Trump inventa desculpa para desistir de pedágio
Presidente americano afirmou que países do Golfo se comprometeram a fazer investimentos nos Estados Unidos, sem dar detalhes
A péssima ideia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto), de cobrar pedágio de navios petroleiros no Estreito de Ormuz durou cerca de 24 horas.
Na segunda, 13, às 11:16 da manhã, Trump anunciou que os americanos se tornariam os Guardiões do Estreito de Ormuz e cobrariam 20% do valor das cargas para proteger as embarcações na região.
Nesta terça, 14, o presidente desistiu do plano às 12:04.
Em uma mensagem na sua rede TruthSocial, o presidente escreveu: "O petróleo está fluindo como nunca antes, graças ao incrível poder das Forças Armadas dos Estados Unidos".
Em seguida, ele afirmou que o tráfego de navios foi normalizado no Estreito de Ormuz, o que é falso.
"O Estreito de Ormuz está aberto a todo o tráfego de navios, exceto aos do Irã, e isso se deve à liderança mentirosa, violenta e maliciosa do país, que os conduz por um caminho de destruição total", escreveu o presidente. "Portanto, imporemos um bloqueio total, mas apenas para navios que se dirijam a portos iranianos ou venham deles, ou que transportem qualquer carga relacionada ao Irã."
Trump então comunica que o pedágio será substituído por acordos comerciais e de investimento, sem dar mais detalhes.
"Com base em conversas altamente produtivas com líderes do Oriente Médio, decidi substituir a taxa de reembolso de 20% devida aos Estados Unidos por acordos comerciais e de investimento que vários Estados do Golfo realizarão nos EUA. Esses investimentos serão gigantescos, mas, ao mesmo tempo, extraordinariamente benéficos para eles e para o seu futuro."
"Como todos sabem, já temos o maior volume de investimentos em dólares nos Estados Unidos de qualquer país na história, mas esses novos investimentos elevarão ainda mais esse número. Veremos fábricas, instalações industriais e equipamentos chegando aos EUA em níveis históricos, o que criará milhões de empregos americanos adicionais e bem remunerados!"
A ideia de Trump de cobrar pedágio foi bastante criticada por ser contra os acordos internacionais, que proíbem cobranças em águas internacionais.
Além disso, a proposta era impraticável, uma vez que quem detém o poder de garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz não são os Estados Unidos, mas o Irã.
Trump, portanto, não tinha como seguir adiante com o pedágio.
Ao procurar uma desculpa para abandonar a ideia infeliz, ele tentou vender aos americanos que trocou o pedágio por acordos que garantiram "investimentos gigantescos".
Se esses acordos existissem, é de supor que Trump contaria mais sobre eles. Mas eles não passam de miragens no deserto do Oriente Médio.
Trump trata a geopolítica mundial como um jogo em que tudo precisa aparecer como um grande negócio para os Estados Unidos.
Mas será muito difícil Trump transformar o caos criado por ele e pelos iranianos no Estreito de Ormuz em uma jogada de mestre.
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