Os recados de Fachin aos juízes brasileiros
Presidente do STF defendeu o "saudável distanciamento" entre magistrados e interesses em jogo
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, abriu um encontro com presidentes de tribunais superiores e de segunda instância, na sede do STF, em Brasília, dando uma série de recados aos juízes e desembargadores brasileiros.
Em meio à crise agravada pelos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ambos suspeitos de manterem ligações escusas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Fachin defendeu o "saudável distanciamento" entre magistrados e interesses em jogo.
"No nosso país, porém, o saudável distanciamento que mantemos das partes e dos interesses em jogo é o que permite, na prática, um mínimo de justiça social. A imparcialidade não é frieza — é a condição de possibilidade da equidade."
Para Fachin, os juízes e desembargadores não podem deixar que a justiça fique aprisionada "em interesses paroquiais, em conveniências econômicas ou em cálculos políticos".
"O que legitima a justiça é o mesmo ideal que legitima a liberdade. E em nome desse ideal devemos ser virtuosos — dar o exemplo", disse o presidente da Corte, cuja atuação dos ministros junto a atores políticos e econômicos tem sido amplamente questionada pela sociedade.
"Não temos o voto. Temos a razão da lei", disse Fachin.
"E exatamente por isso não podemos jamais abrir mão de fundamentar nossas escolhas, de justificar nossas decisões. Elas devem ser escrutinadas amplamente, com toda a transparência, e devem ser capazes de sobreviver ao mais impiedoso exame público", continuou.
"Sem a dialética do debate, a confiança no Judiciário se desfaz — e sem confiança, não há autoridade que resista", seguiu.
Penduricalhos
Fachin reconheceu que o Judiciário vive um "momento de tensão", intensificado pela discussão sobre penduricalhos nos salários de juízes e desembargadores.
"Não vim aqui para impor conclusões, e sei que há posições jurídicas legítimas a serem debatidas pelas vias adequadas. Mas vim dizer, com o respeito que cada um de vocês merece, que o Judiciário não pode sair deste momento menor do que entrou", disse o presidente do STF.
"O povo brasileiro deseja um Estado eficiente, honesto e capaz de garantir segurança, oportunidades e justiça social, dentro de um ambiente de estabilidade democrática e respeito às instituições", continuou.
"É certo que juízas e juízes não podem ser mal remunerados. Têm direito à proteção contra o aumento do custo de vida e merecem o prestígio do valor que os orienta — a lei, a razão, a justiça. É justamente por isso, e não apesar disso, que tudo o que fazemos deve estar flagrantemente amparado no texto constitucional. Não pode haver margem para dúvidas. Não porque nos observam — mas porque é o que somos", completou.
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Comentários (3)
Marcos
2026-03-10 21:03:43QUAIS JOGOS O MINISTRO PRESIDENTE FALA EM "SAUDÁVEL DISTANCIAMENTO: FLAMENGO X FLUMINENSE? CORINTIANS X PALMEIRAS??
KKKKKKKKKKK
Márcio Roberto Jorcovix
2026-03-10 18:14:21Não tem como ficar ouvindo estes caras falando de honestidade, inclusive o Fachin que sempre foi um juíz mais decente, mas está pisando na bola como presidente do STF. Ele tem que que se colocar como contraponto ao tripé da esbórnia (Gilmar, Toffoli e Moraes)