"Natural que ele tivesse proximidade", diz Valdemar sobre Flávio e Vorcaro
À 'Veja', o dirigente partidário também disse ser "natural" que Flávio tivesse contato com Daniel Vorcaro
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ser "natural" que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tivesse proximidade "de um cidadão" para o qual foi pedir recursos para a produção de um filme sobre o pai, referindo-se ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
À Veja, o dirigente partidário também disse ser "natural" que Flávio tivesse contato com Vorcaro e repetiu a narrativa de que era recurso privado para um empreendimento privado.
"Natural que ele tivesse uma proximidade de um cidadão que ele foi pedir recurso pro filme do pai, que todos os bancos fazem. Ele conseguiu a colaboração do Vorcaro. É natural que ele tivesse contato com ele. Ele foi buscar lá porque foi o lugar que ele encontrou que ele pudesse trabalhar. E isso é recurso privado, não é recurso público. Isso é muito diferente, por exemplo, de um problema do INSS, que tiraram o dinheiro daquela gente pobre, salários baixos. Quando o Flávio pediu ajuda pro filme, ele tava com tudo regular, não tinha denúncia contra ele. Nós não sabíamos do que ele tava fazendo de errado, que foi isso foi comprovado depois. E ele, quando pediu dinheiro, o dinheiro era um dinheiro privado, de um banco, a coisa mais normal de se de se fazer para promover um filme."
As contradições de Flávio
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou, nas últimas duas semanas, em um daqueles roteiros políticos tipicamente brasileiros em que a versão oficial muda de velocidade conforme surgem novas mensagens, novos personagens e novos detalhes inconvenientes.
O problema é que, no caso da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, as explicações apresentadas até agora parecem competir entre si — e não exatamente se complementar.
Em 9 de março deste ano, Flávio anunciou publicamente que assinou pedido de instalação da CPI do Banco Master, criada para apurar todas as picaretagens do banqueiro.
Naquele mês, o parlamentar publicou mensagens em seu Instagram relacionando o esquema ao PT como "Master Lula ou Lula Master?".
Ele ainda provocou Vorcaro naquele mês, dizendo: “Esperamos que Daniel Vorcaro faça a sua delação e entregue tudo que ele sabe".
Nos meses subsequentes, em entrevistas, Flávio negou qualquer relação com o Master, quer seja em entrevistas ou posts nas redes sociais. Em abril, mais precisamente no dia 19, ele lançou o seguinte slogan no X: “O Pix é do Bolsonaro, o Banco Master é do Lula!".
Pois bem, tudo mudou a partir de 13 de maio deste ano. Naquele dia, o site Intercept Brasil revelou mensagens afirmando que Flávio Bolsonaro, no final de 2025, articulou o pagamento de parcelas devidas por Daniel Vorcaro à produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
As mensagens mostraram não somente a cobrança, mas uma relação de proximidade com o banqueiro. Houve até uma tentativa de marcação de um jantar entre Vorcaro e o protagonista do filme, Jim Caviezel. O jantar teria ocorrido em 2 de novembro daquele ano.
Flávio disse, após a revelação do Intercept, que as mensagens representavam apenas uma mera cobrança, que não havia nenhuma relação entre os dois, mas o cenário não é tão simples assim.
Em novembro de 2025, Flávio convidou Vorcaro para assistir à parte das gravações do filme, como um entusiasta da produção da película, em 7 de novembro do ano passado, dez dias antes do banqueiro ser preso: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc!”.
Não parece ser essa mensagem uma simples cobrança entre credor e devedor.
Leia mais: As contradições de Flávio
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)