SpaceX leva mercado a nova corrida especulativa
Wall Street vive nova onda de entusiasmo com IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic, atraindo bilhões antes das estreias
Wall Street começou a tratar 2026 como o ano da maior corrida por ações de tecnologia desde a bolha da internet, no começo dos anos 2000. A expectativa em torno das esperadas aberturas de capital de SpaceX, OpenAI e Anthropic criou um movimento raro no mercado americano, com bancos, fundos e investidores tentando se posicionar antes mesmo das ofertas serem oficialmente lançadas.
A joia da coroa dessa disputa é a SpaceX, empresa de Elon Musk que pode chegar à bolsa com valor entre 1,5 trilhão e 2 trilhões de dólares. Se isso acontecer, será a maior oferta pública da história, acima da petroleira saudita Saudi Aramco.
O interesse não vem apenas do setor espacial. A empresa passou a vender ao mercado a ideia de que também pode se tornar uma peça da infraestrutura de inteligência artificial, usando seus milhares de satélites já em órbita e redes de dados em larga escala.
Os documentos ligados à operação mostram uma empresa ainda marcada por grandes prejuízos, pressionada pelos custos da xAI, empresa de inteligência artificial criada por Musk. Mesmo assim, investidores continuam apostando que bilionário sul-africano conseguirá repetir o padrão que transformou Tesla e SpaceX em ativos quase imunes às métricas tradicionais do mercado.
Mudanças recentes nas regras da Nasdaq aceleraram ainda mais o entusiasmo. Empresas recém-listadas poderão entrar rapidamente em índices como o Nasdaq 100, obrigando fundos passivos a comprar bilhões de dólares em ações logo após a estreia.
Isso cria uma pressão automática de demanda que tende a elevar preços e ampliar a volatilidade nas primeiras semanas de negociação. Parte do mercado vê semelhanças com outros períodos de euforia financeira.
A diferença é que, desta vez, a inteligência artificial virou o eixo central da narrativa. OpenAI e Anthropic também são tratadas como futuras gigantes de bolsa antes mesmo de terem modelos claros de como ou quando serão lucrativas para os investidores.
A SpaceX foi descrita pela The Economist como um exemplo mais extremo desse momento do mercado movido pela abundância de capital e disposição para financiar projetos que misturam ciência, infraestrutura e ambições quase futuristas.
O problema é que parte dessas apostas depende de negócios que ainda não existem em escala comercial, como centros de dados orbitais e operações ligadas à colonização de Marte.
Por enquanto, isso não diminuiu o apetite dos investidores. Em Wall Street, a corrida parece ter deixado de ser por empresas lucrativas e passado a girar em torno de quem parece mais próximo de dominar a próxima infraestrutura da economia digital.
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