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Edição Semana 347

De Sorocaba a Jerusalém

Nasci em dezembro de 1939 e cedo aprendi que ser judeu implicava em risco de vida

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Jaime Pinsky
7 minutos de leitura 27.12.2024 03:30 comentários 2
De Sorocaba a Jerusalém
Kibutz atacado pelo Hamas no 7 de outubro. Foto: Embaixada americana em Israel
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Nasci e passei a infância em Sorocaba.

Dentre as muitas lembranças que carrego de lá duas têm um relevo especial: a repressão às greves operárias – minha casa ficava a poucos metros de uma fábrica têxtil e muito perto das oficinas da então Estrada de Ferro Sorocabana – e as festas religiosas, cristãs e judaicas.

A cidade não tinha sinagoga, clube, ou escola judaica.

Mas, desde pequeno, eu sabia que era judeu.

Nasci em dezembro de 1939 e cedo aprendi que ser judeu implicava em risco de vida.

Pais, tios, conhecidos, judeus e não judeus se encarregaram de deixar isso bem claro.

Fui informado, diretamente e pelo choro mal disfarçado de minha mãe, que os que haviam ficado na Europa, em vez de se mudarem para o Novo Mundo, muitos familiares, tinham virado cinza, parcela dos 6 milhões assassinados pelos nazistas alemães e seus aliados.

Uma garota que morava perto e brincava de roda com a minha irmã falou que os judeus mereceram isso, pois tinham matado Jesus.

Mas meu tio, que morava com a gente, dizia que esse era um argumento absurdo, referia-se a fatos ocorridos muito tempo atrás, quando a avó da minha avó nem pensava em nascer e que não era razoável culpar todos os judeus, que nasceram séculos e séculos depois, de algo que, no final das contas, tinha sido perpetrado pelos romanos.

Para ele, uma espécie de intelectual da família, essas ideias só existiam, assim como a perseguição aos judeus, porque estes não tinham uma pátria só deles, como brasileiros e americanos, para defender seus cidadãos.

“Mas algum dia ainda terão”, ele acrescentava sempre.

Meu tio entendia de política internacional.

Eu não entendia muito, mas lia jornal desde muito cedo e com cinco anos de idade já tinha decidido estudar História.

Li, na época, sobre a fantástica capacidade de produzir cultura por parte do ser humano – em poucos milhares de anos nosso cérebro aprendeu a construir conceitos e, logo depois, com a escrita, já conseguíamos registrá-los.

Há 20 mil anos, nossos avós já tinham criado representações de humanos e animais, logo depois conciliamos sons para que ficassem harmoniosos, investigamos a alma em profundidade e o universo buscando desvendá-lo.

O que não aprendemos ainda é a conviver harmoniosamente.

E, por ódio inculcado dogmaticamente os judeus, há muito tempo, se transformaram no bode expiatório, o culpado pelas chuvas e pelas secas, pela falta de fé, ou pelo excesso dela, por se deixarem abater sem reagir, ou por reagir além da conta, como se houvesse uma medida exata nas mãos daqueles que falam em “reação desproporcional”.

Há poucos dias ouvi de um estudante, não inteiramente analfabeto, que os israelenses não deveriam reagir contra o massacre de 7 de outubro de 2023, pois os atacantes não tinham noção exata do que estavam fazendo…

Não sabiam que não se deve estuprar garotas na frente de seus pais, antes de assassinar uns e outros em um tranquilo kibutz?

Não sabiam que estavam rodando pelas estradas sem identificação bélica alguma, armas escondidas, nenhum uniforme, como se fossem grupos de amigos em busca de lugar para piquenique e não um bando de criminosos machistas com sede de sangue?

Não sabiam que apenas graças a isso (e à consequente suposição de que não se tratava de inimigos) tiveram total liberdade para rodar dentro de Israel sem serem parados?

Não sabiam que, depois do maior genocídio da História (este, sim, foi um genocídio), teoricamente concebido, cuidadosamente executado, os judeus, que perderam, entre os anos 1930 e 1940, mais do que 40% de sua população, além verem destruída a civilização de língua iídiche, que hoje é uma língua morta, não estavam mais dispostos a depender de terceiros para se defender?

Em Israel, com todos os problemas que o jovem país tem, mulheres são livres e têm direitos semelhantes aos dos homens, a não ser que alguma regra religiosa limite sua ação, sejam elas judias, muçulmanas ou cristãs.

Em Israel, homens e mulheres homossexuais não são encarcerados, humilhados e, eventualmente, executados, por serem homossexuais, como em alguns países islâmicos.

Foi uma surpresa o o fato de forças militares israelenses irem à luta, batalhando pela libertação dos reféns capturados pelos militantes do grupo terrorista palestino, torturados e humilhados publicamente?

E que fez o Hamas? Dispôs-se a devolver os reféns, até a trocá-los por palestinos em prisões israelenses?

Não. Filmavam cenas reais ou simuladas e espalharam pelo mundo para alimentar o ódio anti-israelense e antissemita.

E, a meu ver, encontraram, do lado israelense, um governante que se sentia confortável com o confronto, não com a busca de solução para o impasse.

No atual mundo de faz de conta, em que fatos parecem não ter importância, argumentos ridículos começaram a aparecer.

Em vez de as pessoas se unirem para buscar soluções factíveis (há como fugir à existência de dois estados independentes?), bobagens tem sido proferidas até por pessoas que, pelas funções que exercem, deveriam ser mais responsáveis.

Como comparar Israel com África do Sul, ou Congo Belga?

O surgimento do nacionalismo judaico não tem nada a ver com o colonialismo do século 16, ou o imperialismo do século 20.

E isso posso provar, como historiador. Sugiro a leitura do meu novo livro Os Judeus, sobre o assunto.

Utilizei, para escrevê-lo, longa e cuidadosa pesquisa que fiz, anos atrás, para obter o grau de livre docente da USP (tese feita anos após o doutorado e que exige autorização de vários órgãos colegiados da universidade).

A documentação provava que o sionismo, movimento que surge no século 19 na Europa, tinha o objetivo principal de salvar os judeus russos das perseguições e da miséria pelas quais o czarismo russo era responsável.

A identidade nacional judaica, formulada por diferentes pensadores, inclusive Herzl, nada tinha de imperialista.

Nem sequer recebia o apoio da maior parte dos judeus “emancipados”, aqueles que preferiam sua vida confortável na Europa Ocidental a qualquer pedaço de terra no Oriente Médio.

E mais, é fácil verificar que parte da reação islâmica ao movimento sionista deve-se ao fato de que ele pregava relações de produção comunistas (o kibutz) para a região, algo que os grandes proprietários de terra não tinham interesse em estimular, pois isso abalaria seu poder político e econômico, baseado na exploração do camponês.

Curioso que tanta gente não soubesse nada sobre isso… Está tudo no meu novo livro. Boa leitura.

Jaime Pinsky é historiador e editor, professor titular concursado da Unicamp, doutor e livre docente da USP, ex-professor da Unesp, Assis, autor e/ou coautor de 31 livros, inclusive Os Judeus, a luta de um povo para se tornar uma nação (Contexto)

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Jaime Pinsky

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Comentários (2)

Edilene Barreto

2025-01-01 13:17:27

Excelente aula de história !! Acredito que so a educação , principalmente das novas gerações poderá reduzir a ignorância de muitos sobre esse tema !! Parabéns pelo texto !!


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-29 19:14:58

O penúltimo parágrafo é algo completamente novo para mim. Ainda que considere perfeitamente plausível, não creio ser fator preponderante para as populações árabes rejeitarem Israel desde a sua concepção.


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Edilene Barreto

2025-01-01 13:17:27

Excelente aula de história !! Acredito que so a educação , principalmente das novas gerações poderá reduzir a ignorância de muitos sobre esse tema !! Parabéns pelo texto !!


Carlos Renato Cardoso Da Costa

2024-12-29 19:14:58

O penúltimo parágrafo é algo completamente novo para mim. Ainda que considere perfeitamente plausível, não creio ser fator preponderante para as populações árabes rejeitarem Israel desde a sua concepção.



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