Você já parou para pensar no motivo de bocejar só de ver outra pessoa bocejar? Acontece que a ciência revela que isso não é coincidência nem falta de educação. Pesquisadores descobriram que o bocejo não é causado apenas pelo cansaço, esse reflexo é contagioso porque está conectado à empatia.
A neurociência aponta que o “bocejo por contágio” está diretamente ligado à capacidade de interpretar os estados emocionais e as intenções de outras pessoas. Quando alguém boceja, o cérebro de quem está por perto capta isso como um sinal de sonolência, tédio, fome ou estresse e aciona automaticamente um estado de alerta.
Essa resposta teria surgido como uma ferramenta de sobrevivência. Ao propagar o estado de atenção por todo o grupo, o bocejo funcionaria como um aviso coletivo contra ameaças externas, sem precisar de palavras.
Isso explica por que pessoas com condições que afetam a empatia e a cognição social, como o autismo e a esquizofrenia, apresentam menor suscetibilidade ao contágio. Em contrapartida, pessoas com maior capacidade empática tendem a bocejar mais facilmente ao ver outros.
O que acontece no cérebro?
Os neurônios-espelho são os principais responsáveis pelo efeito de contágio. Essas células cerebrais são ativadas quando observamos alguém realizando uma ação, como se o movimento fosse recriado internamente, sem que a pessoa precise realizá-lo de fato.
Ao ver um rosto bocejando, os neurônios-espelho do giro frontal inferior entram em ação. Outras regiões cerebrais associadas à empatia e ao comportamento social também são ativadas, incluindo o cíngulo posterior, o sulco temporal superior e o córtex pré-frontal ventromedial.
Não é exclusividade humana
O bocejo não é único dos seres humanos. A maioria dos animais com coluna vertebral boceja, de aves e tartarugas a crocodilos e peixes. Nos humanos, o comportamento aparece ainda durante o terceiro trimestre de gestação, antes mesmo do nascimento.
Ao longo da vida, a frequência dos bocejos aumenta e eventualmente o “bocejo por contágio” surge. Mas há um detalhe nisso: crianças com menos de cinco anos não são afetadas pelo contágio e só passam a “pegar” o bocejo dos outros por volta dos seis anos de idade. A razão está no desenvolvimento tardio de duas habilidades cognitivas: a empatia e a cognição social.




