Péter Magyar considera a Rússia "um risco à segurança"
Novo premiê da Hungria faz alerta em primeiro discurso após derrotar Orbán
O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, afirmou nesta segunda-feira, 13, que a Rússia representa um "risco à segurança" do país e de toda Europa.
Em seu primeiro discurso após derrotar Viktor Orbán, Magyar disse que o continente europeu precisa se preparar para se defender diante das ameaças externas.
"A Rússia é um risco à segurança? Eu acredito que sim. Acho que todos sabem, nós conhecemos os russos. Não estou falando do povo russo, da cultura russa... O povo russo é composto por pessoas fantásticas. Mas o "urso russo" na história húngara, nós sentimos em 1849, 1944, em 1945, mas também em 1956. E depois eles estiveram aqui conosco por muito tempo. Então, sabemos exatamente do que se trata e a Europa precisa ser capaz - e os Estados-membro individualmente - mas a Europa precisa se preparar para isso, precisa se proteger e se defender."
Derrotado por um "insider"
A derrota de Orbán representa o fim de um governo de 16 anos.
O ex-premiê não caiu diante de uma oposição liberal tradicional, que ele aprendeu a neutralizar, mas diante de um dissidente do seu próprio sistema.
"O fator decisivo aqui foi a quebra do monopólio da narrativa nacionalista: quando um "insider" expôs as engrenagens da corrupção e do nepotismo do Fidesz, o feitiço da "soberania” contra as elites globais perdeu o efeito, pois o inimigo passou a ter o rosto de quem estava sentado em Budapeste, e não em Bruxelas", diz o analista Márcio Coimbra, CEO da Casa Política.
Economia e corrupção
A economia húngara se tornou um ponto crítico.
A inflação atingiu patamares históricos e o congelamento dos fundos da União Europeia - devido a medidas pouco democráticas - criou uma asfixia financeira que a classe média húngara não pôde ignorar.
"A retórica de "ocupar Bruxelas" soou vazia quando o cidadão comum percebeu que o isolamento político estava transformando a Hungria no "primo pobre" e solitário do bloco. Viver na Europa permite notar que o pragmatismo econômico húngaro sempre teve um limite: o bolso. No momento em que a manutenção do modelo de Orbán passou a custar mais caro do que os benefícios que ele prometia, o contrato social da "democracia iliberal" foi rescindido nas urnas", acrescentou Coimbra.
O prego final no caixão foi o aumento da corrupção em todo o país e os benefícios concedidos aos amigos de Orbán.
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