Nikolas não emplacou viral sobre anistia
Comparação do número de visualizações com as do vídeo sobre o Pix, que de fato viralizou, confirma que a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro não é tema nacional

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG, foto) divulgou um vídeo para defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A gravação resume as críticas dos aliados de Jair Bolsonaro à mão pesada do Supremo Tribunal Federal (STF) nas condenações, contrastando as penas duras com a leniência dos ministros do STF com condenados por corrupção.
"Anistia, o que você tem a ver com isso? Eu te explico. Em 1955, o negro era obrigado a ceder seu lugar no ônibus para uma pessoa branca, uma mulher, Rosa Parks, certo dia se negou e foi presa por se recusar a se levantar. Sua atitude gerou o boicote aos ônibus, liderado por Martin Luther King. Sim, isso foi o início do movimento contra as injustiças que a população negra sofria. Mas o que isso tem a ver com a anistia, Nicholas?
A injustiça contra uma mulher virou um marco de uma luta coletiva. Lá foi um ônibus, aqui um batom. Débora, casada, mãe de dois filhos pequenos, cabeleireira condenada a 14 anos de cadeia. Seu crime: escreveu 'perdeu, mané' em uma estátua com um batom. Mas isso você já deve saber. A pergunta que fica é: se ela tivesse escrito 'fora Bolsonaro', em vez de 'perdeu, mané'. Moraes e Dino teriam condenado ela da mesma forma?", questiona o deputado.
Monitoramento do Pix
Não há nada de novo no vídeo, a não ser a alusão a Rosa Parks, ativista pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, e o poder de síntese de Nikolas, já exibido no vídeo sobre o monitoramento do Pix.
Aquela gravação foi tão potente que levou o governo Lula a cancelar a instrução normativa da Receita Federal para monitorar movimentações superiores a 5 mil reais por mês.
O impacto no caso do Pix foi tão forte que os adversários de Nikolas puseram em questão os números alcançados pelo vídeo, que ultrapassou 300 milhões de visualizações.
Mas o fato é que, mesmo com uma mobilização da esquerda para impulsionar uma resposta, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) chegou apenas a um terço das visualizações do adversário (105 milhões).
Não viralizou
Agora, Nikola é vítima do sucesso de seu outro vídeo, que não viralizou por impulsionamentos artificiais (apesar de isso também contar), mas porque tratou de forma competente de um tema de interesse nacional.
O vídeo do Pix reunia 120 milhões de visualizações 24 horas após sua publicação. Já o vídeo da anistia conta 35 milhões 20 horas após ter sido publicado. É um número que está em linha com os vídeos mais bem sucedidos do deputado mineiro, mas longe do seu maior hit.
Ou seja, ao contrário do que ocorreu no caso do Pix, Nikolas provavelmente está pregando para convertidos com o vídeo em defesa da anistia. E não tem robô que consiga esconder o fato de que esse não é um assunto de interesse nacional disseminado e apartidário, como foi o monitoramento do Pix.
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