Trinta e cinco anos após defenderem a Seleção Brasileira em competições internacionais históricas, as atletas que disputaram o Torneio Experimental de 1988 e a primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA, em 1991, começaram a receber uma indenização de R$ 500 mil do Governo Federal.
A medida, considerada uma reparação histórica, foi oficializada com a sanção da Lei nº 15.421/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 2 de junho.
Quem vai ser beneficiado?
A legislação abrange aproximadamente 30 mulheres, considerando as sobreposições entre os dois elencos. O benefício é estendido aos sucessores legais das atletas falecidas, garantindo que as famílias de pioneiras como as goleiras Simone Carneiro e Lica Laurentino recebam a indenização.
A lista oficial consolidada pelo Ministério do Esporte e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é dividida da seguinte forma:
Torneio Experimental da FIFA (1988)
Nesta edição, o Brasil conquistou a medalha de bronze. As beneficiadas incluem:
- Goleiras: Lica Laurentino (falecida) e Simone Carneiro (falecida).
- Defensoras: Marisa Caju (capitã), Rosilene Fanta, Suzana Cavalheiro, Elane Rego, Suzy Bittencourt e Sandra Duarte.
- Meio-Campistas: Lúcia Feitosa, Marilza Pelezinha, Marcinha Honório, Fia Paulista, Russa e Sissi.
- Atacantes: Lucilene Cebola, Roseli de Belo, Michael Jackson e Flordelis Oliveira.
Copa do Mundo Feminina da FIFA (1991)
Primeira edição oficial do mundial, na qual o Brasil foi eliminado na fase de grupos. As contempladas são:
- Goleiras: Meg e Miriam Soares.
- Defensoras: Rosa Lima, Doralice, Solange e Dai.
- Meio-Campistas: Márcia Tafarel, Nalvinha, Cenira Sampaio, Rosângela Rocha e Danda.
- Atacantes: Maria Lúcia, Adriana Alvim, Delma Gonçalves e Fia Carioca.
Várias atletas, como Elane, Roseli, Marisa e Fanta, estiveram presentes em ambas as competições e recebem o prêmio uma única vez.
Reparação
O pagamento segue o mesmo modelo de reparação adotado em 2014, quando o governo indenizou os campeões mundiais masculinos de 1958, 1962 e 1970. Na ocasião, 51 jogadores receberam valores semelhantes.
Segundo o Ministério do Esporte, a iniciativa de 2026 visa corrigir uma “dívida histórica” de um período marcado pela proibição estatal do futebol feminino (vigente até 1979) e pela falta total de profissionalização.
A liberação dos recursos ocorre no âmbito dos preparativos para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá o Brasil como sede.







