Lula quer usar "boa química" com Trump na campanha
Presidente obteve melhora nas pesquisas eleitorais do ano passado quando se acertou com o americano
O presidente Lula viajará aos Estados Unidos para um encontro com o presidente Donald Trump na quinta, 7.
O objetivo do petista é um só: reeditar a subida que teve nas pesquisas eleitorais em outubro do ano passado, quando se encontrou com o americano em um evento para líderes asiáticos na Malásia (foto).
"Boa química"
Daquela vez, o governo brasileiro estava acuado, com a imposição unilateral de tarifas de importação a produtos brasileiros pelos Estados Unidos e a Lei Magnitsky aplicada ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Quando Trump afirmou que rolou uma "boa química" com Lula ao encontrá-lo brevemente na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, abriu-se um caminho diplomático para que as pendências fossem resolvidas.
Lula então passou a investir no discurso de defesa da soberania. Com isso, sua desaprovação nas pesquisas diminuiu.
De quebra, o presidente ainda enfraqueceu Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que se colocava como o interlocutor do Brasil em território americano.
"Com Jair Bolsonaro preso, Eduardo Bolsonaro exilado e a crise com os Estados Unidos resolvida, Lula conseguiu em três meses reverter a percepção do governo. Em meados de outubro, pela primeira vez, ele obteve uma avaliação 'ótima' e 'boa' superior à 'ruim' e 'péssima'", escreveu Bruno Soller, da Realtime Big Data, na edição especial de Crusoé.
"O slogan 'Do lado do povo brasileiro' empacotou essa série de medidas e deu a sensação de um governo que defendia o seu povo contra o imperialismo ianque", diz Soller.
Mas o efeito durou pouco.
Em novembro, a operação do então governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, contra o Comando Vermelho reverteu os bons números de Lula nas pesquisas.
"Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também", afirmou Lula à época.
Suprema Corte
Agora, não existe uma situação ruim para o Brasil que precise ser revertida.
O tarifaço já foi eliminado e a Suprema Corte americana considerou que o presidente não pode impor tarifas a outros países.
Alexandre de Moraes já está livre da Magnitsky.
Provocação
Lula, contudo, não esqueceu o empurrão que ganhou nas pesquisas ao peitar os Estados Unidos no ano passado e quer reeditar o momento.
O petista tem provocado Trump e os Estados Unidos sempre que pode.
Em abril, ele mandou retirar as credenciais de um funcionário americano que atuava na sede da Polícia Federal, em Brasília. O motivo seria penalizar os Estados Unidos, depois que um agente da PF, Marcelo Ivo Carvalho, que atuou na detenção provisória de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, foi obrigado a deixar o país.
No final de abril, o Brasil devolveu as credenciais ao agente americano.
Lula ainda tem dito que Trump se acha o "imperador do mundo" e tem criticado as ações militares americanas no Irã.
Nas disputas entre Trump e o papa Leão XIV, Lula disse que era solidário ao papa.
Trump hoje está com problemas demais nos Estados Unidos e no Oriente Médio para também se indispor com o Brasil.
Lula, assim, aproveita o momento do mundo para tentar ganhar algum dividendo político.
Mas o efeito, como da outra vez, pode ser breve.
Bastará uma frase desastrada do presidente para reverter qualquer ganho nas pesquisas.
No último Lulômetro, feito em parceria com a Realtime Big Data, o presidente está com 48% de "ruim" e "péssimo" para 27% de "bom" e "ótimo".
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