Quem abre e fecha o Estreito de Ormuz é o Irã
Presidente americano Donald Trump anunciou Projeto Liberdade, mas navios preferem não arriscar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sua rede Truth Social que, a partir da manhã desta segunda, 4, os navios petroleiros seriam guiados por forças americanas para atravessar o Estreito de Ormuz.
Acontece que Trump hoje é incapaz de mudar a realidade no Estreito de Ormuz.
Quem de fato pode abrir e fechar o Estreito de Ormuz é o Irã.
Isso porque os armadores não decidirão passar pela região, de apenas 33 quilômetros de largura, sem o aval iraniano.
Projeto Liberdade
Trump escreveu nas redes sociais que os navios serão guiados pelos americanos.
"Países de todo o mundo, quase todos sem envolvimento no conflito no Oriente Médio, que se desenrola de forma tão visível e violenta, pediram aos Estados Unidos que ajudassem a liberar seus navios, que estão retidos no Estreito de Ormuz, por algo com o qual não têm absolutamente nada a ver — são meros espectadores neutros e inocentes! Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente. Repito, esses navios são de regiões do mundo que não estão de forma alguma envolvidos com o que está acontecendo no Oriente Médio. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança. Em todos os casos, eles disseram que não retornarão até que a área se torne segura para a navegação e tudo o mais. Esse processo, o Projeto Liberdade, começará na manhã de segunda-feira, horário do Oriente Médio", afirmou o presidente.
Mas não há como fragatas e destróieres americanos escoltarem os cerca de 850 navios pelo Estreito.
O Irã tem condições de ameaçar a segurança das embarcações usando minas marítimas e lanchas pequenas.
E tanto petroleiros com 300 metros de comprimento como navios militares americanos correm o risco de sofrerem danos com as minas.
Não há escapatória. Se as embarcações passarem mais lentamente para evitar as minas na água, ficarão ainda mais suscetíveis a ataques por lanchas.
E o espaço disponível para os navios passarem é de apenas 3 quilômetros de largura, o que facilita muito as ações iranianas ao impedir manobras navais.
O máximo que os americanos podem fazer é deixar navios de prontidão, para responder caso o Irã ataque. E só.
Nessa situação, as seguradoras se recusam a garantir a passagem dos navios, porque o risco é alto demais e as perdas podem ser muito grandes.
Trump pode até tentar abrir o Estreito, mas é o Irã que tem a palavra final.
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