O que Alessandro Vieira de fato disse sobre "grupo criminoso"
Família do ministro do STF Alexandre de Moraes pede indenização por suposta calúnia após entrevista do senador
Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e os filhos Giuliana Barci de Moraes e Alexandre Barci de Moraes pediram uma ação indenizatória por danos morais na Justiça cível contra o senador Alessandro Vieira, do MDB, nesta terça, 28.
A família afirma que o senador teria dito, durante uma entrevista ao SBT News, que os familiares do magistrado teriam recebido valores da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Cada um dos membros da família pede 20 mil reais em indenização.
Vieira publicou um vídeo nas redes sociais falando da intimação. "Eu não disse isso, em nenhum momento. Isso está gravado, está filmado. O que eu disse, e repito, e é provado e confessado, é que eles receberam, sim, cerca de 80 milhões de reais do Banco Master que hoje, nós sabemos, era um grupo criminoso".
"Esse grupo criminoso"
A entrevista de Vieira está disponível no Youtube e pode ser facilmente acessada.
No começo, Vieira afirma que considera o Banco Master como um grupo criminoso.
"A gente chega numa empresa específica chamada Maridt, um fundo patrimonial que seria de irmãos do ministro Dias Toffoli. Esse fundo recebe recursos do grupo que controla o banco Master. Hoje nós sabemos que esse é um grupo criminoso, uma organização criminosa", afirma o senador.
Mais adiante, Vieira fala sobre relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que chegaram às mãos dos parlamentares.
"Nós recebemos do Coaf uma série de relatórios de inteligência financeira e, para quem acompanha a gente, o relatório de inteligência financeira não é um extrato bancário. Ele é um relato de eventos atípicos suspeitos. O RIF, o relatório de inteligência da Reag, tem 200 laudas. O do Banco Master tem 80 páginas. Então, são muitas informações ali de ações de transferência de recursos, de circulação de recursos, totalmente atípico ou suspeito. A gente está avançando com muita cautela nessas informações para que não se cometa nenhuma injustiça", disse Vieira.
Vieira então comenta o conteúdo dos relatórios: "Já é muito evidente que você tem ali [nos relatórios] uma aparente lavanderia. O uso de vários fundos em cadeia para que se faça uma lavagem de dinheiro de diversas origens. Você tem apurações em andamento que apontam a chegada de recursos do PCC, o Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa violenta. Você tem indicativos de pagamentos a autoridades de diversos Poderes, servidores públicos de carreira, políticos e, eventualmente, pessoas ligadas ao Judiciário".
Uma repórter faz uma pergunta, mas não é possível entendê-la.
Vieira responde: "A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita. Moralmente falando, ela é absolutamente reprovável. Juridicamente falando, a gente vai ter que ter mais passos para constatar".
Como o senador já tinha falado em "grupo criminoso" no início da entrevista (e não "organização criminosa violenta", quando falou sobre o PCC), pode-se supor que ele estava falando do Banco Master.
Na continuação do seu raciocínio, Viera também deixa claro que ele estava falando do banco Master, e não do PCC.
"Muito didaticamente: quando o Master contrata o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre Moraes, está contratando um serviço jurídico? Esse escritório prestou serviços correspondentes aos valores recebidos? Até o momento, o indicativo é que não. Você teve uma série de negativas. Mas hoje você já tem notas oficiais do próprio escritório apontando a existência — reconhecendo a existência — do contrato e dos pagamentos durante 20 ou 22 meses, no valor que vai estar na casa dos 80 milhões de reais. E ele informa uma contraprestação de relatórios de reuniões e, quando você calcula isso tomando como base o mercado da advocacia, mesmo aqui em Brasília, que é um mercado bastante inflado, está totalmente fora de parâmetro."
Vieira depois fala de que há suspeita de que o ministro Dias Toffoli teria recebido dinheiro do banco Master, sem citar o PCC.
"O outro ministro, Dias Toffoli, nós temos notícias também reconhecidas pelo ministro primeiro, de que ele é sócio oculto de um fundo patrimonial que tem cotas no resort, que faz investimentos em imóveis. Ele está registrado de forma ostensiva em nome dos dois irmãos, mas ele funciona como sócio oculto. Esse fundo patrimonial recebe recursos de fundos ligados ao banco Master. Esses valores, não está tão claro ainda, mas eles vão estar ali entre 15 e 35 milhões de reais e esse recurso, ao que tudo indica, vai para o próprio ministro."
Nota oficial
Em nota divulgada nesta terça, Vieira se explicou novamente: “O que fiz foi relatar o processo provável de lavagem de dinheiro realizado por um grupo que contratou os serviços do escritório da família Moraes. Não apontei em nenhum momento uma ligação direta entre o PCC e o referido escritório”, afirmou.
“A intimidação e a tentativa de tentar constranger por meio de processo não vão parar o nosso trabalho, que é um trabalho que é feito no interesse dos brasileiros que merecem viver num país onde a lei seja igual para todos.”
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