Crusoé
01.08.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Colunistas

Guerra cultural para quê?

Na verdade, expressão designa guerra de propaganda pura e simples; arte e cultura passam ao largo, apesar de serem usadas como instrumento

Crusoe
Redação Crusoé
4 minutos de leitura 04.08.2023 03:30 comentários 4
Guerra cultural para quê?
Estátua de Carlos Gomes (1836-1896) no centro do Rio; compositor teve seus estudos pagos por dom Pedro 2º
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Setores da direita têm cobrado o governador Tarcísio de Freitas para que atue na chamada guerra cultural. Ricardo Salles, ex-ministro de Jair Bolsonaro, cobrou especificamente isso do governador: “É muito mais fácil fazer estrada que combater a esquerda. Os ministérios ideológicos, Justiça, Educação, Cultura. É ali que a briga ideológica acontece”, afirmou Salles em reunião do PL no começo do mês de julho.

O termo "guerra cultural" foi amplamente difundido nos Estados Unidos na década de 1990, a partir do livro de James Davison Hunter. No Brasil, ele se difundiu especialmente a partir de junho de 2013, em termos muito próximos da guerra cultural norte-americana descrita por Hunter — em opiniões que se dividem em duas polaridades distintas, em temas como aborto, legislação sobre armas, uso de drogas, homossexualidade etc.

Durante o governo Bolsonaro, a guerra cultural esteve em pauta diariamente, seja na atuação do presidente, seja na dos ministros ou da militância, tendo como palco especialmente as redes sociais.

Primeiro de tudo, é preciso que se diga: guerra cultural não tem nada de propriamente cultural. Na prática, guerra cultural é guerra de propaganda pura e simples. Arte e cultura passam ao largo, apesar de serem usadas como instrumento.

Assim, a guerra cultural bolsonarista não resultou em nenhuma obra cultural ou artística, mesmo dispondo do orçamento do governo federal, da gestão das leis de incentivo e tendo ao seu lado uma boa parcela do empresariado. Só com este último, o governo poderia ter incentivado uma grande quantidade de obras musicais, cinematográficas, teatrais e até arquitetônicas — mas não o fez. Com isso, poderia ter feito a diferença contra a hegemonia da esquerda na cultura.

Preferiu os embates em rede social. O problema é que esses embates, apesar de terem no curto prazo o efeito de agregar a militância, constantemente tem o efeito oposto no âmbito da cultura. Por exemplo: o boicote ao filme Marighella feito por uma parcela da direita só favoreceu o filme.

Não é à toa que a Igreja Católica parou (já há décadas) de proibir filmes — porque isso os promovia.

A longo prazo, a guerra cultural provoca um esgotamento dos envolvidos. É que reclamar adianta pouco ou nada. O escândalo promoveu muitos artistas e muitas obras, e é até hoje um mecanismo usado pelo marketing.

A única forma possível de atuação na cultura — mesmo que tenha por objetivo um efeito político — é através da ação positiva, de incentivo, criação e resgate de obras de valor. Os efeitos podem não ser imediatos, mas são duradouros.

Temos bons exemplos na nossa história: o incentivo às artes que aconteceu no Segundo Reinado — inclusive com Pedro 2º pagando do próprio bolso os estudos do compositor Carlos Gomes na Europa —, com o claro objetivo da procura da identidade nacional, dá frutos até hoje.

Os efeitos do Movimento Regionalista — encabeçado por Gilberto Freyre, então um jovem de 26 anos — repercutiram formando toda uma identidade regional nordestina que foi a base da literatura de grandes escritores, tais como José Lins do Rego, Ariano Suassuna etc. Para a escultura de Aberlado da Hora e Francisco Brennand. Para a Orquestra Armorial e a música de Guerra-Peixe e Clóvis Pereira. O Auto da Compadecida, um dos filmes mais queridos do cinema nacional, é talvez a obra mais conhecida desse movimento.

Também Gustavo Capanema, ministro de Getúlio Vargas, deixou um legado na cultura que transcendeu gerações e mesmo a ideologia do governo do qual participou. Capanema tinha sua constelação de gênios — Villa-Lobos, Portinari, Drummond —, que formou a mais brilhante geração de artistas da história do Brasil.

Até os governos militares tiveram uma importante atuação na cultura, criando a Embrafilme. Os filmes produzidos lá repercutiram internacionalmente, tiveram milhões de espectadores nos cinemas. O público proporcional do cinema brasileiro nunca foi tão alto: se hoje os filmes brasileiros ocupam 1% das salas, naquela época ocupavam 10%.

A guerra cultural, apesar de não ter efeitos culturais, pode beneficiar os agentes imediatamente com curtidas, votos ou dinheiro, mas degrada o ambiente como um todo.

 

Josias Teófilo é cineasta, jornalista e escritor

Diários

Crusoé nº 431: Procura-se um vice

Redação Crusoé Visualizar

"Somos próximos do governo, igual irmãos Batista"

Duda Teixeira Visualizar

"Extremamente grave", diz TI Brasil sobre encontro "discreto" articulado por Wagner

Redação Crusoé Visualizar

Ler ficção para ler a ficção da política

Gustavo Nogy Visualizar

Trump usa crise migratória na Espanha como arma eleitoral

Redação Crusoé Visualizar

Janaina Paschoal se rebela contra cacique do PP

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

A corrida das canetas emagrecedoras nacionais vai derrubar os preços?

A corrida das canetas emagrecedoras nacionais vai derrubar os preços?

Visualizar notícia
A missão impossível de Haddad

A missão impossível de Haddad

Visualizar notícia
A missão (quase impossível) de Eduardo Leite no RS

A missão (quase impossível) de Eduardo Leite no RS

Visualizar notícia
A TV ainda vale tanto quanto a internet nas eleições

A TV ainda vale tanto quanto a internet nas eleições

Visualizar notícia
Cafezinho com Moraes foi para falar de Lulinha?

Cafezinho com Moraes foi para falar de Lulinha?

Visualizar notícia
"Extremamente grave", diz TI Brasil sobre encontro "discreto" articulado por Wagner

"Extremamente grave", diz TI Brasil sobre encontro "discreto" articulado por Wagner

Visualizar notícia
Janaina Paschoal se rebela contra cacique do PP

Janaina Paschoal se rebela contra cacique do PP

Visualizar notícia
O Rio sem bolsonarismo

O Rio sem bolsonarismo

Visualizar notícia
Procura-se um vice

Procura-se um vice

Visualizar notícia
"Somos próximos do governo, igual irmãos Batista"

"Somos próximos do governo, igual irmãos Batista"

Visualizar notícia

Tags relacionadas

arte

bolsonarismo

Carlos Gomes

cultura

Embrafilme

Esquerda

Gilberto Freyre

guerra cultural

Gustavo Capanema

Ricardo Salles

Tarcísio de Freitas

< Notícia Anterior

O orçamento imaginário de Lula

04.08.2023 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

A polícia mais mortal do país, no estado mais mortal do país

10.08.2023 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar

Redação Crusoé

Suas redes

Twitter Instagram Facebook

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (4)

Renata

2023-08-16 12:22:54

Já ouvi gente da direita dizendo que é besteira investir em cultura, que o negócio é produzir e ganhar dinheiro. Como se cultura, bem conduzida, tb não rendesse dinheiro.


JOSE DANILO ALVES DA SILVA

2023-08-09 13:53:00

Acho que a internet e o serviços de streaming promoveram o êxodo nos cinemas. "Antigamente" se você perdesse um filme no cinema tinha que esperar um bom tempo para poder assistir na tv ou vídeo cassete. Hoje é tudo mais rápido e fácil. Acho que hoje só quem curte muito cinema ainda frequenta as salas. É o meu caso.


Maria

2023-08-04 19:58:01

Muito interessante e esclarecedor!


Albino

2023-08-04 09:42:56

Excelente!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (4)

Renata

2023-08-16 12:22:54

Já ouvi gente da direita dizendo que é besteira investir em cultura, que o negócio é produzir e ganhar dinheiro. Como se cultura, bem conduzida, tb não rendesse dinheiro.


JOSE DANILO ALVES DA SILVA

2023-08-09 13:53:00

Acho que a internet e o serviços de streaming promoveram o êxodo nos cinemas. "Antigamente" se você perdesse um filme no cinema tinha que esperar um bom tempo para poder assistir na tv ou vídeo cassete. Hoje é tudo mais rápido e fácil. Acho que hoje só quem curte muito cinema ainda frequenta as salas. É o meu caso.


Maria

2023-08-04 19:58:01

Muito interessante e esclarecedor!


Albino

2023-08-04 09:42:56

Excelente!



Notícias relacionadas

A influência russa na África

A influência russa na África

Caio Mattos
04.08.2023 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
Oppenheimer pede: “toca Raul”!

Oppenheimer pede: “toca Raul”!

Leonardo Barreto
04.08.2023 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
O SUS é a verdadeira medicina alternativa

O SUS é a verdadeira medicina alternativa

Alexandre Soares Silva
04.08.2023 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
O superplano do Centrão

O superplano do Centrão

Wilson Lima
04.08.2023 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Preocupada com a privacidade, Apple recua e adia lançamento de óculos inteligentes

Preocupada com a privacidade, Apple recua e adia lançamento de óculos inteligentes

Visualizar notícia
Globo anuncia para o mercado que vai vender a Copa do Mundo no Brasil

Globo anuncia para o mercado que vai vender a Copa do Mundo no Brasil

Visualizar notícia
Confederação norte americana nega apoio à proposta da Fifa de vender competições

Confederação norte americana nega apoio à proposta da Fifa de vender competições

Visualizar notícia
Você se lembra? Paisagem histórica do Windows XP está irreconhecível nos dias de hoje

Você se lembra? Paisagem histórica do Windows XP está irreconhecível nos dias de hoje

Visualizar notícia
Após anúncio de aposentadoria, Neymar recebe homenagem em museu do Santos

Após anúncio de aposentadoria, Neymar recebe homenagem em museu do Santos

Visualizar notícia
Game boy no celular: jogos históricos de Pokémon estão disponíveis na palma da mão

Game boy no celular: jogos históricos de Pokémon estão disponíveis na palma da mão

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso