Graças a um novo telescópio instalado nas profundezas do subsolo do Japão, a humanidade poderá começar a ver “partículas fantasmas” que viajam o universo e podem nos contar a história de estrelas que morreram há mais de 10 bilhões de anos.
Essas partículas, conhecidas como “neutrinos”, são os principais transportadores da energia de “supernovas”, as raras explosões cósmicas que marcam a morte de uma estrela, destino de apenas 1% desses grandes corpos celestes. Essas partículas são quase invisíveis e têm a capacidade de atravessar quase tudo em seu caminho, sejam estrelas inteiras, o planeta Terra ou até nós mesmos sem deixar rastros.
Acontece que 99% da energia gerada pelas supernovas escapa como essas pequenas partículas fantasmas e não como luz. Estrelas massivas que morreram antes da formação do Sol e da Terra espalharam diversos neutrinos no espaço, e elas ainda estão em trânsito, mas não chegam a nossos olhos.
Como poderemos captar esses “fantasmas”?
Apesar da dificuldade em captar os neutrinos, agora a humanidade terá a habilidade de ver esses “rastros” com o Super-Kamiokande, um detector enterrado a cerca de 1 quilômetro de profundidade numa montanha no Japão. Com uma atualização recente, os cientistas preveem que o aparelho poderá detectar o que chamam de “DSNB”, o sinal somado de bilhões de supernovas ao longo de toda a história cósmica.
A tecnologia não vai apenas permitir que cientistas observem o rastro de novas supernovas, mas também investigar a história de estrelas que morreram bilhões de anos atrás. O avanço pode permitir que os astrônomos possam identificar que estrelas se tornaram buracos negros após morrerem, quais ficaram inativas e traçar um retrato mais “vívido” da história do universo para sabermos o que tinha aqui antes da humanidade chegar.
Especialistas apontam que a descoberta põe o ano de 2026 como um possível marco histórico para a astronomia com o telescópio sendo um “primeiro passo” para a ciência aprender sobre o passado além do planeta Terra.





