Localizada no meio do deserto do Saara, existe uma formação geológica tão grande que só pode ser vista em toda a sua extensão a partir do espaço. Com 40 quilômetros de diâmetro, a Estrutura de Richat ficou conhecida mundialmente como o “Olho do Saara” e voltou a ganhar atenção após a NASA divulgar uma nova imagem de satélite da formação em abril de 2026.
A imagem foi composta a partir de registros dos satélites Landsat 8 e Landsat 9, feitos em março de 2026. Ela mostra em detalhes os anéis circulares de rocha em tons de laranja e cinza que formam o padrão característico da estrutura, localizada no platô de Adrar, na Mauritânia, no noroeste do continente africano.
A descoberta que causou confusão
A Estrutura de Richat foi descrita pela primeira vez por geógrafos franceses na década de 1930. Na época, eles a chamaram de “abotoadura” de Richat, em referência ao acessório usado nos punhos de camisas sociais.
Décadas depois, os astronautas Ed White e James McDivitt fotografaram a formação durante a missão Gemini IV da NASA, um dos primeiros voos tripulados de longa duração dos Estados Unidos. A imagem vista do espaço impressionou e levantou uma das principais hipóteses da época: a de que a estrutura seria uma cratera de impacto de meteorito.
Pesquisas posteriores derrubaram essa teoria. O que se descobriu é que a formação surgiu quando rochas foram “empurradas para cima” por material vulcânico no subsolo. Ao longo de milhões de anos, a erosão desgastou essas rochas de forma irregular, criando os anéis concêntricos que intrigam até hoje.
A formação vai além da geologia
As variações de cor que aparecem na imagem divulgada pela NASA revelam a diversidade de rochas presentes na formação e na paisagem ao redor, e essa paisagem guarda muito mais do que história geológica.
O platô de Adrar concentra ferramentas de pedra deixadas por populações pré-históricas, pinturas rupestres e ruínas de cidades medievais que serviam de parada para caravanas que cruzavam o Saara. Para a agência espacial americana, a área é um exemplo raro de lugar onde a história humana e a geologia se sobrepõem em uma escala difícil de imaginar a partir do solo.




