Alta do custo de vida pressiona Trump nos EUA
Alta do petróleo e dos juros imobiliários mudam comportamento dos americanos e desgastam popularidade de Trump
A combinação de gasolina acima de 4,50 dólares por galão, juros altos e crédito mais caro começou a mudar o comportamento de consumo nos Estados Unidos. Famílias estão reduzindo viagens, adiando compras e cortando gastos cotidianos num momento em que a inflação volta a pressionar a Casa Branca e amplia o desgaste econômico de Donald Trump.
O aumento dos combustíveis virou o símbolo mais visível dessa nova fase. Segundo os dados mais recentes, os preços subiram cerca de 45% desde fevereiro, impulsionados pela guerra envolvendo EUA, Irã e Israel e pelas interrupções do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
A temporada de férias de verão, quando os americanos costumam viajar de carro, começou sob risco de novos aumentos, com projeções de gasolina acima de 5 dólares em alguns estados.
O impacto já aparece no consumo. Os americanos estão saindo menos para jantar, reduzindo deslocamentos e tentando reorganizar o orçamento doméstico diante da alta simultânea de energia, alimentos e serviços.
O movimento chega num momento em que os salários perderam força real em vários setores e o crédito voltou a encarecer.
O mercado imobiliário também entrou na conta. As taxas das hipotecas de 30 anos voltaram para perto de 6,5%, o maior nível em meses, reduzindo ainda mais o acesso à compra de imóveis.
Dados da Freddie Mac, empresa que atua no financiamento imobiliário nos Estados Unidos, mostram que o financiamento médio avançou rapidamente nas últimas semanas, acompanhando a alta dos títulos do Tesouro americano.
Analistas de mercado passaram a enxergar um risco crescente de desaceleração mais forte da economia americana no segundo semestre. Empresas aéreas já alertaram para aumento de custos com combustível, enquanto consumidores enfrentam parcelas mais altas em cartões, financiamentos e empréstimos.
Parte dos investidores agora acredita que o Federal Reserve, mesmo sob o comando de Kevin Warsh, novo presidente indicado por Donald Trump, poderá manter juros elevados até o fim do ano.
Além disso, o sentimento do consumidor registrou o menor nível da história em maio, com o Índice da Universidade de Michigan caindo para 48,2 pontos, um novo recorde negativo desde o início da pesquisa, em 1952.
Famílias de baixa renda estão sendo as mais afetadas, cortando não só viagens, mas também gastos essenciais como alimentação e saúde. Analistas estimam que o americano médio gastará entre 800 e 900 dólares a mais só com gasolina até o fim do ano.
Esse cenário ajudou a derrubar a confiança econômica dos americanos. Pesquisa publicada pelo Washington Post mostrou aumento do pessimismo sobre inflação, custo de vida e perspectivas financeiras, aumentando a pressão política sobre Trump às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro.
A escalada dos custos de energia e financiamento levou bancos a reduzir projeções para crescimento e consumo nos Estados Unidos.
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