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Assessores de ex-líder de Witzel falam em 'fundo solidário' para explicar rachid

Assim como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro preso pelo esquema de rachid, assessores de outro gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro também apresentaram versões tidas como pouco críveis pelos investigadores para justificar movimentações suspeitas em suas contas. Na denúncia contra o deputado estadual Márcio Pacheco (na foto a direita), do PSC, o...

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Fabio Serapião
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Luiz Vassallo
3 minutos de leitura 07.07.2020 16:30 comentários 0
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Assim como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro preso pelo esquema de rachid, assessores de outro gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro também apresentaram versões tidas como pouco críveis pelos investigadores para justificar movimentações suspeitas em suas contas.

Na denúncia contra o deputado estadual Márcio Pacheco (na foto a direita), do PSC, o MP do Rio aborda a criação de uma “estória de cobertura” pelos investigados para encobrir os supostos esquemas de desvios de salários. Uma delas envolve até um “fundo solidário” criado entre os assessores.

Pacheco, que é ex-líder do governo Wilson Witzel na Alerj, foi o primeiro a ser denunciado nas investigações que identificaram 207 milhões de reais em transações suspeitas no Legislativo do Rio. Seu chefe de gabinete, André Santolia, movimentou 1,7 milhão de reais entre 2016 e 2017, e é tido como o Queiroz do esquema, o operador financeiro.

Ao serem chamados para se explicar sobre suas transferências para a conta de Santolia, os assessores do gabinete de Pacheco apresentaram duas linhas de argumentação ao Ministério Público. A primeira é de que eles teriam feito empréstimos pessoais ao chefe de gabinete de Pacheco. Os servidores dizem que os “empréstimos” eram entregues em espécie – sobre eles, ninguém mostrou qualquer documentação, e sequer lembrava de seus valores.

De acordo com o MP, os funcionários ainda criaram a desculpa de um “fundo solidário”, que reuniria aporte de seus integrantes para constituir um “capital conjunto”. O dinheiro ficava sob a guarda de Santolia, e se alguém precisasse de um empréstimo, recorreria ao “fundo” sem pagar juros.

“Questionados acerca das informações básicas quanto ao funcionamento do referido “fundo”, nenhum dos pretensos participantes soube precisar como este operava”, diz a Procuradoria-Geral de Justiça do Rio.

Uma das servidoras que mencionou o tal “fundo solidário” foi Adriana Pieroni, que transferiu 79% de seus salários  para a conta de Santolia. Em todo o ano de 2016, os repasses dela somaram 68 mil reais, de um total de 87 mil que faturou naquele período. O mesmo se repetiu nos anos seguintes. Outra declarada adepta do “fundo solidário” é Dayllane Muniz, que repassou 40 mil reais em um ano ao chefe de gabinete, equivalentes a 86% de seus salários.

O assessor Leonardo Dias, que foi nomeado em 2014 no gabinete de Pacheco, e ficou na função até 2017, nunca confeccionou sequer um crachá de funcionário da Alerj. Também não soube descrever ou apresentou qualquer documento sobre seus serviços para Márcio Pacheco. Ele repassou 45 mil reais para Santolia, boa parte de seus vencimentos. Questionado sobre como conseguiria sobreviver sem seus salários, ele justificou que “fazia bicos consertando barcos” - a atividade, entretanto, não gerou notas fiscais nem declaração ao Fisco, diz o MP.

No gabinete de Flávio Bolsonaro, situação semelhante é alvo de investigação. Homem de confiança, apontado como arrecadador dos esquemas, Fabrício de Queiroz justificou, inicialmente, que suas movimentações financeiras atípicas tinham como origem negócios envolvendo a compra e venda de carros usados. Depois, ele justificou aos investigadores que arrecadava dinheiro dos assessores de Flávio para contratar assessores informais.

O Ministério Público do Rio investiga se outros investigados do caso que corroboraram com essa versão estariam combinando seus depoimentos, sob ordens de Queiroz, e com ajuda do advogado Luís Gustavo Botto Maia, braço de Flávio Bolsonaro.

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