Presidente da Colômbia compra briga com seleção de futebol
Petro tenta justificar postagem racista contra zagueiro colombiano e segue remoendo nas redes sociais o desprezo dos jogadores
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro (foto), passou o fim de semana remoendo o desconforto dos jogadores de futebol da Seleção colombiana durante encontro de despedida para a Copa do Mundo com ele na quinta-feira, 4.
O que Petro parecia ter planejado como um evento político em seu favor acabou se virando contra ele, com os jogadores ouvindo seu discurso com cara fechada e o ídolo James Rodríguez negando uma foto a sua filha de 17 anos.
O discurso da quinta, compartilhado por Petro nas redes sociais, soa mais como um sermão contra a cobiça e tem a confusa mensagem de "os últimos serão os primeiros" como mote.
Os partidários do presidente reagiram nas redes sociais com ofensas aos jogadores e a Confederação Colombiana de Futebol chegou a publicar uma nota condenando as hostilidades.
A filha de Petro, Antonella, publicou um vídeo botando panos quentes e James lhe respondeu, dando a entender que não tiha ouvido o pedido de foto e dizendo que a fotografia "vai ocorrer".
"E ainda conte com uma camiseta, me diz por onde te faço chegar ela? Obrigado pelo seu apoio para mim e para meus companheiros, tudo tem seu momento e agora é hora de estarmos unidos pela nossa seleção no Mundial... Nos vemos em breve", disse James na mensagem, que foi compartilhada por Antonella, num post em que ela brincou que quase teve um infarto ao receber o comentário do jogador.
Petro não para
Enquanto isso, o pai da moça, que está em seu último ano de governo na Colômbia, preferiu alimentar a fogueira.
Petro publicou uma mensagem racista dirigia ao zagueiro Yerri Mina, que tem uma relação bem mais amigável com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.
O presidente colombiano sugeriu que Mina, que é negro, tem "nostalgia dos nobres proprietários de escravos", por uma imagem de 2024 em que Uribe toca sua cabeça enquanto anda a cavalo.
Diante das críticas, o presidente colombiano fixou esse post em seu perfil no X e reforçou a mensagem:
"É preciso ser muito desajeitado para confundir, em primeiro lugar, o escravista com o escravo e, em segundo lugar, não perceber que os fidalgos eram espanhóis brancos com direito à escravidão e a montar a cavalo na época colonial, e que seus descendentes sentem nostalgia desse estamento feudal e escravista", disse, sugerindo que a nostalgia se referia a Uribe.
Mas a comparação feita pelo presidente colombiano foi com duas imagens de Mina, com Uribe e com ele próprio.
"Quem aparece montado a cavalo não é o jogador de futebol, mas um ex-presidente da Colômbia e latifundiário proprietário de terras", finalizou Petro na mensagem, que está longe de ser a única sobre o assunto publicada no fim de semana.
O presidente colombiano publicou longos posts com digressões de difícil compreensão.
"James, você me saudou por protocolo e eu não gosto de protocolo, e sim, você conhece minha filha de antes porque eu a apresentei a você quando ela era pequenininha, sendo prefeito de Bogotá, lamento que você tenha esquecido, porque ela o adorava", disse Petro em mensagem dirigida a James após o post de reconciliação publicado por sua filha, dando sequência ao sermão do discurso de despedida para a Copa.
"Não gosto da burocracia e das máfias no futebol que usam o gênio da juventude mundial para fazer negócios e ganância, me ensinou Willington Ortíz e Maradona", seguiu o presidente na longa mensagem, acrescentando:
"Por isso lhes disse em minhas palavras que a ganância e a soberba não dominem o coração, que a juventude quando se expõe à fama mundial, ao dinheiro e às mulheres belas ou vice-versa, se se deixa dominar pela ganância, morre como jogadores de futebol, e morre na realidade, e não pode vencer."
Segundo turno
A Colômbia decide no próximo dia 21 quem será o próximo presidente do país. A disputa de segundo turno se dá entre o direitista Abelardo de la Espriella e o esquerdista Iván Cepeda, aliado de Petro, que postou vídeo jogando bola com Antonella no fim de semana.
De la Espriella terminou o primeiro turno com mais votos, e Petro disse que não aceitava o resultado.
O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia (CNE) encerrou na quinta-feira, 4, a contagem oficial do primeiro turno presidencial realizado no domingo, 1º de junho, e os números praticamente repetiram o que os sistemas preliminares já indicavam horas após o fechamento das urnas.
De la Espriella obteve 10.366.143 votos, 43,78% dos válidos, enquanto o Cepeda, que é senador, somou 9.703.921, equivalentes a 40,98%. O candidato de esquerda também chegou a questionar o resultado, mas modelou o discurso após a repercussão ruim de seu posicionamento.
Petro segue questionando o resultado.
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