma diplomacia secreta, censuram vozes discordantes e aplicam protecionismo comercial.

Para lidar com o que acreditam ser um “estado de perigo”, eles utilizam medidas provisórias e leis excepcionais.

É por isso, então, que existe a ideia que a Razão de estado seja um álibi para esconder fins pessoais dos políticos, diplomatas, militares, altos burocratas ou espiões.

E é o que está acontecendo. Falar de golpe e de ataque à democracia é funcional para poder fazer tudo isso. Sem essa interpretação, ninguém justificaria o que está acontecendo.

 

Adriano Gianturco é coordenador Relações Internacionais do Ibmec de Belo Horizonte

Diários

Rubio tem más notícias para Flávio Bolsonaro

Redação Crusoé Visualizar

Venezuela ia reestruturar sua dívida. Aí veio o terremoto

José Inácio Pilar Visualizar

A bancada do 8 de janeiro

Wilson Lima Visualizar

Um filme pequeno sobre sentimentos grandes

Gustavo Nogy Visualizar

Manual da fotografia de rua

Josias Teófilo Visualizar

Bia Kicis lamenta vídeo de Michelle sobre Flávio: "Caiu como uma bomba"

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A derrota triunfal de Trump

A derrota triunfal de Trump

Visualizar notícia
A fatura chegou para a Rússia

A fatura chegou para a Rússia

Visualizar notícia
A ressaca do IPO mais esperado do ano

A ressaca do IPO mais esperado do ano

Visualizar notícia
Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra

Alemanha desiste de seus maiores navios de guerra

Visualizar notícia
Declínio e queda do identitarismo woke

Declínio e queda do identitarismo woke

Visualizar notícia
Dirceu dá pitaco em disputa entre Flávio e Michelle

Dirceu dá pitaco em disputa entre Flávio e Michelle

Visualizar notícia
"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos", diz Trump sobre Venezuela

"Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos", diz Trump sobre Venezuela

Visualizar notícia
Irã propõe criação de 'Otan muçulmana'

Irã propõe criação de 'Otan muçulmana'

Visualizar notícia
Janja reclama da falta de atenção da imprensa

Janja reclama da falta de atenção da imprensa

Visualizar notícia
Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Lula desistiu dos Correios para devolução de celulares

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Adriano Gianturco

Atos de 8 de janeiro

Doutrina da Razão de Estado

Golpe de estado

Maquiavel

< Notícia Anterior

RN veta PL que institui sexo biológico para definir gênero de atletas

16.01.2024 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Lula vai ao Ceará inaugurar segunda sede do ITA

16.01.2024 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Adriano Gianturco

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (6)

Neusa

2024-01-17 12:59:13

Se queria arranar um modo para que aquela calhordice fosse algo que não acontceu é melhor procurar outras fontes. Esta foi ruim e não serve para nada!


GIL FERREIRA FERNANDEZ

2024-01-17 10:40:57

O populismo, seja de direita ou de esquerda, tem sempre o mesmo objetivo. Tomar e permanecer no poder. A democracia deveria estar mais forte para evitar que isso aconteça. Infelizmente, não é o que se vê no Brasil. As metodologias são diferentes, mas, os objetivos são os mesmos.


Manoel Antonio Da Fonseca Couto Gomes Pereira

2024-01-17 08:01:19

Artigo excelente e esclarecedor. Muito obrigado.


Jaime

2024-01-17 06:53:04

Mostrou bem o Estado que nos governa desde 01/01/23


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-01-17 05:42:01

Claro e conciso.


MARCOS ANTONIO RAINHO GOMES DA COSTA

2024-01-16 17:13:17

FALOU TUDO O QUE ESTÁ OCORRENDO NO BRASIL AGORA.


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (6)

Neusa

2024-01-17 12:59:13

Se queria arranar um modo para que aquela calhordice fosse algo que não acontceu é melhor procurar outras fontes. Esta foi ruim e não serve para nada!


GIL FERREIRA FERNANDEZ

2024-01-17 10:40:57

O populismo, seja de direita ou de esquerda, tem sempre o mesmo objetivo. Tomar e permanecer no poder. A democracia deveria estar mais forte para evitar que isso aconteça. Infelizmente, não é o que se vê no Brasil. As metodologias são diferentes, mas, os objetivos são os mesmos.


Manoel Antonio Da Fonseca Couto Gomes Pereira

2024-01-17 08:01:19

Artigo excelente e esclarecedor. Muito obrigado.


Jaime

2024-01-17 06:53:04

Mostrou bem o Estado que nos governa desde 01/01/23


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-01-17 05:42:01

Claro e conciso.


MARCOS ANTONIO RAINHO GOMES DA COSTA

2024-01-16 17:13:17

FALOU TUDO O QUE ESTÁ OCORRENDO NO BRASIL AGORA.



Notícias relacionadas

Rubio tem más notícias para Flávio Bolsonaro

Rubio tem más notícias para Flávio Bolsonaro

Redação Crusoé
26.06.2026 09:36 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Venezuela ia reestruturar sua dívida. Aí veio o terremoto

Venezuela ia reestruturar sua dívida. Aí veio o terremoto

José Inácio Pilar
26.06.2026 09:33 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Bia Kicis lamenta vídeo de Michelle sobre Flávio: "Caiu como uma bomba"

Bia Kicis lamenta vídeo de Michelle sobre Flávio: "Caiu como uma bomba"

Redação Crusoé
25.06.2026 19:06 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Tabata tenta atrair Cazé para movimento contra as bets

Tabata tenta atrair Cazé para movimento contra as bets

Redação Crusoé
25.06.2026 15:58 2 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso