“Não aceitamos ser tratados como moleques”, diz Lula sobre atuação dos EUA no Brasil
A fala ocorreu durante participação do chefe do Poder Executivo em uma cerimônia sobre investimentos da Petrobras em Sergipe.
O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira, 29, que estava "triste e decepcionado" com a decisão do governo Trump de considerar Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A fala ocorreu durante participação do chefe do Poder Executivo em uma cerimônia sobre investimentos da Petrobras em Sergipe.
“Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americamos podem fazer intervenção”, declarou o petista.
Lula ainda classificou a medida como uma intervenção desnecessária e cobrou do governo dos Estados Unidos a extradição do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
"Vamos começar entregando o Ramagem que está escondido lá. Começar entregando o maior contrabandista de combustíveis do país, o Ricardo Magro – que é dono da Refi -, a PF e a Receita apreenderam 250 milhões de reais de combustível que eles estão contrabandeando e ele está morando em Miami. Eu entreguei para o Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado, me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, declarou o petista.
Depois, ele complementou.
“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta".
Antes da fala de Lula, a Secretaria de Comunicação do governo federal divulgou uma nota criticando a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao articular essa possível intervenção do governo dos Estados Unidos no Brasil.
“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, afirma a nota.
“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, complementou a Secom.
Flávio se encontrou na última terça-feira, 26, com Donald Trump, após horas de suspense sobre a agenda em Washington.
Momentos antes da reunião, interlocutores ligados ao PL e à pré-campanha do parlamentar evitavam confirmar oficialmente o encontro, tratado nos bastidores como estratégico para fortalecer a imagem internacional do filho de Jair Bolsonaro.
A confirmação veio pelas redes sociais do próprio senador, que publicou uma foto ao lado de Trump acompanhada apenas de um emoji de “joinha”, encerrando as especulações sobre a reunião na Casa Branca.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)