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Após período de flexibilização, escolas voltam a endurecer mais as regras para os alunos em 2026

Aprovação automática perde espaço, celular é proibido até no recreio e Novo Ensino Médio amplia exigências

Por Sofia Volpi
05/05/2026
Em Geral
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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A partir de 2026, redes públicas e privadas retomam normas mais rígidas de avaliação, disciplina e organização escolar, alinhadas ao fim de medidas transitórias que priorizavam apenas a permanência dos estudantes.

O que era a proteção e o estrago que ela deixou

A chamada aprovação automática é um uso distorcido da progressão continuada, entendida em muitos lugares como passagem obrigatória de ano, independentemente da aprendizagem real. Os resultados são preocupantes.

O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024 aponta que, em 2023, apenas 55,9% dos alunos do 2º ano do ensino fundamental estavam alfabetizados.

O nível de aprendizagem adequada em Português e Matemática atingiu apenas 31,2% nos anos iniciais do ensino fundamental, 12,3% nos anos finais e 3,2% no ensino médio.

Esses números revelam o custo real de anos de tolerância sem contrapartida pedagógica.

O fim da promoção automática

A partir de 2026, os alunos precisarão atingir notas mínimas e comprovar presença em pelo menos 75% das aulas para serem promovidos ao próximo ano letivo. A regra vale para redes públicas e privadas.

Em redes como a do Rio Grande do Sul, normas para 2026 limitam o avanço de estudantes reprovados em vários componentes, priorizando recuperação mais profunda antes da progressão para a próxima etapa. São Paulo segue caminho semelhante.

Os dados do Inep mostram o tamanho do desafio. As taxas médias nacionais de reprovação em 2023 eram de 2,5% nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,8% nos anos finais e 5,3% no ensino médio. Com as novas regras, esses números tendem a subir antes de cair.

Celular proibido até no recreio

Leis aprovadas em 2024 e 2025 passam a restringir de forma mais ampla o uso de celulares nas escolas em 2026, não só em sala de aula, mas também em corredores, recreios e intervalos.

Em muitos regimentos, o estudante deve manter o aparelho desligado ou guardado, com exceções apenas para fins pedagógicos autorizados ou situações médicas.

A medida responde a um problema documentado. Conflitos de redes sociais que invadem o ambiente escolar, distração durante o estudo e exposição a conteúdos inadequados estão entre as razões listadas pelas autoridades de ensino para o endurecimento.

O Novo Ensino Médio entra de vez

Disciplinas como Português e Matemática passam de 1.800 para 2.400 horas ao longo do ciclo, reforçando conteúdos considerados fundamentais e alinhados às avaliações nacionais.

Os itinerários formativos tendem a ser mais focados em competências essenciais, reduzindo ofertas pouco conectadas ao currículo nacional.

A lógica é preparar melhor para o Enem e para o mercado de trabalho. A carga horária extra representa 600 horas a mais de formação nas duas disciplinas centrais da educação básica.

O risco de apertar sem apoiar

Especialistas alertam para o outro lado da moeda. Pesquisadores da área defendem que não vai ser reprovando todos os que mereceriam ser reprovados que o problema será resolvido. O risco é aumentar a evasão escolar no lugar de garantir aprendizado.

Em 2019, as taxas de insucesso na educação básica, somando reprovação e abandono, eram de 10,2% no 3º ano do ensino fundamental, 13,8% no 6º ano e 21,3% no 1º ano do ensino médio. Voltar a esses patamares sem estrutura de apoio seria um retrocesso.

O consenso entre educadores é que o endurecimento só funciona se vier acompanhado de reforço real, professores capacitados e suporte às famílias. Sem isso, a régua mais alta corre o risco de expulsar exatamente quem mais precisa ficar.

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Sofia Volpi

Sofia Volpi

Comunicadora, jornalista em formação. Apaixonada por esportes e cultura, colunista.

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