A NASA abriu uma competição global para resolver um dos principais obstáculos da exploração espacial de longa duração: como alimentar humanos no espaço sem depender de reabastecimento vindo da Terra.
O desafio se chama “Deep Space Food Challenge: Mars to Table” e oferece um prêmio total de US$ 750 mil. As inscrições ficam abertas até 31 de julho de 2026, e qualquer pessoa pode participar, de estudantes universitários a cientistas e chefs.
O que a NASA está pedindo
Não basta propor um tipo de alimento, a agência quer um sistema alimentar completo, capaz de funcionar de forma autossuficiente em missões de superfície marciana. Isso inclui cultivo, processamento, armazenamento, preparo e integração com os sistemas de suporte à vida já utilizados pela NASA.
“Missões de exploração vão crescer em duração e em distância da Terra. Isso torna a questão de como alimentar os astronautas cada vez mais complexa”, disse Greg Stover, administrador interino da Diretoria de Missões de Tecnologia Espacial da NASA.
Por que produzir comida em Marte é tão difícil
A distância média entre a Terra e Marte pode ultrapassar 200 milhões de quilômetros. Missões ao planeta vermelho podem durar mais de dois anos. Transportar toda a comida necessária seria inviável por peso, custo e logística.
Logo, o projeto parte da lógica de que, uma vez que astronautas pousem em Marte para ficar tempo estendido, ficará inviável enviar alimentos direto do planeta Terra. Isso se dá pelo alto custo da tecnologia para isso, além das possibilidades de falha de envio e dos alimentos serem “desviados” no espaço.
Além disso, o ambiente marciano impõe limitações severas, segundo os cientistas. A atmosfera é composta majoritariamente por dióxido de carbono, a pressão é baixa, a água é escassa e as temperaturas chegam a extremos que dificultam processos biológicos convencionais.
Ciclo fechado e tecnologia
Um dos conceitos centrais do desafio é o chamado “ciclo fechado”, em que resíduos orgânicos são reaproveitados como nutrientes e a água é reciclada continuamente. As equipes podem propor tecnologias variadas, como cultivo hidropônico, aeropônico, biotecnologia e até impressão 3D de alimentos.
A NASA também considera o impacto psicológico da alimentação em missões longas. Variedade, sabor e textura adequados fazem parte dos critérios de avaliação, não apenas calorias e nutrientes.
Jarah Meador, executiva do programa de Prêmios, Desafios e Crowdsourcing da NASA, resumiu o objetivo: “Comida vai ter um papel central na saúde e no bem-estar dos futuros exploradores do espaço profundo. O Mars to Table trata de juntar todas essas peças em um único conceito.”
O que as soluções podem render aqui na Terra
A NASA incentiva que as equipes também pensem em aplicações terrestres. Sistemas eficientes para ambientes hostis podem beneficiar bases polares, zonas de desastre, regiões áridas e comunidades com cadeias de abastecimento fragilizadas.
Ou seja, além de garantir alimentação para os astronautas, o desafio também vai abrir janelas para melhorar a alimentação de comunidades vulneráveis e pesquisadores e militares postados em ambientes mais extremos.
O desafio é administrado com apoio da Methuselah Foundation e faz parte do programa Centennial Challenges, que tem 20 anos de histórico de engajamento público em problemas complexos da agência.





