“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, virou alvo de críticas no Reino Unido após entrar em uma lista de filmes com títulos considerados enganosos.
A revista cultural britânica Far Out incluiu o longa brasileiro entre os seis nomes apontados como os mais “misleading”, ou seja, mais enganosos, por sugerirem ao público uma proposta diferente da que entregam.
A crítica não atingiu a qualidade do filme como um todo. O texto da Far Out questiona, sobretudo, o título em inglês, The Secret Agent, por dar a impressão de um thriller de espionagem mais direto, próximo do universo de James Bond.
Na visão da publicação, a obra segue outro caminho e aposta em política, memória e atmosfera histórica.
Crítica ao título ‘O Agente Secreto’, não ao prestígio
Em dezembro, a Associated Press destacou que “O Agente Secreto” vinha sendo tratado por críticos como um dos melhores filmes do ano e associou a obra ao novo momento do cinema brasileiro no exterior.
A mesma reportagem lembrou que o longa ganhou força depois de premiações importantes e do crescimento da visibilidade internacional de Wagner Moura e de Kleber Mendonça Filho.
Ou seja, a entrada na lista britânica funciona mais como ironia sobre marketing e expectativa do que como sinal de fracasso crítico.

Por que o título causou estranhamento
Na avaliação da Far Out, o nome “The Secret Agent” promete um filme de ação e espionagem mais convencional.
No entanto, a trama se passa no Brasil de 1977 e mergulha em temas como repressão, política e atmosfera social da ditadura. Por isso, a publicação tratou o título como um “desvio” entre expectativa e conteúdo.
Brasil e exterior reagiram de forma diferente
No Brasil, o filme foi cercado por elogios e entrou no debate sobre o bom momento da produção nacional.
Fora do país, porém, parte da recepção também passou pela forma como o longa foi apresentado ao público internacional.
A crítica britânica, nesse caso, recaiu menos sobre o conteúdo e mais sobre o enquadramento do título em inglês.



