Quem é Roberto Sánchez, que lidera a contagem no Peru
Candidato de esquerda ultrapassa Keiko Fujimori na contabilização oficial dos votos
A contagem oficial das eleições no Peru mostra nesta segunda, 8, o candidato de esquerda, Roberto Sánchez (foto), à frente de Keiko Fujimori.
Keiko vinha liderando a contagem até agora, mas a contabilização de votos das zonas rurais e isoladas mudou o placar provisório.
Na noite de domingo, Sánchez apareceu vitorioso nas contagens rápidas feitas pelos institutos Ipsos e Datum (para entender a diferença entre contagem rápida e contagem oficial, leia aqui).
Sánchez é um psicólogo que participou da Teologia da Libertação, uma corrente marxista da esquerda latino-americana.
Foi ministro de Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo.
Sánchez segue sendo um discípulo de Castillo, que tentou um autogolpe em 7 de dezembro de 2022.
Nesse dia, Castillo dissolveu o Congresso e declarou toque de recolher pela televisão.
Também convocou um Congresso para escrever uma nova Constituição.
"Declara-se uma reorganização do sistema de Justiça, do Judiciário, do Ministério Público, da Junta Nacional de Justiça e do Tribunal Constitucional", disse Castillo em 2022.
Castillo foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de conspiração e rebelião em uma tentativa de golpe de Estado.
Apesar desse passado tenebroso, Sánchez busca se aproximar ao máximo da imagem de Castillo.
O chapéu que Sánchez costuma usar na campanha foi dado por Castillo, que era um agricultor na região de Chota.
Este ano, Sánchez percorreu as mesmas cidades visitadas por Pedro Castillo em sua corrida para chegar à Presidência, em 2021.
E Sánchez promete libertar Castillo da prisão, caso seja eleito.
Evo Morales
Para piorar, Sánchez ainda é um grande amigo do boliviano Evo Morales.
Em 2025, Sánchez viajou à Bolívia para participar de manifestações pedindo que Morales pudesse concorrer novamente à Presidência.
Antes, uma decisão do Tribunal Constitucional tinha impedido Morales de concorrer a um quarto mandato nas urnas.
Morales também estava foragido da Justiça. Ele enfrentava uma ordem de prisão por acusações de tráfico humano e estupro de menor (quando era presidente, em 2015, ele se relacionou com um adolescente de 15 anos).
Assim como o cocaleiro, o peruano defende um Estado plurinacional para o Peru, fala em refundar o país e em fazer uma nova Constituição.
Foi essa a receita que transformou a Venezuela em uma ditadura e quase colocou a Bolívia no mesmo caminho.
Agora, pode ser a vez do Peru.
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