Portugal endureceu parte das regras de imigração nos últimos anos, mas a economia do país segue fortemente ligada à presença de trabalhadores estrangeiros, especialmente brasileiros.
Dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) mostram que os brasileiros eram, em 2024, a principal comunidade estrangeira residente em Portugal, com 31,4% do total.
Regras mais duras
A mudança mais recente entrou em vigor em outubro de 2025, com a revisão da Lei dos Estrangeiros.
Segundo a Comissão Europeia, Portugal passou a limitar, em regra geral, pedidos de reagrupamento familiar a imigrantes que já tenham ao menos dois anos de autorização de residência válida.
Há exceções para famílias com filhos menores ou dependentes, além de titulares de autorizações específicas.
Além disso, o governo português também alterou regras para vistos e autorizações de residência. O objetivo declarado é organizar os fluxos migratórios e reduzir processos pendentes.
Peso no trabalho
Ao mesmo tempo, Portugal precisa de mão de obra estrangeira para manter atividades em funcionamento.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informou que o governo português assinou, em 2025, um acordo com confederações patronais e associações empresariais para acelerar a contratação regulada de trabalhadores de fora do país.
Por um lado, o país impõe mais barreiras administrativas; por outro, as empresas pressionam por trabalhadores em áreas como turismo, hotelaria, restaurantes, construção civil, serviços, agricultura e cuidados.
Brasileiros no centro
A presença brasileira tem peso por causa do idioma, da rede migratória já formada e da demanda por trabalho. Além disso, muitos brasileiros chegam em idade ativa e entram rapidamente em setores com falta de pessoal.
Dados da AIMA também mostram que a população estrangeira residente em Portugal cresceu nos últimos anos. Em 2024, o país registrou mais de 1,5 milhão de estrangeiros com título de residência, conforme relatório oficial da agência.





