As "armas da paz" do pacifista Lula
"Essa arma foi feita por trabalhadores brasileiros e trabalhadoras, muitos deles corintianos, e que não querem matar ninguém", afirmou o presidente
O presidente Lula (foto) é um pacifista de fachada.
Nesta sexta, 24, o petista visitou uma fábrica da Avibras em Jacareí, no interior de São Paulo.
Trata-se de uma empresa privada, que produz e exporta lançadores de foguetes, mísseis e veículos blindados, e estava em recuperação judicial desde 2022.
"Quando eu vender uma arma lá fora, eu falo: 'Gente essa arma foi feita por trabalhadores brasileiros e trabalhadoras, muitos deles corintianos, e que não querem matar ninguém. Essa arma é da paz. Essa não é para você detonar. É só para você falar que tem, para ninguém mexer com você. E nós vamos vender'", afirmou o presidente.
Dizer que armas são vendidas para não serem usadas não é ingenuidade. É cara de pau.
E cara de pau é o que não falta para Lula em assuntos de guerra.
Em maio do ano passado, Lula encontrou-se com o presidente da empresa estatal de defesa chinesa Norinco, Cheng deFang.
De acordo com as fontes oficiais, "a estatal chinesa opera na indústria de defesa, além de projetos voltados à infraestrutura, como construção de rodovias, ferrovias, usinas hidrelétricas e estações de tratamento de água".
Mas a Norinco é muito mais do que isso.
De acordo com uma reportagem do site Politico publicada em março de 2023, a Norinco enviou mil rifles de assalto CQ-A, inspirados no M-16, para uma companhia russa chamada Tekhkrim, em junho de 2022.
Mesmo estando na categoria de "rifles de caça civis", os rifles podem ter uso militar.
Rifles de assalto da Norinco, modelo 56-1, já foram encontrados com terroristas do Hamas e em barcos na direção do Iêmen, país dos terroristas Houthis.
Os blindados que atropelam manifestantes democráticos na Venezuela também são fabricados pela Norinco.
Entre outros produtos de uso militar produzidos pela Norinco estão tanques, obuseiros, foguetes, mísseis guiados, drones e bombas aéreas.
"A Norinco é uma das maiores empresas de defesa do mundo, que faz de munições a foguetes, e está sob sanções americanas", diz o analista militar Ricardo Cabral, do site História Militar em Debate.
Pacifismo de fachada
Naquele mesmo mês, Lula atacou os investimentos em armas feitos pelos europeus em uma conversa com jornalistas.
"Nós queremos paz. E discutimos ontem com o presidente Putin que nós queremos paz. É importante a paz para a Rússia. É importante para a Ucrânia. É importante para os Estados Unidos. É importante para a União Europeia, que não vai gastar dinheiro em arma", disse Lula.
"Eu estou reivindicando isso desde 2023: vamos gastar dinheiro para combater a fome. São 733 milhões de pessoas que não têm o que comer todo dia. Entretanto, todos os países vão voltar a gastar dinheiro. Não sei se é verdade, mas vi na imprensa que a Europa vai gastar 800 bilhões de dólares se armando. Quando deveria estar gastando metade disso para a gente dar comida para quem está com fome", disse Lula.
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