Crusoé
26.05.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Poder
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Edição Semana 353

Democracia: uma experiência fadada ao fracasso? Terceiro ponto

Políticos são administradores temporários do aparato estatal e não proprietários permanentes do governo

avatar
Dennys Xavier
8 minutos de leitura 07.02.2025 03:30 comentários 8
Democracia: uma experiência fadada ao fracasso? Terceiro ponto
Câmara dos Deputados. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Trago a vocês um terceiro ponto de reflexão sobre questões que eu diria serem inseparáveis do regime democrático e que, então, tornam a sua existência, para dizer o mínimo, sobremaneira complicada.

Hans-Hermann Hoppe, economista da tradição austríaca e filósofo libertário, formulou uma das críticas mais contundentes à democracia moderna, fundamentando-se no conceito de preferência temporal.

Esse conceito, originalmente desenvolvido por economistas como Ludwig von Mises e Eugen von Böhm-Bawerk, refere-se à relação entre o valor que as pessoas atribuem ao consumo presente em comparação ao consumo futuro, vale dizer: uma baixa preferência temporal significa que os indivíduos valorizam mais o futuro e são propensos a poupar e a investir, enquanto uma alta preferência temporal indica uma tendência ao consumo imediato e à negligência do longo prazo.

Em termos cotidianos isso é bem fácil de compreender. Um casal sem filhos tenderá naturalmente a fazer cálculos de tempo diversos de um casal com filhos.

Se não vou deixar nada para nenhum herdeiro, pode ser que queira aproveitar mais hoje (alta preferência temporal) o resultado das minhas conquistas.

Diversamente disso, se considero deixar algum legado material para meus filhos, a chave temporal de cálculo tende a lançar-se para o longo prazo (baixa preferência temporal), incluindo até mesmo período no qual não estarei aqui, por conta do conforto que desejo oferecer aos descendentes.

Democracia

Hoppe argumenta que a democracia, ao contrário da monarquia ou de um sistema de propriedade privada absoluta, incentiva uma preferência temporal mais elevada e irresponsável no gerenciamento das coisas do Estado.

Isso acontece porque, num regime democrático, os políticos são administradores temporários do aparato estatal e não proprietários permanentes do governo.

Como eles têm mandatos limitados e não têm direitos de propriedade sobre os bens públicos, sua tendência é explorar ao máximo os recursos do Estado durante seu período no poder, sem preocupação genuína com a preservação do capital para o futuro.

Hoppe traça um paralelo entre a gestão pública em democracias e monarquias. No modelo monárquico, diz ele, o rei, por ser proprietário hereditário do Estado, tende a agir mais como um administrador patrimonial, buscando maximizar o valor do território e da economia no longo prazo, da mesma forma que um dono de empresa pensa em seu negócio como um ativo valioso a ser transmitido para gerações futuras.

Ele pode até explorar dinâmicas sociais, mas tem forte incentivo a não destruir a base produtiva do reino, pois deseja passá-la a seus descendentes.

Por outro lado, em uma democracia, o governante eleito tende a não alimentar preocupação do gênero.

Seu objetivo é extrair o máximo possível de recursos em um curto espaço de tempo, redistribuindo riqueza para grupos de interesse que garantam sua reeleição e um sistema de cooptação vulgar de poder.

Como ele não pode “vender” o Estado ou legá-lo a seus filhos, sua única alternativa é saquear e gastar antes que o próximo ocupante do cargo faça o mesmo.

Isso, segundo Hoppe, eleva a preferência temporal da sociedade como um todo, incentivando tanto os governantes quanto os governados a agir de maneira mais imediatista, prejudicando investimentos de longo prazo e fomentando ciclos de endividamento e assistencialismo.

Para Hoppe, portanto, a democracia cria um ambiente político no qual a competição não se dá pela produção de riqueza, mas pela captura e sequestro do aparato estatal.

Diferentes grupos de interesse competem para controlar o governo e usar seu poder para redistribuir recursos a seu favor.

Esse processo é autodestrutivo, pois gera um ciclo vicioso onde cada grupo busca maximizar seus ganhos no presente, sabendo que, em futuras eleições, outro grupo pode chegar ao poder e redistribuir os recursos de outra forma, desfavorável aos parasitas do dia.

Socialismo encoberto

A democracia, então, transforma a política em uma forma de socialismo encoberto, na qual o Estado se torna o árbitro e distribuidor central de privilégios, enfraquecendo os incentivos ao empreendedorismo, ao investimento de longo prazo e ao respeito à propriedade privada.

O resultado é uma sociedade cada vez mais voltada para o consumo imediato, endividamento crônico e políticas populistas, que enfraquecem a estrutura produtiva e acumulam déficits insustentáveis.

Não estamos a tratar tão-somente de uma rejeição teórica do modelo eleitoral, mas de uma análise dos incentivos perversos que ele cria.

Se a propriedade privada e a responsabilidade individual são elementos fundamentais para a civilização e o progresso econômico, então, a democracia, ao eliminar o senso de posse e continuidade do governo, age como um mecanismo de degradação institucional, fomentando uma mentalidade de pilhagem e destruição do aparato estatal viciado.

Por isso, Hoppe defende que um sistema baseado na descentralização radical, no livre mercado e na propriedade privada irrestrita seria superior ao modelo democrático.

Em sua visão, apenas em um sistema em que os indivíduos detêm controle direto sobre seus recursos e em que as decisões políticas são reduzidas ao mínimo seria possível evitar os efeitos destrutivos da alta preferência temporal induzida pela democracia.

O exame se impõe: se queremos uma sociedade voltada para a criação de riqueza sustentável e para o progresso, faz sentido permitir que indivíduos sem propriedade permanente sobre o governo decidam os rumos da economia e da sociedade como um todo?

O problema não está apenas em quem governa, mas no próprio sistema que transforma o curto prazo em prioridade máxima.

“A massa das pessoas, como reconheceram La Boétie e Mises, sempre e em todo lugar consiste em ‘brutos’, ‘estúpidos’ e ‘tolos’, facilmente iludidos e afundados em habitual submissão. Assim, nos dias de hoje, doutrinada desde a mais tenra infância com a propaganda governamental em escolas públicas e em instituições educacionais por legiões de intelectuais certificados pelo governo, a maioria das pessoas, sem pensar, insensatamente aceita e repete disparates, absurdos e bobagens tais como ‘a democracia significa o autogoverno’ e ‘o governo é do povo, para o povo e pelo povo’", escreve Hoppe, em Democracia, o deus que falhou.

Ora, qualquer um de nós sabe bem que a seleção dos governantes e líderes realizada por meio de eleições que tomem o vulgo parâmetro faz com que seja praticamente impossível que qualquer pessoa boa ou inofensiva possa ascender ao topo.

Temos, ainda com Hoppe, que os primeiros-ministros e os presidentes são selecionados graças à sua comprovada eficiência como demagogos moralmente desinibidos.

Assim, a democracia praticamente assegura que somente indivíduos maus e perigosos alcancem o ápice da hierarquia estatal e governamental.

Como bem registra Walter Williams, se uma pessoa (nomeadamente um político “democrata”) tem direito a algo que não conquistou com o esforço próprio, por extensão é preciso que outra pessoa não tenha direito a algo que ela conquistou com o esforço próprio.

Sim, como ele, também eu prefiro um ladrão a um congressista: um ladrão pegará seu dinheiro e irá embora, mas um congressista ficará de pé e lhe dará as razões pelas quais ele o roubou, com olhos brilhantes e emocionados como só os olhos de quem se apossa de riqueza alheia escorado na busca de um “bem superior”.

Homens decentes liderando, numa democracia – vale dizer, homens com olhar focado em reformas estruturantes de longo prazo e efeitos mediatos (baixa preferência temporal) – é um milagre que dificilmente esse regime pode oferecer.

Leia aqui a primeira parte e aqui, a segunda parte desta série de artigos.

Dennys Garcia Xavier é autor e tradutor de dezenas de livros, artigos e capítulos científicos, é professor associado de Filosofia Antiga, Política e Ética na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Doutor em "Storia della Filosofia" pela Università degli Studi di Macerata (Itália). É coordenador/autor da série best-seller Breves Lições, que divulga o pensamento de autores liberais e conservadores. Fundador da Sociedade da Lanterna

As opiniões dos colunistas não necessariamente refletem as de Crusoé e O Antagonista

Diários

Flávio vai colocar um quarto 'i' na medalha do pai?

Redação Crusoé Visualizar

Negociações de paz continuam, diz Rubio

Redação Crusoé Visualizar

Eduardo e Carlos Bolsonaro reagem a Zema: "Mais uma facada"

Redação Crusoé Visualizar

Como as dívidas influenciam o voto

Duda Teixeira Visualizar

Trump atrela acordo com o Irã ao reconhecimento de Israel

Redação Crusoé Visualizar

Irã e EUA se aproximam de acordo, mas divergências persistem

José Inácio Pilar Visualizar

Mais Lidas

A alma é treinável

A alma é treinável

Visualizar notícia
A luta pela sobrevivência dos nanicos

A luta pela sobrevivência dos nanicos

Visualizar notícia
A reação da rede social ao marmitex de Zema

A reação da rede social ao marmitex de Zema

Visualizar notícia
A universidade que trocou o ensino pela militância

A universidade que trocou o ensino pela militância

Visualizar notícia
As contradições de Flávio

As contradições de Flávio

Visualizar notícia
Como as dívidas influenciam o voto

Como as dívidas influenciam o voto

Visualizar notícia
Eduardo e Carlos Bolsonaro reagem a Zema: "Mais uma facada"

Eduardo e Carlos Bolsonaro reagem a Zema: "Mais uma facada"

Visualizar notícia
Irã e EUA se aproximam de acordo, mas divergências persistem

Irã e EUA se aproximam de acordo, mas divergências persistem

Visualizar notícia
Lula absolve compradores de celulares roubados

Lula absolve compradores de celulares roubados

Visualizar notícia
Lula inventa uma nova categoria de vítima

Lula inventa uma nova categoria de vítima

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Democracia

filosofia

monarquia

< Notícia Anterior

Democracia: uma experiência fadada ao fracasso? Segundo ponto

31.01.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

O protecionismo de Trump

14.02.2025 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Dennys Xavier

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (8)

Carlos Renato Cardoso Da Costa

2025-02-13 10:03:06

3 ensaios brilhantes.


Sérgio Ferri

2025-02-09 19:17:11

O problema não está na democracia, mas no modelo de representação, que gera assimetrias de poder e uma corrupção estrutural.


Olinha

2025-02-09 14:40:06

Excelente! Pobre deste país do futuro sem planos para o futuro.


Luis

2025-02-09 12:51:22

Excelente análise...por mais que penso não consigo imaginar uma saída pro nosso "Zé Povinho" a não ser o investimento maciço em educação (não essa que está aí) mas uma educação voltada para a consciente e prática ação que pense coletivamente, ou seja, o que for melhor pra todos...mas...


Neusa Aparecida Alves Lobo

2025-02-08 09:48:27

Excelente análise. Pena que somos um povo fanático, que lê, não analisa e vai com os outros. Parabéns jornalistas da Crusoe e o antagonista.


Ademir Fenicio

2025-02-08 00:04:21

Bem pensado!


Luciano Torres

2025-02-07 22:31:28

A análise é muito boa. Mas há o problema da legitimidade e da justificativa para o poder. Se as pessoas não acreditarem que participam do processo vai haver uma corrosão da estabilidade, com a consequente tomada pela violência. Pelo menos, a democracia serve pra poder tirar as pessoas do poder.


Avelar Menezes Gomes

2025-02-07 17:58:54

Não existem muitos argumentos contrários a esse raciocínio. É preciso repensar os modelos de governos, repensar o estado, repensar a educação. É um desafio para filósofos , sociólogos , cientistas políticos , porque os modelos atuais claramente não estão dando certo


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (8)

Carlos Renato Cardoso Da Costa

2025-02-13 10:03:06

3 ensaios brilhantes.


Sérgio Ferri

2025-02-09 19:17:11

O problema não está na democracia, mas no modelo de representação, que gera assimetrias de poder e uma corrupção estrutural.


Olinha

2025-02-09 14:40:06

Excelente! Pobre deste país do futuro sem planos para o futuro.


Luis

2025-02-09 12:51:22

Excelente análise...por mais que penso não consigo imaginar uma saída pro nosso "Zé Povinho" a não ser o investimento maciço em educação (não essa que está aí) mas uma educação voltada para a consciente e prática ação que pense coletivamente, ou seja, o que for melhor pra todos...mas...


Neusa Aparecida Alves Lobo

2025-02-08 09:48:27

Excelente análise. Pena que somos um povo fanático, que lê, não analisa e vai com os outros. Parabéns jornalistas da Crusoe e o antagonista.


Ademir Fenicio

2025-02-08 00:04:21

Bem pensado!


Luciano Torres

2025-02-07 22:31:28

A análise é muito boa. Mas há o problema da legitimidade e da justificativa para o poder. Se as pessoas não acreditarem que participam do processo vai haver uma corrosão da estabilidade, com a consequente tomada pela violência. Pelo menos, a democracia serve pra poder tirar as pessoas do poder.


Avelar Menezes Gomes

2025-02-07 17:58:54

Não existem muitos argumentos contrários a esse raciocínio. É preciso repensar os modelos de governos, repensar o estado, repensar a educação. É um desafio para filósofos , sociólogos , cientistas políticos , porque os modelos atuais claramente não estão dando certo



Notícias relacionadas

As duas memórias da Europa

As duas memórias da Europa

Josias Teófilo
22.05.2026 03:30 4 minutos de leitura
Visualizar notícia
O conto de fadas tradwife

O conto de fadas tradwife

Izabela Patriota
22.05.2026 03:30 5 minutos de leitura
Visualizar notícia
A alma é treinável

A alma é treinável

Dennys Xavier
22.05.2026 03:30 6 minutos de leitura
Visualizar notícia
Cannes: um espectro ronda os festivais

Cannes: um espectro ronda os festivais

Josias Teófilo
15.05.2026 10:09 3 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

Dono da Havan anuncia pagamento extra para todos funcionários

Dono da Havan anuncia pagamento extra para todos funcionários

Visualizar notícia
INSS suspende pagamento de milhares de beneficiados

INSS suspende pagamento de milhares de beneficiados

Visualizar notícia
Com ajuda da inteligência artificial, radares no Rio Grande do Sul fiscalizam até dentro do carro

Com ajuda da inteligência artificial, radares no Rio Grande do Sul fiscalizam até dentro do carro

Visualizar notícia
Governo português dificulta vida de imigrantes, mas dependem de brasileiros para o país funcionar

Governo português dificulta vida de imigrantes, mas dependem de brasileiros para o país funcionar

Visualizar notícia
Garantido na Copa do Mundo, narrador passa por cirurgia em São Paulo

Garantido na Copa do Mundo, narrador passa por cirurgia em São Paulo

Visualizar notícia
“Dia D” sobre o futuro da escala 6×1 ocorre nesta segunda-feira (25/05)

“Dia D” sobre o futuro da escala 6×1 ocorre nesta segunda-feira (25/05)

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso